1. Sumário do documento
Artigo científico de Ernesto Migliazza, linguista vinculado ao Museu Paraense Emílio Goeldi, publicado no Boletim do mesmo museu em março de 1965 (Nova Série, Antropologia N.º 25). O texto analisa a fonologia da língua Máku dos rios Uraricuera e Uaris (Território Federal de Roraima), com base em pesquisa de campo realizada em março-abril de 1964, quando foram encontrados apenas dez descendentes do povo Máku, dos quais somente três falavam a língua. (CM-0141, p. 1)
2. Análise e descrição do documento
Migliazza abre o artigo situando o Máku entre as línguas “isoladas” do Brasil — classificação baseada apenas num pequeno vocabulário recolhido por Koch-Grünberg no início do século XX, insuficiente para análise comparativa. A língua, porém, não deve ser confundida com a dos Makú (Puinávé) dos rios Negro e Japurá, nem com a dos Macó-Piaroa (Saliva) do baixo rio Ventauri na Venezuela — advertência que sinaliza o risco de confusão terminológica em torno do etnônimo. A pesquisa de campo de março-abril de 1964, promovida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, encontrou apenas dez descendentes Máku no Território Federal de Roraima, dos quais somente três falavam a língua. Os dois informantes principais, Sinfrônio e Maria — irmãos de aproximadamente 45 e 50 anos, “quase bilíngues Máku-Português” — trabalhavam como ajudantes na fazenda Boa Esperança, à margem do rio Uraricuera, nas proximidades da ilha Maracá. (CM-0141, p. 1-2)
A introdução historiográfica que precede a análise fonológica propriamente dita é, do ponto de vista etnológico, o núcleo mais denso do artigo para o contexto do corpus. Migliazza reconstrói as migrações dos Máku nos dois séculos anteriores com base em informantes Máku, Xirianá e Mayongong, além das narrativas dos primeiros exploradores europeus do rio Branco e do Negro: os Máku teriam habitado originalmente a serra Maluwaka, entre o alto Padamo e o Cunucunuma (afluentes do alto Orinoco, Venezuela), de onde foram empurrados para o nordeste pelos Xirianá. Estabelecidos nos vales do Uaris e do alto Uraricuera, enfrentaram nova pressão: entre 1920 e 1930, havia aldeias nos arredores do alto Uraricuera; no início da década de 1930, o grupo Kasrapai dos Xirianá — “lábio comprido”, do médio rio Mucajaí — “atacaram e exterminaram os moradores Máku e Mayongong da cachoeira Kulekuleima, levando para o Mucajaí algumas crianças e mulheres jovens” (p. 3). Dois anos depois, “mercê das doenças e ameaças dos Xirianá”, os últimos Máku do alto Uraricuera desceram em sete canoas até o furo Maracá, onde formaram o que Migliazza chama de “o último aldeamento Máku autóctone cuja comunidade era ainda ‘isolada'” — utilizando a categoria de Ribeiro (1957). Parte do grupo subiu o rio Uraricaá e foi incorporada aos Aywatâteri (Xirianá do mesmo rio). (CM-0141, p. 2-4)
O desenlace da aldeia do furo Maracá é descrito em linguagem factual e sem eufemismo: a proximidade com a “frente pioneira nacional” causou, “por força da gripe, ‘tosse guariba’ e consequentes complicações, a morte de quase todos os adultos da aldeia.” Os órfãos sobreviventes foram criados, “por intermédio do responsável pelo S.P.I.”, “juntos aos Makuxí (Karíb), pelos moradores das fazendas Boa Esperança e Santa Rosa, passando consequentemente de uma economia de caça e coleta para uma de tipo pastoril” (p. 4). A menção do SPI como instância de mediação — sem nomear o responsável — é a única referência ao órgão no documento; ela situa o SPI como intermediário na transferência de crianças indígenas para fazendas de colonos, num padrão recorrente de absorção compulsória ao setor pastoril regional. O quadro dos dez sobreviventes (p. 18) confirma o resultado: dos dez descendentes Máku encontrados em março de 1964, seis moravam em fazendas ou à sua periferia, oito tinham como ocupação principal “braçal, fazenda e roça”, dois já não falavam mais Máku nem Português mas sim Xiriana. Apenas Sinfrônio e Maria preservavam o Máku fluentemente. (CM-0141, p. 4, 18)
