Aldeia Kadiwéu incendiada e destruída em Maio de 1896 pelos capatazes do Coronel Malheiros. Estava “construída em uma colina, cercada de morretes” e tinha “cento e tantas casas, todas em linha” (CM-0052, p. 4) — número mais consistente com uma aldeia de 500 pessoas do que as “cinco e tantas casas” de CM-0051 (provavelmente erro de leitura do original). Após a destruição, os Kadiwéu fugiram para o Tigre, estabelecimento de Pedro de Souza Benevides, e depois fundaram a Aldeia Nova perto da boca da Serra da Bodoquena. Em 1899, quando Maciel visitou o local, só restavam “os esteios que por sortes de madeira os carangues maduros o fogo não pode devorar” (CM-0051, p. 10).
No percurso de Maciel pelo Mutuca (Niutaca) em direção à Serra da Bodoquena, a aldeia ficava ao longo do córrego — na direção da Serra. O Memorial de 1899 situa Malique antes do Chat-Ledo (Xatelodo) no percurso. Era uma aldeia estabelecida numa colina rodeada de morretes — posição defensiva que não foi suficiente para evitar o ataque incendiário.
Os capatazes do Coronel Malheiros (também referido como “Valheiros” e “Mainheiros”) incendiaram a aldeia Malique em 1896. O ataque faz parte de uma campanha de violência contra os Kadiwéu que incluiu ataques posteriores e resultou, em 1898, na morte de cinco praças do Exército em confronto (CM-0051, p. 10). O Estado de Mato Grosso “prestava cada vez mais prestígio ao Coronel Valheiros” em vez de proteger os Kadiwéu (CM-0051, p. 10). Desesperados, os Kadiwéu enviaram Pedro de Souza Benevides a Miranda e depois ao Rio de Janeiro para pedir proteção ao Governo Central.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0051 |
1931-03-06 | p. 10 | aldeia destruída em 1896; “cinco e tantas casas” (variante de leitura) | análise |
CM-0052 |
1925-05-22 | p. 4 | “Nalique”; destruída em Maio de 1896; “cento e tantas casas” (leitura mais consistente com 500 pessoas) | análise |
CM-0051_pagina_001.md a CM-0051_pagina_014.md (14 páginas, transcrição limpa) — N. BARBOSA. Memorial ao Interventor Federal. Guazará, 1931-03-06. [Com cópia certificada do memorial de Maciel]. Acervo Cildo F. S. Meireles.