1. Sumário do documento
Quinto número do Boletim Informativo da FUNAI (Ano II, Nº 5, IV Trimestre de 1972), publicação trimestral de 76 páginas editada pela Assessoria de Relações Públicas da Fundação Nacional do Índio, com sede no Setor de Autarquias Sul, Brasília, impressa pela Editora Gráfica Alvorada Ltda. O boletim cobre a política indigenista da FUNAI no segundo semestre de 1972, com matérias sobre atração de tribos isoladas na Amazônia (Perimetral Norte, Kreen-Akarore, Avá-Canoeiro), saúde indígena (Equipes Volantes de Saúde, surto de sarampo entre os Suruí), demarcação de terras (audiência de caciques Xavante e Xerente com o Presidente Médici), formação de técnicos (IV Curso de Indigenismo FUNAI/UnB), e análise de imprensa sobre o II Encontro de Delegados Regionais. (CM-0150, p. 1-3, 75)
2. Análise e descrição do documento
O boletim se abre com um editorial do jornal O Globo (21/11/1972) que resume a posição política central do número: a “integração” do índio à sociedade nacional é apresentada como objetivo legítimo e inevitável da política indigenista, e a FUNAI — sob presidência do General Oscar Jeronymo Bandeira de Mello — é retratada como o executor competente desse programa, combatendo “informações exageradas ou distorcidas” provenientes tanto do exterior quanto do Brasil. O editorial endossa explicitamente a tese do General Bandeira de Mello — “Por que impedir o índio de ter acesso à sociedade?” — e descreve a “aculturação” como “fatalidade histórica”, enquadramento que permeia todo o boletim. A FUNAI opera durante a ditadura militar, e o documento é produzido nos anos de maior expansão rodoviária da Amazônia. (CM-0150, p. 5)
A maior parte do boletim está dedicada às operações da FUNAI na Amazônia em preparação para a construção da Rodovia Perimetral Norte, prevista para julho de 1973. Técnicos da FUNAI calculam em 20 mil os índios isolados na faixa de influência da rodovia, organizados em “aproximadamente 52 tribos de diferentes graus de integração”, dos grupos Tiriyó (Karib), Yanomami (Xiriána) e Marubo (Pano). Para coordenar esses trabalhos, o Presidente da FUNAI criou a COAMA (Coordenação da Amazônia), chefiada pelo General Ismarth de Araújo Oliveira, que absorveu a antiga Coordenação Geral da Transamazônica e passou a responder pelas atividades de atração nos estados do Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso e nos Territórios de Rondônia e Roraima. A linguagem institucional usa sistematicamente os termos “atração”, “pacificação”, “frente de penetração” e “fase de namoro” (tática de deixar presentes em tapiris), sem jamais problematizar o padrão das intervenções. (CM-0150, p. 7-12)
A reportagem mais extensa do número cobre o trabalho dos irmãos Villas Boas (Orlando, Cláudio e Álvaro) junto aos Kreen-Akarore, grupo semi-nômade do tronco Jê localizado próximo ao entroncamento das Rodovias Cuiabá/Santarém e Xavantina/Cachimbo. A primeira tentativa de atração ocorreu em 1968, foi interrompida e reiniciada em janeiro de 1971. Orlando Villas Boas relatou que em dezembro de 1972 o grupo se aproximou a 10 metros da equipe da FUNAI; a língua, embora do tronco Jê, era desconhecida dos cinco intérpretes da frente (falantes de Kayabi, Txikão, Juruna, Trumai e Suiá). Uma nota de última hora informa que, enquanto o boletim estava no prelo, os irmãos Villas Boas conseguiram o primeiro contato pessoal com os Kreen-Akarore às margens do Rio Peixoto de Azevedo. (CM-0150, p. 50-57)
O boletim registra outras três operações de atração em andamento: a Equipe Volante de Saúde que debelou um surto de sarampo entre os Suruí às margens do Rio Saroró (Porto Velho), com os médicos Dr. Azir, Dr. Molina e as enfermeiras Alaíde e Sebastiana trabalhando quatro dias e quatro noites sem interrupção; o sertanista Afonso Alves localizando uma nova aldeia não identificada no km 75 do trecho Altamira/Itaituba da Transamazônica (cerca de 50 índios, línguas Arara e Munduruku tentadas pelos intérpretes, sem resultado); e o sertanista Israel Praxedes Batista retomando em agosto de 1971 a atração dos Avá-Canoeiro na região dos rios Formoso e Araguaia em Goiás, com o auxílio do índio Parecí José Aucê, veterano das atrações dos Pakaa-Nova, Caripuna e Xavante. (CM-0150, p. 13-15, 63-70)
Dois episódios diplomáticos internos marcam o número. Em fins de novembro de 1972, o Presidente Médici recebeu em audiência no Palácio do Planalto seis caciques Xavante e Xerente para agradecer a assinatura dos Decretos 71.106/72, 71.107/72 e 71.05/72, que criaram novas reservas. O cacique Aribuena (Sangradouro) falou em sua língua e foi traduzido por outro capitão Xavante em português. O General Bandeira de Mello foi batizado pelos Canela de Barra do Corda com o nome “Lopkró” e recebeu o título de Cidadão-Honorário da cidade, por iniciativa do vereador Olímpio Cruz. O relatório do Diretor do BIRD, James A. Lee, elogiou a política da FUNAI (“a filosofia da FUNAI e o programa da mesma estão fundamentados em bases sólidas”) e endossou a demarcação de terras. (CM-0150, p. 16-18, 33-34, 49, 59)
O artigo do Museu do Índio (Rua Mata Machado 127, Maracanã/Guanabara, fundado em abril de 1953) traz a informação mais relevante para o projeto biográfico sobre o indigenismo do SPI: a museóloga Marília Duarte Nunes registra que “A partir de 1942, com a reabertura da Secção Etnográfica do extinto Serviço de Proteção aos Índios, é que data a entrada de novas coleções indígenas para o Museu do Índio”, e que o acervo inclui itens coletados por equipe “então orientada pelo próprio Marechal Rondon”. A presença do SPI, de Rondon e dos irmãos Villas Boas como figuras históricas legitimadoras da FUNAI é o único ponto de contato explícito com a genealogia institucional do indigenismo que antecede a FUNAI. (CM-0150, p. 63)
3. Análise por entidade
FUNAI — sujeito principal / instituição autora
- trechos extraídos:
- p. 2: “FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO”
- p. 3: “MINISTÉRIO DO INTERIOR / FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO — FUNAI”
- p. 5: “a FUNAI enfronta a trama das informações exageradas ou destorcidas”
