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Local['[Nonoai (RS)](lugares/nonoai-rs.md)', '[Passo Feio](lugares/passo-feio.md)']

Resumo

Movimento de agricultores sem-terra que chegou à região de Nonoai (RS) em fins de novembro de 1962, no contexto das mobilizações pela Reforma Agrária no Rio Grande do Sul. Arrendatários do Posto Indígena Nonoai aderiram ao movimento, deixando de pagar a percentagem de 20% devida ao SPI. O movimento fragmentou-se em novas ondas de ocupação, culminando no acampamento liderado pelo Coronel Gonçalino Cúri de Carvalho em Passo Feio em fevereiro de 1963. (CM-0001, p003)

Antecedentes

Até fins de 1962 os arrendatários do P.I. Nonoai “pagavam pontualmente a porcentagem imposta (20%)” ao SPI e a situação era descrita como “em perfeita ordem” pelo encarregado Acyr Barros (CM-0001, p003, parágrafo 5). A chegada do Movimento dos Sem Terras rompeu a rotina: vários arrendatários “tomaram parte na mesma, na esperança de ganharem terras”, o que os deixou “sem produtos, devido aos gastos feitos quando acampados em plena estrada” (CM-0001, p003, parágrafo 5). As promessas de Reforma Agrária criaram expectativas que o SPI não podia atender dentro da estrutura do arrendamento.

Desenrolar

O movimento teve duas ondas documentadas. A primeira, em fins de novembro de 1962, foi um acampamento de arrendatários às margens das estradas. A segunda, em fevereiro de 1963, ocorreu no local chamado “Passo Feio, localizado entre a Área Indígena e a Reserva do Estado” (CM-0001, p003, parágrafo 6). Desta vez o Coronel Gonçalino Cúri de Carvalho (reformado) “deu ordens aos rendeiros para que não pagassem os 20% ao P.I. Indígena” (CM-0001, p003). Encorajados pelo Coronel e pelo Prefeito Jair de Moura Calixto, que presidia as reuniões, os arrendatários passaram a “transgredir as ordens do P.I., não pagando arrendamento e não dando diretrizes aos seus funcionários” (CM-0001, p003). O encarregado relatou aos superiores não encontrar “apoio para corrigir os infratores” nas autoridades locais.

Agentes, vítimas, testemunhas

Agentes / responsáveis

Vítimas

  • Indígenas do Posto Indígena Nonoai — sofreram perda de renda do arrendamento, invasão de suas terras e abusos descritos pelo encarregado (CM-0001, p004)

Testemunhas / denunciantes

  • Acyr Barros — Encarregado do P.I. Nonoai que documentou a escalada do conflito (CM-0001, p003-p004)
  • Dival José de Souza — Chefe da 7ª Inspetoria Regional que reportou a situação ao Governador do Estado (CM-0001, p006, p010)

Desdobramentos e investigações

O movimento deu origem a uma escalada de conflitos que se prolongou por todo o ano de 1963 e culminou no confronto armado de 11 de agosto de 1964 nas Bananeiras de Nonoai, com 59 detidos (CM-0005, p011-p012). Dival José de Souza comunicou-se diretamente com o Governador Ildo Meneghetti, que respondeu estar “solucionado assunto que motivou” a consulta (CM-0001, p008) — resposta que não alterou as condições estruturais do conflito.

Páginas relacionadas

A pesquisar
Número exato de participantes do movimento; relação com outros movimentos de sem-terra no RS no período; desfecho individual dos líderes.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0001 1963 (ref. 1962) p003 evento deflagrador análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0001-p001.txt a CM-0001-p011.txt (11 páginas) — Dossiê de correspondência sobre o Posto Indígena Nonoai — 1963. Acervo Cildo F. S. Meireles.