A seção fonológica cobre as páginas 7-15 e constitui a contribuição técnica central do artigo. Migliazza identifica 15 consoantes e 6 vogais, com nasalização fonêmica, organizados em três níveis hierárquicos: fonema, sílaba e palavra fonológica. Os padrões silábicos são cinco (V, VC, CV, CVC, CCV); a palavra fonológica é caracterizada por um acento final não-fonêmico com exceção dos nominalizados em /-na/. O artigo inclui ainda um breve texto mítico transcrito foneticamente — “A Mucura e o Jabuti” (p. 14) — que funciona como amostra de uso conectado da língua e como evidência do sistema fonológico em contexto discursivo. Ao final, o sumário em inglês (p. 15) e a bibliografia citada (p. 16-17) são seguidos pelo quadro dos sobreviventes e pelo mapa de migração dos Máku (p. 19), que sintetiza visualmente o colapso demográfico e territorial: da Serra Malowaka (até c. 1600) ao vale do Uraricuera (1700-1900), ao furo Maracá (1920-1930), ao símbolo “X 1964” — extinção ou dispersão final. (CM-0141, p. 7-19)
3. Análise por entidade
Máku — sujeito principal
- trechos extraídos (todas as menções):
- p. 1, parágrafo 1: “A língua Máku (1) dos rios Uraricuera e Uaris, Território Federal de Roraima, figura entre as línguas do Brasil classificadas como ‘isoladas’.”
- p. 1, parágrafo 1: “a língua Máku — que não deve ser confundida com a dos Makú (Puinávé), dos rios Negro e Japurá ou com a dos Macó-Piaroa (Saliva), do baixo rio Ventauri (Venezuela) — está em processo de extinção, contando somente com três falantes.”
- p. 1, nota 2: “Outra pequena lista de palavras Máku (inédita), foi coletada pelo Marechal Rondon (m.s).”
- p. 2, parágrafo 1: “Os informantes, Sinfrônio e Maria, irmãos de aproximadamente 45 e 50 anos de idade, quase bilíngues Máku-Português, trabalham como ajudantes na fazenda Boa Esperança, rio Uraricuera nas proximidades da ilha Maracá.”
- p. 2, parágrafo 2: “A área percorrida pelos Máku nos últimos 200 anos compreende os vales do rio Uraricuera, alto rio Orinoco na Venezuela e cordilheira Parima.”
- p. 2, parágrafo 3: “Os Máku contam que seu habitat tradicional era a serra /maluwaka/ ‘samaúma’, entre o alto rio Padamo e rio Cunucunuma, afluentes do alto rio Orinoco (Venezuela), onde viviam essencialmente de caça e coleta.”
- p. 3, parágrafo 1: “Os Máku viajavam regularmente do rio Uaris e alto Uraricuera para o baixo Uraricuera até o rio Branco para trocar seus artefatos com os Karíb e ‘civilizados’.”
- p. 3, parágrafo 2: “No princípio dêste século, subseqüentes incursões hostis e ataques de tribos Xirianá (Wayka ‘gente que não planta’, Guaharibo, etc.) forçaram os Máku a mudar pouco a pouco o seu habitat rio abajo.”
- p. 3, parágrafo 3: “Entre 1920-1930, havia malocas a uns 60 km abaixo da boca do rio Aracasá no alto Uraricuera, e também um acampamento na altura da cachoeira Kulekuleima, 75 km acima da ilha Maracá.”
- p. 3, parágrafo 3: “No princípio do decênio de 1930, os Kasrapai ‘lábio comprido’ (Xirianá do médio rio Mucajaí) atacaram e exterminaram os moradores Máku e Mayongong da cachoeira Kulekuleima, levando para o Mucajaí algumas crianças e mulheres jovens, quatro das quais estão ainda vivas.”
- p. 4, parágrafo 1: “Dois anos mais tarde, mercê das doenças e ameaças dos Xirianá, os últimos Máku do alto Uraricuera desceram, uns o rio em sete canoas até o furo Maracá e estabeleceram-se perto da cachoeira Alakalé /alakale/ ‘peixe Pirandirã’, constituindo o último aldeamento Máku autóctone cuja comunidade era ainda ‘isolada’.”