- p. 9: “os técnicos da FUNAI admitem a existência, na faixa de influência da Perimetral Norte, de três grandes grupos indígenas”
- p. 10: “o Presidente da FUNAI criou uma nova coordenação, chefiada pelo General Ismarth de Araújo Oliveira, a COAMA”
- p. 13: “ordem de se deslocar por via aérea até Porto Velho […] foi o ‘batismo de fogo’ de uma das Equipes Volantes de Saúde da FUNAI”
- p. 18: “O número de reservas indígenas tende a aumentar cada vez mais, pois à medida em que os sertanistas da FUNAI mantêm contato com novos grupos tribais o Governo cria a respectiva reserva”
- p. 30: “Com a conclusão […] do IV Curso de Indigenismo, promovido pela Fundação Nacional do Índio em convênio com a Universidade de Brasília, a FUNAI dispõe agora de mais 67 técnicos em indigenismo”
- p. 46: “A FUNAI pretende instalar em 1973, através do seu Serviço de Telecomunicações, mais 58 estações de rádio em Postos Indígenas”
- p. 49: “a FUNAI possui uma grande sensibilidade, interesse, compreensão e, acima de tudo, a determinação de melhor compreender e assistir os povos de cultura indígena”
- p. 51: “os irmãos Villas Boas representa a proximidade do contato voluntário”
- p. 58: “A criação em breve de uma reserva destinada aos índios Kreen-Akarore […] foi anunciada pelo Presidente da FUNAI”
- p. 59: “A FUNAI firmou, de 1970 até hoje, 13 convênios específicos, no campo da saúde”
- p. 63: “É da coleta de artefatos indígenas, nas próprias aldeias, feita pelas equipes de antropólogos, cinegrafistas, fotógrafos e sertanistas da FUNAI, que provém o nosso acervo”
- p. 75: “Publicação Trimestral editada pela ASSESSORIA DE RELAÇÕES PÚBLICAS da FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO”
- fatos detectados:
- Criada como sucessora do SPI (extinto em 1967); mencionada em relação ao SPI no artigo do Museu do Índio (p. 63)
- Subordinada ao Ministério do Interior (p. 3, 10, 30)
- Parceria com Universidade de Brasília no IV Curso de Indigenismo (p. 30)
- Parceria com FAB nas operações Kreen-Akarore (p. 51)
- Parceria com Projeto Rondon via Serviço de Telecomunicações (p. 46)
- Recebeu elogio do BIRD via James A. Lee (p. 49)
- trechos extraídos:
- p. 2: “Presidente: OSCAR JERONYMO BANDEIRA DE MELLO”
- p. 5: “o presidente da FUNAI, General Jerônimo Bandeira de Melo, e outros dirigentes do órgão concederam a O GLOBO”
- p. 5: “o General Jerônimo Bandeira de Melo dá conta de uma política indigenista promovida pelos caminhos do realismo, da benevolência, da persuasão, da objetividade”
- p. 5: “‘Por que impedir o índio de ter acesso à sociedade?'”
- p. 10: “o Presidente da FUNAI criou uma nova coordenação, chefiada pelo General Ismarth de Araújo Oliveira, a COAMA”
- p. 17: “os capitães xavante telegrafaram ao General Bandeira de Mello, a quem pediram para agradecer ao Presidente Médici”
- p. 18: “os chefes indígenas foram apresentados pelo General Bandeira de Mello ao Presidente da República”
- p. 31: “o General Bandeira de Mello, Presidente da FUNAI, após ressaltar a responsabilidade do técnico em indigenismo […] afirmou que […] ele precisa, antes de tudo, de tato e sensibilidade no convívio com o índio”
- p. 31: “Destacou o General Bandeira de Mello a importância do senso de iniciativa do Chefe do Posto”
- p. 34: “O General Bandeira de Mello, numa de suas viagens de inspeção foi batizado pelos Canela como irmão de tribo, recebendo o nome indígena de Lopkró”
- p. 52: “segundo relato feito pelo sertanista Orlando Villas Boas ao Presidente da FUNAI”
- p. 58: “A criação em breve de uma reserva destinada aos índios Kreen-Akarore […] foi anunciada pelo Presidente da FUNAI aos Delegados Regionais”
- p. 58: “A comunicação foi feita ao General Bandeira de Mello pelo Sr. João Crisóstomo da Silva”
- p. 59: “O General Bandeira de Mello, Presidente da FUNAI, foi agraciado com o título de Cidadão-Honorário de Barra do Corda”
- citações diretas:
“Por que impedir o índio de ter acesso à sociedade?” — p. 5
- fatos detectados:
- Militar (general); presidente da FUNAI no IV Trimestre de 1972
- Realizou visitas de inspeção ao Barra do Corda e ao Posto Indígena Canela
- Recebeu o nome indígena de “Lopkró” dos Canela (p. 34)
- Intermediou audiência dos caciques Xavante e Xerente com Médici (p. 17-18)
- trechos extraídos:
- p. 2: “Superintendente Administrativo: ISMARTH DE ARAÚJO OLIVEIRA”
- p. 2: “Coordenador da Amazônia: ISMARTH DE ARAÚJO OLIVEIRA”
- p. 10: “nova coordenação, chefiada pelo General Ismarth de Araújo Oliveira, a COAMA (Coordenação da Amazônia), que englobou a antiga Coordenação Geral da Transamazônica”
- fatos detectados:
- Acumulava duas funções: Superintendente Administrativo e Coordenador da COAMA (p. 2)
- Chefiou a COAMA, criada para coordenar atração nos estados do Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso e territórios de Rondônia e Roraima (p. 10-11)
- trechos extraídos:
- p. 2: “Diretor do Departamento Geral do Patrimônio Indígena: CLODOMIRO FORTES FLÔRES”
- p. 59: “O General Clodomiro Fortes Flores; Diretor do Departamento Geral do Patrimônio Indígena, em entrevista concedida ao ‘Jornal do Índio’, informativo mimeografado por funcionários do Parque Indígena do Araguaia, afirmou que a FUNAI, através do DGPI, vem dando prioridade às obras de estrutura do PIA”
- fatos detectados:
- Concedeu entrevista ao “Jornal do Índio”, publicação mimeografada dos funcionários do Parque Indígena do Araguaia (p. 59)
- Anunciou obras no PIA: Casa da Administração Central, almoxarifado, açougue, oficina, serraria, usina de beneficiamento de arroz em Sorrocá, ampliação do Hospital do Índio, reconstrução da Escola de Santa Isabel do Morro (p. 59)
Orlando Villas Boas — sertanista / Diretor do Parque Nacional do Xingu
- trechos extraídos:
- p. 51: “para os irmãos Villas Boas representa a proximidade do contato voluntário”
- p. 52: “segundo relato feito pelo sertanista Orlando Villas Boas ao Presidente da FUNAI — um grupo de Kreen-Akarore chegou a aproximar-se até 10 metros da equipe de atração da FUNAI”
- p. 53: “Os irmãos Villas Boas acreditam que a língua falada pelos Kreen-Akarore seja um dialeto do grupo Jê”
