Resumo

Linguista vinculado ao Museu Paraense Emílio Goeldi, autor do artigo “Fonologia Máku” (1965), única fonte do corpus que documenta o povo Máku do Território Federal de Roraima. Conduziu pesquisa de campo em março-abril de 1964, recolhendo 629 frases e palavras em fitas magnéticas junto com cinco textos mitológicos — depositados na Divisão de Antropologia do Museu. Em junho de 1964, havia publicado “Notas Sôbre a Organização Social dos Xiriâna do Rio Uraricaá” (Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Antropologia N.º 22, CM-0142) — baseado em três anos de pesquisa de campo entre os Xirianá sem uso de intérprete. (CM-0141, p. 1-2; CM-0142, p. 1, nota 1)

Atuação documentada

Pesquisa Máku (1964-1965)

A excursão de março-abril de 1964 foi “promovida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi” e encontrou dez descendentes Máku em Roraima, dos quais três falavam a língua. Os informantes principais, Sinfrônio e Maria — irmãos bilíngues de aproximadamente 45 e 50 anos —, trabalhavam na fazenda Boa Esperança (CM-0141, p. 2). O artigo publicado em março de 1965 apresenta a análise fonológica em três níveis hierárquicos, inclui breve etnografia histórica, sistema de parentesco e o texto mítico “A Mucura e o Jabuti”.

Migliazza adotou a grafia dos etnônimos proposta pela 1.ª Reunião Brasileira de Antropologia (Rio, 1953) e o formulário de vocabulários padrão do Museu Nacional para coleta comparativa (CM-0141, p. 1, notas 1 e 3). Em nota, alertou que a designação “Xirianá” estava sendo substituída por “Yanomami” — dado sobre a terminologia em transição dos anos 1960 (CM-0141, p. 2, nota 7).

Pesquisa sobre organização social Xirianá (1961-1964)

Antes do trabalho sobre os Máku, Migliazza publicou “Shiriana Phonology” em coautoria com Joseph Grimes (Anthropological Linguistics, junho 1961, Bloomington) — estudo de fonologia da língua Xirianá que documenta sua familiaridade com a região desde pelo menos 1961 (CM-0142, p. 19). O artigo de 1964 sobre organização social dos Xirianá (CM-0142) foi escrito em inglês e traduzido por Miriam Lemle (Museu Nacional); baseia-se em três anos de campo entre os Xirianá do rio Uraricaá, sem intérprete, e cobre grupo de parentesco, bandos, sistema de parentesco de fusão bifurcada e rituais de ciclo de vida (CM-0142, p. 1, notas 1-2). Em CM-0142, Migliazza defende a manutenção de “Xirianá” contra a proposta de Hans Becher de adotar “Yanomami” — posição que não prevaleceu na literatura posterior.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0141 1965-03 p. 1-2, 16 autor do documento análise
CM-0142 1964-06-30 p. 1 (notas 1-2), p. 19 (bib.) autor do documento; pesquisa de campo de 3 anos entre os Xirianá análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0141_pagina_001.md a CM-0141_pagina_019.md (19 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — MIGLIAZZA, Ernesto. “Fonologia Máku”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 25. Belém: MPEG/CNPq/INPA, março 1965. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0142_pagina_001.md a CM-0142_pagina_024.md (24 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — MIGLIAZZA, Ernesto. “Notas Sôbre a Organização Social dos Xiriâna do Rio Uraricaá”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 22. Belém: CNPq/INPA/MPEG, 30 jun. 1964. Acervo Cildo F. S. Meireles.