Povo semi-nômade do tronco macro-Jê habitante do Mato Grosso, cuja localização estava ligada ao entroncamento das Rodovias Cuiabá/Santarém e Xavantina/Cachimbo. No corpus, os Kreen-Akarore aparecem centralmente no Boletim Informativo FUNAI nº 5 (IV Trimestre 1972), que cobre o momento do primeiro contato pessoal com a equipe de atração dos irmãos Villas Boas, consumado enquanto o boletim estava no prelo. (CM-0150, p. 50-57)
Em 1972, quatro aldeias Kreen-Akarore haviam sido localizadas, todas próximas ao entroncamento das Rodovias Cuiabá/Santarém e Xavantina/Cachimbo. As aldeias tinham sido queimadas pelos próprios índios à aproximação das expedições, mas voltaram a ser habitadas a partir de novembro de 1972 — sinal, para os irmãos Villas Boas, de que o grupo começava a confiar na equipe da FUNAI. Uma das aldeias possuía 36 roças circulares com plantações de batata-doce e “uma espécie de milho pré-cabralino”. O grupo era constituído por exímios caçadores; troncos pesados encontrados nas aldeias foram interpretados por Orlando Villas Boas como representações hierárquicas dos homens nascidos na tribo (CM-0150, p. 51-54).
O grupo era semi-nômade e, segundo Orlando Villas Boas, “entrando agora na fase do aldeísmo”. Não sabiam construir canoas e não eram nadadores. Usavam machado de pedra e carregavam água em cascas de bananeiras — dados que Orlando Villas Boas descreveu como “provas de primitivismo”. Aceitaram facas de aço inoxidável e machados da FUNAI, mas recusaram facas que enferrujam e flecharam baldes de alumínio. A língua, embora do tronco Jê, era desconhecida dos cinco intérpretes da frente (falantes de Kayabi, Txikão, Juruna, Trumai e Suiá) (CM-0150, p. 53-54, 57).
A primeira tentativa de atração foi realizada em 1968 e interrompida meses depois. Reiniciada em janeiro de 1971, era conduzida pelos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Boas com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB). A tática era a “fase de namoro”: deixar brindes em tapiris e aguardar que os índios tomassem a iniciativa do contato. Em dezembro de 1972, um grupo Kreen-Akarore se aproximou a 10 metros da equipe; seu líder era “um velho, que falou bastante mas não foi entendido”. Enquanto o boletim estava no prelo, o primeiro contato pessoal se realizou às margens do Rio Peixoto de Azevedo — exatamente como planejado pelos sertanistas (CM-0150, p. 51, 53, 56-57).
A criação de uma reserva para os Kreen-Akarore na própria região por eles habitada foi anunciada pelo Presidente da FUNAI, Oscar Jeronymo Bandeira de Mello, aos delegados regionais reunidos em dezembro de 1972 (CM-0150, p. 58).
Não há relação direta documentada. O documento CM-0150 é de 1972, após a extinção do SPI.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0150 |
1972 | p. 50-57, 58 | sujeito principal (atração); anúncio criação de reserva | análise |
CM-0150_pagina_001.md a CM-0150_pagina_076.md (76 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — Boletim Informativo FUNAI, Ano II, Nº 5. Brasília: FUNAI/ARP, IV Trimestre 1972. Acervo CFSM.