- p. 53: “Orlando Villas Boas acha que os Kreen-Akarore são muito primitivos”
- p. 54: “A tática agora usada pelos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Boas é a de deixar que os Kreen-Akarore tomem a iniciativa do contato”
- p. 54: “Para Orlando Villas Boas, o trabalho de conquistar a simpatia dos Kreen-Akarore começou agora a entrar numa fase mais positiva”
- p. 55: “os irmãos Villas Boas levaram um médico até à frente de atração, para examinar todos os membros da equipe”
- p. 56: “os irmãos Villas Boas conseguiram manter o primeiro contato pessoal com os Kreen-Akarore […] às margens do rio Peixoto de Azevedo”
- p. 57: “Para Orlando Villas Boas, o trabalho de conquistar a simpatia dos Kreen-Akarore começou agora a entrar numa fase mais positiva. Três contatos foram efetuados em novembro do ano passado”
- p. 63: “a área do Xingu, através da colaboração dos irmãos Villas Boas e da equipe etnográfica, acha-se representada por belíssima coleção”
- p. 73: “Parque Nacional do Xingu — Diretor — Orlando Villas Boas”
- fatos detectados:
- Diretor do Parque Nacional do Xingu em 1972 (p. 73)
- Liderou com Cláudio Villas Boas a operação de atração dos Kreen-Akarore (p. 50-57)
- Atração iniciada em 1968, interrompida, reiniciada em janeiro de 1971 (p. 57)
- Colaborou com a formação do acervo do Museu do Índio para a coleção do Parque do Xingu (p. 63)
Cláudio Villas Boas — sertanista / Chefe da Base Avançada de Cachimbo
- trechos extraídos:
- p. 54: “A tática agora usada pelos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Boas é a de deixar que os Kreen-Akarore tomem a iniciativa do contato”
- p. 55: “Tendo em vista que o momento de um contato direto com os Kreen-Akarore está cada vez mais próximo, os irmãos Villas Boas levaram um médico até à frente de atração”
- p. 56: “os irmãos Villas Boas conseguiram manter o primeiro contato pessoal com os Kreen-Akarore”
- p. 73: “Base Avançada de Cachimbo — Chefe — Cláudio Villas Boas”
- fatos detectados:
- Chefe da Base Avançada de Cachimbo em 1972 (p. 73)
- Co-responsável pela atração dos Kreen-Akarore com Orlando Villas Boas (p. 54-56)
- trechos extraídos:
- p. 73: “Ajudância Bauru — São Paulo — Álvaro Villas Boas”
- fatos detectados:
- Terceiro dos irmãos Villas Boas, chefiava a Ajudância de Bauru/SP em 1972 (p. 73)
- trechos extraídos:
- p. 16: “PRESIDENTE MÉDICI RECEBEU EM AUDIÊNCIA CHEFES DAS DUAS TRIBOS”
- p. 17: “Através dos decretos n.os. 71.106/72, 71.107/72 e 71.05/72, o Presidente Médici criou novas reservas, ampliando para 17 o número total dessas áreas”
- p. 18: “O encontro, realizado em fins de novembro último, caracterizou-se pelo sentido informal e altamente humano, quando os chefes indígenas foram apresentados pelo General Bandeira de Mello ao Presidente da República”
- p. 18: “O Presidente Médici entregou a cada chefe tribal um presente. Aribuena, chefe Xavante, falando em sua língua agradeceu em nome do seu povo”
- fatos detectados:
- Assinou Decretos 71.106/72, 71.107/72 e 71.05/72 criando reservas para Xavante e Xerente (p. 17)
- Recebeu seis caciques Xavante e Xerente no Palácio do Planalto em fins de novembro de 1972 (p. 18)
- trechos extraídos:
- p. 30: “Falando na cerimônia de encerramento, o Ministro Costa Cavalcanti, do Interior, disse aos novos técnicos que ‘o Curso de Indigenismo é um dos mais importantes já realizados pelo Ministério do Interior'”
- p. 31: “Para o Ministro Costa Cavalcanti, o Posto Indígena constitui a célula básica, dentro da estrutura da FUNAI, motivo pelo qual é necessário que seja dirigido por pessoas capacitadas para trabalhar na aculturação harmoniosa do índio brasileiro”
- citações diretas:
“o Curso de Indigenismo é um dos mais importantes já realizados pelo Ministério do Interior, pois forma indivíduos que terão a responsabilidade de lidar com seres humanos bastante especiais, alguns deles ainda sem qualquer contato com a civilização” — p. 30
- trechos extraídos:
- p. 67: “designando para chefiar a equipe o sertanista Israel Praxedes Batista”
- p. 68: “A orientação dada pelo sertanista Israel Praxedes Batista é a de que os integrantes dos grupos de atração sempre se desloquem nas pegadas dos índios”
- p. 69: “Na região do Rio Maranhão, o sertanista Praxedes Batista plantou pequenas roças às margens do Rio”
- p. 70: “Nas ausências do sertanista Praxedes Batista, a equipe de atração é dirigida pelo índio José Aucê, da tribo Parecí”
- p. 71: “o sertanista Israel Praxedes Batista recolheu diversos objetos, entre os quais fusos, cerâmicas, flechas de ponta de ferro e artefatos de couro”
- fatos detectados:
- Designado para chefiar atração dos Avá-Canoeiro em agosto de 1971 (p. 67)
- Veterano de atrações: Pakaa-Nova, Caripuna e Xavante (p. 70)
- Trabalhou com José Aucê (índio Parecí) como auxiliar (p. 70)
Afonso Alves — sertanista FUNAI, nova aldeia Transamazônica
- trechos extraídos:
- p. 64: “foi localizada pelo sertanista Afonso Alves, da FUNAI, quando sua equipe de atração realizava incursões na mata, no rumo sul do trecho Altamira/Itaituba da Rodovia Transamazônica, na altura do quilômetro 75 daquela estrada”
- p. 66: “O sertanista Afonso Alves, atendendo à orientação da Base de Apoio de Kararaô, à qual sua frente de atração está subordinada, montou um Posto de Atração a certa distância da aldeia”
- fatos detectados:
- Frente subordinada à Base Avançada de Kararaô (p. 66)
- Localizou aldeia não identificada (~50 índios, 9 casas retangulares) no km 75 Altamira/Itaituba (p. 64-65)
James A. Lee — Diretor do BIRD, relatório sobre FUNAI
- trechos extraídos:
- p. 49: “O Sr. James A. Lee, Diretor do Departamento de Assuntos do Meio Ambiente do International Bank For Reconstruction and Development (BIRD), de Washington, em relatório que fez após percorrer a região amazônica, afirmou que a FUNAI possui uma grande sensibilidade”
- p. 49: “‘a filosofia da FUNAI e o programa da mesma estão fundamentados em bases sólidas e procuram aculturar o índio gradativamente e da maneira mais apropriada'”
- p. 49: “‘a decisão de demarcar as terras destinadas às reservas indígenas, permitirá que a cultura indígena seja também preservada'”
