Resumo

Os Tapayúna (ou Tapanhauma), chamados localmente de “beiço de pau” ou “botocudos”, habitavam o Rio Arinos na época da pesquisa de Las-Casas (1959/60). Eram um grupo isolado e desconhecido, cuja localização era “externa à área do seringal”, e serviam — como os Nhambikuára — de “tampão contra uma possível expansão da sociedade nacional” (CM-0140, p. 8).

Múltiplos depoimentos os apresentam como “antropófagos”. Las-Casas qualifica essa afirmação como “pretensamente canibal” — mas registra que todos os funcionários da firma que trabalhavam nos formadores do Tapajós compartilhavam essa crença (CM-0140, p. 25). A atribuição de canibalismo é forma sistemática de desumanização de grupos de contato resistente na área.

Las-Casas os situa como sub-grupo Tupi-Kawahíb com base em Ribeiro (1957) e Malcher (1958). O próprio artigo afirma que são “desconhecidos” — a classificação linguística é frágil.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0140 1964-10 p. 8, 25 isolados no Rio Arinos; “pretensamente canibais”; tampão contra expansão do seringal; sub-grupo Tupi-Kawahíb (frágil) análise
CM-0144 1964-10 p. 8, 26 mesma análise; segunda cópia no acervo análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0140_pagina_008.md e CM-0140_pagina_025.md (source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, N.º 23. Belém, 1964-10.