Etnógrafo vinculado ao Museum für Völkerkunde de Hamburgo, documentado no corpus como o pesquisador que, em “Die Surára und Pakidái” (1960), propôs substituir a designação “Xirianá” pelo termo “Yanomami” ou “Yanoáma” para todo o grupo cultural e linguístico — proposta que Migliazza recusa em CM-0142, mantendo “Xirianá” como forma consagrada na literatura. (CM-0142, p. 1, nota 2)
O debate terminológico sobre a denominação dos Xirianá estrutura a posição editorial de Migliazza. Becher havia argumentado, no capítulo III de seu livro de 1960, pela adoção de “Yanomami” (ou “Yanoáma”) como designação unificadora de toda a família cultural e linguística a que pertencem os Xirianá, os Waiká, os Guaiká e grupos relacionados. Migliazza discorda: “o autor usa o termo tradicional Xirianá para designar a filiação étnica dos Xiriâna do rio Uraricaá, discordando da sugestão de Hans Becher, (Die Surára und Pakidái, 1960, cap. III), que propôs a introdução do termo Yanonãmi ou Yanoáma para designar todo o grupo cultural e lingüístico a que pertencem êstes índios, em virtude de já estar consagrado na literatura o termo Xirianá” (CM-0142, p. 1, nota 2). Migliazza esclarece que o vocábulo ninam ou Yanomámi significa “gente”, “pessoa” ou “povo” na língua Xirianá — evidência de que o termo proposto por Becher é um etnônimo nativo generalizado, não uma designação externa específica.
A posição de Becher viria a prevalecer na antropologia posterior: o povo hoje é universalmente conhecido como Yanomami. No corpus, o documento está datado de junho de 1964, no período de transição terminológica.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0142 |
1964-06-30 | p. 1 (nota 2), p. 19 (bib.) | autor citado; propôs o termo Yanomami — recusado por Migliazza | análise |
CM-0142_pagina_001.md a CM-0142_pagina_024.md (24 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — MIGLIAZZA, Ernesto. “Notas Sôbre a Organização Social dos Xiriâna do Rio Uraricaá”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 22. Belém: CNPq/INPA/MPEG, 30 jun. 1964. Acervo Cildo F. S. Meireles.