- p. 49: “‘As autoridades brasileiras têm consciência deste problema e estão igualmente cientes de sua responsabilidade neste particular'”
- citações diretas:
“a filosofia da FUNAI e o programa da mesma estão fundamentados em bases sólidas e procuram aculturar o índio gradativamente e da maneira mais apropriada” — p. 49
“dados os recursos adequados e uma assistência precisa aos princípios básicos da política indigenista do governo brasileiro, sentimos que o futuro destes povos indígenas nas décadas futuras parece estar mais seguro” — p. 49
Eduardo Galvão — antropólogo, coletor Museu do Índio
- trechos extraídos:
- p. 63: “Ao antropólogo Eduardo Galvão deve-se rica coleção de cerâmica Baniwa, da área amazônica”
- fatos detectados:
- Responsável pela coleção Baniwa do Museu do Índio (p. 63)
- trechos extraídos:
- p. 63: “além de exemplares preciosos da cerâmica Terêna, coletados pelo antropólogo Roberto Cardoso de Oliveira, que dedicou estudos a esse grupo indígena”
- fatos detectados:
- Responsável pela coleção Terena do Museu do Índio (p. 63)
Cândido Rondon — referência histórica legitimadora
- trechos extraídos:
- p. 63: “um arco cerimonial e dois diademas Borôro (S. Lourenço-Mato Grosso) trazidos pela equipe etnográfica, então orientada pelo próprio Marechal Rondon”
- fatos detectados:
- Mencionado como figura histórica fundadora da tradição indigenista; equipe dele coletou peças Borôro no Museu do Índio (p. 63)
SPI — referência histórica / predecessor da FUNAI
- trechos extraídos:
- p. 63: “A partir de 1942, com a reabertura da Secção Etnográfica do extinto Serviço de Proteção aos Índios, é que data a entrada de novas coleções indígenas para o Museu do Índio”
- fatos detectados:
- Referenciado como “extinto” (p. 63); a FUNAI é seu sucessor institucional
- A Secção Etnográfica do SPI, reaberta em 1942, deu origem ao acervo do Museu do Índio
Suruí — povo indígena, surto de sarampo / índios isolados
- trechos extraídos:
- p. 2: “A FOTO QUE ILUSTRA A CAPA É DE UM ÍNDIO SURUÍ, QUE HABITA O PARQUE INDÍGENA DO ARIPUANÃ. (FOTO DE W. JESCO VON PUTTKAMER)”
- p. 13: “Médicos da FUNAI desceram de helicóptero em plena selva para debelar surto de sarampo entre índios Suruí”
- p. 14: “as primeiras notícias […] anunciavam que o Chefe do Posto Indígena Riozinho havia recebido informação […] de que numa aldeia Suruí muitos índios estavam quase à morte”
- p. 15: “no quinto dia veio o primeiro boletim médico: índios convalescendo satisfatoriamente, toda a aldeia fora de perigo”
- p. 24: “CINTA-LARGA/SURUÍ — 4 UI” [na classificação das unidades de informação]
- p. 58: “O filme ‘Os homens que vieram do céu’ […] que mostra o tratamento dispensado pela FUNAI aos índios Mekranoti e Cinta-Larga”
- fatos detectados:
- Habitam o Parque Indígena do Aripuanã (p. 2)
- Sofreu surto de sarampo; equipe EVS da FUNAI interveio no Rio Saroró, Porto Velho (p. 13-15)
- “Operação Suruí” concluída com sucesso: nenhuma vítima fatal (p. 15)
Marubo — povo indígena, Perimetral Norte
- trechos extraídos:
- p. 8: “Índias da tribo Marubo da região do Ituí” [legenda de foto]
- p. 9: “os técnicos da FUNAI admitem a existência […] de três grandes grupos indígenas: Tiriyó (Karib), Yanonami (Xiriána), e Marubo (Pano)”
- p. 11: “Os Marubo, que pertencem ao tronco linguístico pano, são uma das mais numerosas tribos da área onde passará a perimetral norte” [legenda]
- fatos detectados:
- Tronco linguístico Pano; habitam região do Rio Ituí (p. 8, 9, 11)
- Uma das tribos mais numerosas da faixa da Perimetral Norte (p. 11)
Xavante — povo indígena, demarcação de reservas
- trechos extraídos:
- p. 16: “XAVANTE E XERENTE AGRADECEM GARANTIA DE SUAS TERRAS”
- p. 17: “Através dos decretos n.os. 71.106/72, 71.107/72 e 71.05/72, o Presidente Médici criou novas reservas […] entre as quais se incluem as das tribos Xavante e Xerente, em Mato Grosso e Goiás”
- p. 17: “Inicialmente os capitães xavante telegrafaram ao General Bandeira de Mello, a quem pediram para agradecer ao Presidente Médici”
- p. 18: “Aribuena, chefe Xavante, falando em sua língua agradeceu em nome do seu povo e de todos os capitães”
- p. 18: “Foram os seguintes os chefes indígenas recebidos pelo Presidente Médici: Adão, da reserva Areões; Parrery, da reserva Pimentel Barbosa; Aribuena, da reserva Sangradouro; Zacarias, da reserva Couto Magalhães; […] Apoena, da reserva São Marcos”
- p. 70: “já tendo atuado ao lado do sertanista Praxedes na atração dos Pakaa-Nova, Caripuna e Xavante” [menção em contexto da atração dos Avá-Canoeiro]
- fatos detectados:
- Reservas demarcadas em 1972: Areões, Pimentel Barbosa, Sangradouro, Couto Magalhães, São Marcos — todas em Mato Grosso (p. 17-18)
- Caciques nomeados: Adão, Parrery, Aribuena, Zacarias, Apoena (p. 18)
- Cacique Aribuena falou em Xavante e foi traduzido por outro capitão em português (p. 18)
Xerente — povo indígena, demarcação de reserva
- trechos extraídos:
- p. 16: “XAVANTE E XERENTE AGRADECEM GARANTIA DE SUAS TERRAS”
- p. 17: “entre as quais se incluem as das tribos Xavante e Xerente, em Mato Grosso e Goiás”
- p. 18: “Raimundo, da reserva Xerente” [entre os caciques recebidos por Médici]
- fatos detectados:
- Reserva demarcada em 1972 em Goiás (p. 17)
- Cacique Raimundo representou os Xerente na audiência com Médici (p. 18)
Canela — povo indígena, demarcação e esportes tradicionais
- trechos extraídos:
- p. 33: “A simples demarcação de suas terras fez com que os índios Canela (Rankokamekrá), que habitam o Município de Barra do Corda, no Estado do Maranhão, voltassem aos seus padrões culturais de origem”
- p. 33: “O Posto Indígena Canela […] foi classificado como Posto Modelo da 6.ª Delegacia Regional”
- p. 34: “os 430 Canela, chefiados pelo índio Pedro Gregório, têm toda a sua terra demarcada”
- p. 34: “O General Bandeira de Mello […] foi batizado pelos Canela como irmão de tribo, recebendo o nome indígena de Lopkró”
- p. 36: “A corrida de toras […] é o esporte tradicional entre os indígenas do grupo Jê, ao qual pertencem os Canela”
