Vocábulo de trajetória semântica invertida documentada em recorte de imprensa (CM-0134, c. 1959-1961): de termo depreciativo para o forasteiro (português ou nordestino que disputava garimpo ou trabalho com os “naturais da zona”) a título honorífico dos construtores e habitantes de Brasília, “reconhecidos e exaltados pelo próprio presidente Kubitschek”. O texto registra a naturalização do demônimo: “hoje o povo de Brasília se diz candango, como o do Rio se chama de carioca”. (CM-0134, p. 1)
O recorte documenta três estágios:
Depreciativo — garimpo e imigração: “os nativistas do interior a aplicavam aos portugueses que incursionavam pela região. Depois, com ela designavam o imigrante nordestino, que ia competir no centro do país com os naturais da zona na cata dos diamantes.” Equivalência estabelecida com “arigó” (Pará) e “gringo” (Rio de Janeiro) — todos termos de desqualificação do forasteiro.
Resignificação — construção de Brasília: a dedicação dos trabalhadores nordestinos nas obras, “reconhecidos e exaltados pelo próprio presidente Kubitschek”, inverte o sinal. O vocábulo “passou a inspirar respeito e admiração. Tornou-se título honorífico, motivo de justificado orgulho para a coletividade.”
Naturalização — demônimo de Brasília: “todos começaram a adotar a designação, fôsse ou não nordestino, operário, mestre de obra ou engenheiro.” Resultado final: “o povo de Brasília se diz candango”, analogia com “carioca”.
O documento não trata de questões indígenas. Seu valor no corpus é contextual: descreve o processo de formação identitária de Brasília durante o governo Kubitschek, período em que Cildo F. S. Meireles trabalhava no SPI e viveria a transferência para a nova capital.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0134 |
“[c. 1959-1961]” | p. 1 | conceito em análise — trajetória semântica de depreciativo a demônimo honorífico | análise |