- p. 63: “cerca de 1.500 peças, destaca-se a coleção Rankõkãmekra (Canela) coletadas por R. Tamara e pelo antropólogo da Smithsonian Institution, William Crockeer, que durante 12 anos estudou esse grupo Timbira, de língua jê”
- fatos detectados:
- Também denominados Rankokamekrá; grupo Jê / Timbira (p. 33, 36, 63)
- 430 pessoas em 1972; aldeia a 74 km da sede de Barra do Corda (p. 34)
- Cacique Pedro Gregório liderava a comunidade em 1972 (p. 34)
- Coleção Museu do Índio: 1.500 peças coletadas por R. Tamara e William Crockeer (Smithsonian) (p. 63)
Borôro — povo indígena, ritual funerário / Museu do Índio
- trechos extraídos:
- p. 39: “A morte e o funeral na cultura Borôro, índios que habitam o Oeste do Estado do Mato Grosso”
- p. 39: “No livro ‘Os Borôros Orientais’, os padres Antonio Colbacchini e César Albisetti narram detalhadamente essa cerimônia”
- p. 40: “cabe ao Bari (feiticeiro) sentenciar que a morte do indígena já está próxima”
- p. 41: “Os chefes da aldeia, ornados de pariko (grande enfeite para a cabeça) […] tocam o bapo e entoam o grande canto (roia kurireu), igual para todos os clans”
- p. 44: “Lá, no local onde as águas são mais profundas, descem a cesta e fincam-na no fundo com uma estaca […]. Essa lagoa é conhecida como ‘aroe iao’ (morada das almas)”
- p. 47: “Os índios pertencentes a sete tribos do Mato Grosso e Goiás […] pertencem às tribos Terena, Guarani, Kaiuwá, Borôro, Karajá, Javaé e Tapirapé”
- p. 63: “um arco cerimonial e dois diademas Borôro (S. Lourenço-Mato Grosso) trazidos pela equipe etnográfica, então orientada pelo próprio Marechal Rondon”
- fatos detectados:
- Habitam o oeste de Mato Grosso; São Lourenço como localidade de referência (p. 39, 63)
- Ritual funerário documentado por Antonio Colbacchini e César Albisetti no livro “Os Borôros Orientais” (p. 39)
- Acervo do Museu do Índio inclui peças coletadas pela equipe de Rondon (p. 63)
Kreen-Akarore — povo indígena, processo de atração
- trechos extraídos:
- p. 50: “Os índios Kreen-Akarore, que continuam arredios ao contato com os civilizados, a ponto de queimarem suas próprias aldeias e fugirem”
- p. 51: “Até o momento, já foram localizadas quatro aldeias Kreen-Akarore, todas elas próximas ao entroncamento das Rodovias Cuiabá/Santarém e Xavantina/Cachimbo”
- p. 53: “os Kreen-Akarore […] eram liderados por um velho, que falou bastante mas não foi entendido por nenhum dos intérpretes da frente de atração, familiarizados com seis dialetos diferentes”
- p. 53: “Os irmãos Villas Boas acreditam que a língua falada pelos Kreen-Akarore seja um dialeto do grupo Jê”
- p. 53: “Uma delas possui 36 roças de forma circular […] plantações de batata-doce e uma espécie de milho pré-cabralino”
- p. 53: “Orlando Villas Boas acha que os Kreen-Akarore são muito primitivos. Para abastecerem-se de água, utilizam ainda a folha de bananeira. Outra prova de primitivismo da tribo é o uso do machado de pedra”
- p. 54: “Orlando Villas Boas admite que esses troncos podem representar o número de homens que nascem na aldeia”
- p. 56: “Quando o presente número já se encontrava no prelo, os irmãos Villas Boas conseguiram manter o primeiro contato pessoal com os Kreen-Akarore”
- p. 57: “Essa tribo, cuja primeira tentativa de atração foi realizada em 1968 e interrompida meses após para ser reiniciada em janeiro de 1971, segundo observação dos irmãos Villas Boas é seminômade, entrando agora na fase do aldeísmo”
- p. 57: “Os Kreen-Akarore são exímios caçadores e parecem derivar de um grupo macro-Jê”
- p. 57: “Os índios que integram a equipe de atração da FUNAI naquela frente falam cinco idiomas Jê: Kayabi, Txikão, Juruna, Trumai e Suiá, mas nenhum deles conseguiu ainda qualquer forma de comunicação verbal com os Kreen-Akarore”
- p. 58: “A criação em breve de uma reserva destinada aos índios Kreen-Akarore, na própria região por eles agora habitada, foi anunciada pelo Presidente da FUNAI”
- fatos detectados:
- Primeiro contato realizado às margens do Rio Peixoto de Azevedo enquanto o boletim estava no prelo (p. 56)
- Semi-nômades, tronco macro-Jê; localização: entroncamento Cuiabá/Santarém e Xavantina/Cachimbo (p. 51, 57)
- Atração coordenada pelos irmãos Villas Boas desde 1968 (p. 57)
- Anúncio de criação de reserva para o grupo (p. 58)
Avá-Canoeiro — povo indígena, atração em Goiás
- trechos extraídos:
- p. 67: “Serão intensificados este ano os trabalhos de atração dos índios Avá-Canoeiro, que habitam a região entre os Rios Formoso e Araguaia, na altura da cidade de Formoso e na área do Rio Tocantins, próximo à cidade de Cavalcante, no Estado de Goiás”
- p. 67: “A primeira tentativa de atração dessa tribo […] ocorreu entre 1946 e 1955, mas não trouxe nenhum resultado positivo”
- p. 69: “os índios que se encontram na região do rio Araguaia pertencem ao mesmo grupo dos que estão na área do rio Tocantins”
- p. 70: “Os Avá-Canoeiro que habitam a região do Rio Araguaia foram localizados próximo à área do Posto Indígena Canoaâ […] Os indígenas são conhecidos na região como ‘Cara-Preta'”
- p. 70: “os índios Avá-Canoeiro vivem e perambulam numa ampla faixa de 50 mil alqueires de terras, a partir da confluência dos rios Formoso e Araguaia, até a fazenda conhecida pelo nome de ‘Dorilândia'”
- p. 71: “Em comunicação feita durante o Congresso de Antropologia de São Paulo […] o antropólogo George de Cerqueira Leite Zarur, da FUNAI, informou que os índios conhecidos por Avá-Canoeiro, são provavelmente os mesmos Tupi, Avá, de que fala Couto Magalhães”
- p. 71: “Rivet (1924) comparando um vocabulário Avá-Canoeiro com antigos vocabulários de tupis paulistas adere à hipótese de Couto Magalhães de serem aqueles índios descendentes de Carijós, fugidos das primeiras bandeiras que atingiram Goiás”
- p. 71: “uso de instrumentos de metal (trabalhados pelos próprios índios), trabalho em couro e o possível domínio do português por alguns índios”
- fatos detectados:
- Também chamados “Cara-Preta” pelos moradores da região (p. 70)
- Hipótese de Zarur/Rivet: descendentes de Tupi/Avá (Carijós); possível miscigenação com escravos fugidos (p. 71)
- Primeira atração tentada 1946-1955; reiniciada agosto 1971 por Israel Praxedes Batista (p. 67)
- Periciam o uso de instrumentos de metal; falam possivelmente português (p. 71)
Yanomami — povo indígena, Perimetral Norte
- trechos extraídos:
- p. 9: “Yanonami (Xiriána)” [entre os três grandes grupos da Perimetral Norte]
- p. 10: “Só a tribo Waiká, do grupo Yanomami, tem sua população isolada estimada em 4 mil índios, havendo outras mais populosas”
- fatos detectados:
- Estimativa FUNAI 1972: ~4.000 Waiká (subgrupo Yanomami) isolados apenas na faixa da Perimetral Norte (p. 10)
- trechos extraídos:
- p. 39: “Estas fotos pertencem ao Museu do Índio, e foram obtidas no decorrer de uma cerimônia fúnebre entre os Borôro”
- p. 48: “O cocar e o colar que eram usados pelo lendário índio Uirá, da tribo Urubú-Kaapor, já se encontram no Museu do Índio, na Guanabara”
- p. 60: “o Museu do Índio, que desde abril de 1953 funciona à Rua Mata Machado n.º 127, no Maracanã, reunindo um acervo de cerca de 12.000 peças”
- p. 60: “O Museu do Índio […] é considerado um ‘museu contra o preconceito'”
- p. 62: “Entre as atividades de cunho educativo […] curso de extensão universitária sobre temas de Antropologia e Museologia”
- p. 63: “A partir de 1942, com a reabertura da Secção Etnográfica do extinto Serviço de Proteção aos Índios, é que data a entrada de novas coleções indígenas para o Museu do Índio”
- fatos detectados:
- Endereço: Rua Mata Machado 127, Maracanã, Guanabara (p. 60)
- Fundado em abril de 1953; acervo de ~12.000 peças em 1972 (p. 60)
- Origem ligada à Secção Etnográfica do SPI (reabertura 1942) (p. 63)
- Coleções notáveis: Borôro/Rondon, Urubú-Kaapor (plumária), Canela/Rankõkãmekra (1.500 peças, Crocker/Smithsonian), Xingu/Villas Boas, Baniwa/Eduardo Galvão, Terena/Roberto Cardoso de Oliveira (p. 63)
- trechos extraídos:
- p. 39: “A sequência de fotografias que ilustram o presente trabalho antropológico condensado do livro ‘Os Borôros Orientais’, é talvez um dos mais sérios e impressionantes documentos fotográficos de quantos se tenham notícia sobre cultura primitiva”
- p. 39: “No livro ‘Os Borôros Orientais’, os padres Antonio Colbacchini e César Albisetti narram detalhadamente essa cerimônia”
- fatos detectados:
- Autores: Padre Antonio Colbacchini e César Albisetti (p. 39)
- Fotografias do livro pertencem ao Museu do Índio (p. 39)
- trechos extraídos:
- p. 21: “pesquisa — ‘A imprensa e a ação da FUNAI’ (V. Boletim Informativo n.º 2), correspondente ao período julho/70-junho/71”
- p. 21: “na pesquisa ‘A imprensa e o Congresso Indigenista’, referente a acontecimento de repercussão internacional, alcançou 18,6% […] (V. Boletim Informativo n.º 4)”
- p. 75: “Publicação Trimestral editada pela ASSESSORIA DE RELAÇÕES PÚBLICAS da FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO”
- fatos detectados:
- Série trimestral; este é o nº 5 (IV Trimestre 1972); nº 2 cobriu jul/70-jun/71; nº 4 cobriu o Congresso Indigenista (p. 21, 75)
- trechos extraídos:
- p. 5: “o objetivo ideal e a longo prazo da nossa política indigenista deve ser o de integrar o contingente silvícola na comunidade brasileira”
- p. 5: “A aculturação do índio, como de qualquer civilização primária por outra convivente de mais alto nível, corresponde a uma fatalidade histórica”
- p. 28: “o crescente interesse, a demanda de informações e o empenho demonstrado pela grande imprensa brasileira na difusão da obra patriótica da integração do elemento indígena, de que a FUNAI é o órgão executivo”
- p. 31: “Para o Ministro Costa Cavalcanti, o Posto Indígena constitui a célula básica, dentro da estrutura da FUNAI, motivo pelo qual é necessário que seja dirigido por pessoas capacitadas para trabalhar na aculturação harmoniosa do índio brasileiro”
- fatos detectados:
- Formulação ideológica dominante no boletim: “integração” como “fatalidade histórica” e “obra patriótica” (p. 5, 28)
- Aplicada pelos Postos Indígenas através de “aculturação harmoniosa” (p. 31)
Atração — conceito técnico indigenista
- trechos extraídos:
- p. 9: “preparo de auxiliares de sertanistas e seleção de sertanistas necessários às atividades de atração”
- p. 12: “Doze frentes de penetração e atração, encontram-se em plena atividade, no interior da selva amazônica. Estas frentes são constituídas de um sertanista, um auxiliar de enfermagem, índios intérpretes já aculturados e mateiros”
- p. 24: “Expedições de atração — 5 UI; Cinta-Larga/Suruí — 4 UI; Conflitos com brancos — 2 UI; Área da Transamazônica — 3 UI; Perimetral Norte — 5 UI”
- p. 54: “A tática agora usada pelos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Boas é a de deixar que os Kreen-Akarore tomem a iniciativa do contato”
- p. 66: “‘fase de namoro’. Essa fase consiste em montar tapiris nos locais normalmente visitados pelos índios, onde são deixados brindes”
- fatos detectados:
- Estrutura operacional das frentes de atração: 1 sertanista + auxiliar de enfermagem + índios intérpretes aculturados + mateiros (p. 12)
- “Fase de namoro” como etapa preliminar: deixar brindes em tapiris (p. 66)
- trechos extraídos:
- p. 7: “PERIMETRAL NORTE MULTIPLICA TRABALHOS DE ATRAÇÃO NA AMAZÔNIA — 20 MIL ÍNDIOS ISOLADOS”
- p. 9: “só na Perimetral Norte serão empregadas mais frentes de atração do que todas as atualmente em atividade, nas diversas áreas do País”
- p. 10: “A implantação e execução do Projeto da FUNAI estão previstas para o mês de abril, antes, portanto, do início dos trabalhos de construção da rodovia”
- p. 63: “Atualmente as frentes de penetração da FUNAI nas áreas da Transamazônica, entraram em contato direto com tribos isoladas: Parakanã, Kararaô, Waimiri-Atroari e um grupo possivelmente Assurini”
- fatos detectados:
- Rodovias Transamazônica e Perimetral Norte como vetores de expansão das frentes de atração (p. 7-12, 63)
- Estimativa: ~20 mil índios isolados na faixa da Perimetral Norte, organizados em ~52 tribos (p. 9-10)
Outros povos indígenas mencionados (varredura P3)
- Tiriyó — p. 9: “Tiriyó (Karib)” entre os grupos da Perimetral Norte
- Txukaramãi — p. 46: surto de malária no Parque Indígena do Xingu; EVS deslocada para socorro
- Terena — p. 47: participou do curso de atendentes de enfermagem no Hospital da Missão Kaiuwá (Dourados/MT); p. 63: coleção Museu do Índio
- Guarani — p. 47: curso de atendentes de enfermagem
- Kaiuwá — p. 47: curso de atendentes de enfermagem no Hospital da Missão Kaiuwá (Dourados/MT) — hospital recebe o nome do povo
- Karajá — p. 47: curso de atendentes; folclore: peixe Aruanã como “ser sobrenatural de um lago”
- Javaé — p. 47: curso de atendentes de enfermagem
- Tapirapé — p. 47: curso de atendentes de enfermagem
- Kamaiurá — p. 47: eclipse do Sol de 1964 causou pânico; guerreiros incendiaram flechas em direção ao Sol; p. 63: coleção do Museu do Índio (Xingu/Villas Boas)
- Urubú-Kaapor — p. 48: cocar e colar do “lendário índio Uirá” enviados ao Museu do Índio pela 6.ª DR (São Luís/MA); p. 63: coleção plumária de 1950 considerada a mais preciosa do Museu do Índio
- Kaiapó — p. 48: nota sobre parentesco paterno alargado (tios como pais)
- Gorotire — p. 48: culinária com “berarubú” (tracaçá recheado)
- Waurá — p. 63: coleção Museu do Índio do Xingu (Villas Boas), panelas zoomorfas
- Mehinako — p. 63: coleção Museu do Índio do Xingu
- Kalapalo — p. 63: coleção Museu do Índio do Xingu
- Kuikuro — p. 63: coleção Museu do Índio do Xingu
- Trumai — p. 57: na equipe de intérpretes Kreen-Akarore; p. 63: coleção Museu do Índio do Xingu
- Baniwa — p. 63: coleção de cerâmica Baniwa coletada por Eduardo Galvão
- Parakanã — p. 63: contactado pelas frentes da Transamazônica
- Waimiri-Atroari — p. 63: contactado pelas frentes da Transamazônica
- Assurini — p. 63: “um grupo possivelmente Assurini” contactado na Transamazônica (flag entidade_ambigua)
- Txikão — p. 57: intérprete na frente Kreen-Akarore
- Juruna — p. 57: intérprete na frente Kreen-Akarore; p. 66: intérprete na frente da nova aldeia Transamazônica
- Suiá — p. 57: intérprete na frente Kreen-Akarore
- Kayabi — p. 57: intérprete na frente Kreen-Akarore; p. 66: intérprete na nova aldeia Transamazônica
- Mekranoti — p. 58: retratado no filme de François Floquet junto com o Cinta-Larga
- Cinta-Larga — p. 24, 58: atração junto ao Suruí; retratado no filme de Floquet
- Apiaká — p. 66: intérprete na frente da nova aldeia Transamazônica
- Parecí — p. 70: José Aucê, índio Parecí, auxiliar de sertanista
- Pakaa-Nova — p. 70: anterior atração por Israel Praxedes Batista
- Caripuna — p. 70: anterior atração por Israel Praxedes Batista
- Arara — p. 65: língua tentada pelos intérpretes na nova aldeia Transamazônica
- Munduruku — p. 65: língua tentada pelos intérpretes na nova aldeia Transamazônica
Pessoas do expediente FUNAI (menção única — listagem)
Todos mencionados apenas na p. 2 (expediente) ou p. 4 (Conselho Indigenista) ou p. 72-74 (Delegados/Conselho Curador):
- José de Aguiar — Chefe do Gabinete FUNAI (p. 2)
- Romildo Carvalho — Procurador Geral FUNAI (p. 2)
- Afonso Ligório Pires de Carvalho — Assessor Chefe de Relações Públicas (p. 2)
- Gelcimar Soares dos Santos — Chefe Assessoria Técnica (p. 2)
- Isnard de Albuquerque Câmara — Diretor DGA (p. 2)
- Demócrito Soares de Oliveira — Diretor DGPC (p. 2)
- Amaury Sadock de Freitas Filho — Diretor DGO (p. 2)
- João Bezerra de Mello — Chefe Assessoria Segurança e Informações (p. 2)
- W. Jesco von Puttkamer — fotógrafo (foto da capa, índio Suruí) (p. 2)
- Conselho Indigenista (p. 4): Manuel Diegues Júnior, Solon Leontsinis, Carlos Alberto Ferreira Lopes, Alberto Evilásio de Barros Gondin, David Azambuja, Luiz Edmundo Paes, Francisco Leme Lopes, Gastão César de Andrade, José Lacerda de Araújo Feio, Walter Moreira Gomes, Maria da Conceição Moraes Coutinho, Luiz Antônio de Patrício Ribeiro, Marília Carvalho de Mello e Alvim, Newton Dias dos Santos
- Delegados Regionais (p. 72): 1.ª/AM Antônio Esteves Coutinho; 2.ª/PA Antônio Augusto Nogueira; 3.ª/PE João Crisóstomo da Silva; 4.ª/PR Kleber Assunção; 5.ª/MT Olavo Duarte Mendes; 6.ª/MA João Fernandes Moreira; 7.ª/GO Ivan Baiocchi; 8.ª/RO Waldirene dos Santos Monteiro; 9.ª/MT Campo Grande Clodomiro B’oise
- Chefes de Ajudâncias/Parques/Bases (p. 73): Manoel dos Santos Pinheiro (BH), Álvaro Villas Boas (Bauru/SP), Geraldo Ismael Rocha (São Marcos/RR), Ernesto Ferdinando Pozzato (PIA Aripuanã), Ricardo Soares da Cunha (PIA Araguaia), Francisco Mont’Alverne Pires (Base Kararaô), Adolpho Killian Kesselring (Base Pucuruí), Sidney José Franco Sacilotti (Base Itaituba)
- Conselho Curador (p. 74): Levino de Passos (presidente), Lajavene Silveira de Almeida, Hilário de Oliveira Ferradaes, Wanderley Albuquerque Pinna, José Calixto de Medeiros, Rubens Pinto de Mendonça, Francisco Teixeira, Aida Fernandes Bastos, João Batista Rodrigues de Oliveira, Niemeyer Almeida
Publicações citadas (varredura P3)
- “Communications” nº 1/1960 — p. 20: revista do Centre d’Etudes des Communications de Masse (Paris); metodologia de Violette Morin usada pela ARP/FUNAI para análise de imprensa
- Filme “Os homens que vieram do céu” — p. 58: “Ces hommes qui viennent du ciel”, produzido por François Floquet; sobre Mekranoti e Cinta-Larga; medalha de ouro no Festival Internacional de Atlanta (out/1972)
- “Il Tempo” — p. 58: jornal romano; artigo de Giorgio Torchia (2/12/1972) elogiando a FUNAI e referenciando a Declaração de Brasília e o Congresso Indigenista Interamericano
- “Jornal do Índio” — p. 59: informativo mimeografado por funcionários do Parque Indígena do Araguaia; publicação interna
- Editorial O Globo — p. 5: publicado em 21/11/72; “Integração do índio”
4. Citações ambíguas / não atribuídas
- p. 5: “A aculturação do índio, como de qualquer civilização primária por outra convivente de mais alto nível, corresponde a uma fatalidade histórica” — editorial O Globo; ideologia do período, não atribuída a autor nomeado
- p. 53: “Orlando Villas Boas acha que os Kreen-Akarore são muito primitivos” — citação em discurso indireto; não é fala direta, mas atribuição do autor da matéria
- p. 71: “Todos os depoimentos recolhidos entre os habitantes da região onde vivem os Avá-Canoeiro convergem para um ponto: a pele escura e o cabelo pixaim dos índios” — “depoimentos” não atribuídos nominalmente; compilado por Zarur
5. Notas de continuidade (multi-página)
76 páginas lidas em 26 lotes de até 3 páginas cada.
Páginas sem texto legível (fotos sem legenda ou ilegíveis): p. 6, p. 32, p. 37, p. 38, p. 43, p. 45, p. 76.
Parágrafos cortados entre páginas (retomados na página seguinte):
– p. 7-9: artigo Perimetral Norte dividido em três páginas
– p. 10-11: texto sobre a COAMA dividido entre as páginas
– p. 13-15: artigo Operação Suruí dividido em três páginas
– p. 16-18: artigo audiência Xavante/Xerente dividido entre três páginas
– p. 33-36: artigo sobre os Canela dividido em quatro páginas
– p. 39-44: artigo funeral Borôro dividido em seis páginas
– p. 50-57: artigo Kreen-Akarore dividido em oito páginas
– p. 60-63: artigo Museu do Índio dividido em quatro páginas
– p. 64-66: artigo nova aldeia Transamazônica dividido em três páginas
– p. 67-71: artigo Avá-Canoeiro dividido em cinco páginas
Seções e matérias identificadas:
1. p. 1-3: Capa e página de rosto
2. p. 4: Conselho Indigenista
3. p. 5: Editorial O Globo (21/11/72) — “Integração do índio”
4. p. 6: Foto (sem texto)
5. p. 7-12: Perimetral Norte e 20 mil índios isolados; mapa COAMA
6. p. 13-15: Operação Suruí / Equipes Volantes de Saúde
7. p. 16-18: Xavante e Xerente agradecem ao Presidente Médici
8. p. 19-29: Pesquisa ARP-FUNAI — cobertura do II Encontro de Delegados Regionais
9. p. 30-31: IV Curso de Indigenismo FUNAI/UnB (185 técnicos formados)
10. p. 32: Foto (sem texto)
11. p. 33-36: Terras Demarcadas dos Canela
12. p. 37-38: Fotos (sem texto)
13. p. 39-44: Funeral Borôro (condensado de “Os Borôros Orientais”)
14. p. 45: Foto (sem texto)
15. p. 46: Estações de rádio FUNAI
16. p. 47: “Fumaça à Vista” — notas breves (EVS, Kaiuwá, eclipse Kamaiurá, Karajá)
17. p. 48: Notas breves (Urubú-Kaapor/Uirá, Kaiapó, Gorotire)
18. p. 49: Diretor do BIRD elogia FUNAI
19. p. 50-57: Kreen-Akarore — Villas Boas aguardam contato
20. p. 58-59: Notícias diversas (Filme Atlanta, reserva Kreen-Akarore, Il Tempo, MOBRAL, convênios, Araguaia, Cidadão-Honorário)
21. p. 60-63: Museu do Índio
22. p. 64-66: Nova aldeia na Transamazônica (Afonso Alves)
23. p. 67-71: Avá-Canoeiro (Israel Praxedes Batista)
24. p. 72: Delegacias Regionais
25. p. 73: Ajudâncias, Parques Indígenas e Bases Avançadas
26. p. 74: Conselho Curador
27. p. 75: Colofão editorial
- Releituras: 3 (P1: identificação ampla, P2: detalhamento exaustivo, P3: varredura focal — notas de rodapé, legendas de fotos, bibliografias periféricas, notas de última hora como a do primeiro contato Kreen-Akarore)
- Qualidade do fonte MD: Boa na maioria das páginas. Algumas páginas de fotos corretamente marcadas como “Não há texto legível” (p. 6, 32, 37, 38, 43, 45, 76). Página 22 com gráfico parcialmente legível (ilegível). Páginas 12, 61 com texto truncado mas compreensível.
- Flag source_md_only: Documento existente apenas em MD — hash SHA-256 não calculável sem TXT de origem.
- Flag entidade_ambigua em “UAE” (p. 47): sigla não expandida no documento; parceiro no curso de atendentes de enfermagem no Hospital da Missão Kaiuwá.
- Nota sobre Cildo F. S. Meireles: O biografado NÃO aparece em nenhuma menção deste documento. O boletim é de 1972, portanto posterior à extinção do SPI (1967) em que Cildo atuou. O documento provavelmente integra o acervo como material de acompanhamento da política indigenista contemporânea ao período pós-SPI. O único vínculo indireto é a menção ao “extinto Serviço de Proteção aos Índios” e ao legado de Rondon no Museu do Índio (p. 63).
- Pressuposto não argumentado (p. 5): A ideologia da “integração” como “fatalidade histórica” é apresentada como axioma no editorial do O Globo e no discurso institucional da FUNAI, sem argumentação. O vocabulário do período (“silvícola”, “primitivo”, “aculturação harmoniosa”) é preservado como evidência histórica do indigenismo militar dos anos 1970.
- Apagamento de agentes (p. 5, 28): O discurso da “integração” posiciona os índios como objetos do processo, não como sujeitos políticos; lideranças indígenas aparecem na audiência com Médici em papel ceremonial (ofertar cocares), não como interlocutores políticos.