- p. 4, parágrafo 2: “Em poucos anos, o contato com a ‘civilização’ causou, por força da gripe, ‘tosse guariba’ e consequentes complicações, a morte de quase todos os adultos da aldeia.”
- p. 4, parágrafo 2: “Os órfãos (por intermédio do responsável pelo S.P.I.) foram criados, juntos aos Makuxí (Karíb), pelos moradores das fazendas Boa Esperança e Santa Rosa, passando consequentemente de uma economia de caça e coleta para uma de tipo pastoril.”
- p. 4, parágrafo 3: “Em março de 1964, foram achados dez descendentes Máku no Território Federal de Roraima, dos quais somente três falam a língua Máku.”
- p. 5 (passim): traços culturais — tangas, redes, cestas, malocas circulares/ovais, cerâmica, canoas, cultivos (mandioca, banana, cará, batata doce, abacaxi, fumo), caça com arco e flecha e zarabatana; inumação em redes dentro de cestode carga.
- p. 6: terminologia de parentesco Máku — 14 termos vocativos, 9 do tipo classificatório; “fusão bifurcada”.
- p. 15: “The Máku of Upper Uraricuera and Uaris Rivers (Territory of Roraima — Brazil) were a hunting and gathering tribe with little agriculture and of unknown linguistic affiliation.”
- p. 18: Quadro de sobreviventes — 10 descendentes, nomes, sexo, idade (13-50 anos), local de nascimento, domicílio, ocupação, línguas faladas. Apenas Sinfrônio, Maria e Júlia falam a língua.
- p. 19: Mapa “Migração dos Máku”: Serra Malowaka (? — 1600) → rio Uraricuera (1700-1900) → Maracá (1920-1930) → X 1964.
- fatos detectados:
- língua classificada como “isolada” (sem filiação conhecida); base: lista Koch-Grünberg 1917 (p. 1)
- distinção etnônimo: Máku (rios Uraricuera/Uaris) ≠ Makú Puinávé (rios Negro/Japurá) ≠ Macó-Piaroa (Venezuela) (p. 1)
- relação histórica com Mayongong descrita como amistosa; comércio de artefatos (p. 3, 5)
- relação histórica com Xirianá descrita como hostile; causa dos deslocamentos (p. 2-4)
- após extinção dos adultos, crianças integradas por mediação do SPI às fazendas e aos Makuxí (p. 4)
- área cultural: enquadrável em “Norte-Amazônica, Núcleo B” (Galvão 1960) antes de 1953 (p. 4)
- zarabatana originária dos Mayongong (p. 5)
- flags específicas:
- tipo: apagamento_de_agentes — adultos mortos pelas doenças do contato não são nomeados; “o responsável pelo S.P.I.” não identificado (p. 4)
- trechos extraídos:
- p. 1: “ERNESTO MIGLIAZZA” — autoria do artigo
- p. 1, nota (*): “Pesquisa realizada sob os auspícios do Museu Paraense Emílio Goeldi.”
- p. 2: “A maioria dos dados deste trabalho foi coletada durante uma excursão aos Máku, promovida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, em março-abril de 1964.”
- p. 2: “629 frases e palavras registradas foneticamente e triplicadamente gravadas, junto com cinco textos mitológicos, em fitas magnéticas pelo autor e depositadas na Divisão de Antropologia do referido Museu.”
- p. 16: “MIGLIAZZA, ERNESTO — 1964 — Notas sôbre a organização social dos Xiriâna do rio Uraricaá. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Antropologia N.º 22, Belém, Pará.”
- fatos detectados:
- vinculado ao Museu Paraense Emílio Goeldi (p. 1)
- autor também de artigo anterior sobre a organização social dos Xirianá (Migliazza 1964, Boletim MPEG N.º 22) (p. 4 nota 10, p. 16)
- dados coletados em março-abril de 1964 (p. 2)
Xirianá — antagonista principal; agente de deslocamento e violência
- trechos extraídos:
- p. 2, nota 7: “Recentemente, a família linguística Xirianá foi designada também com o termo Yanomami. Inclui as tribos comumente chamadas Xiriána, Waiká, Guaiká, Guaharibo, Xamatari, etc.”
- p. 2: “a invasão das tribos Xirianá (7) do sudeste”
- p. 2: “os contatos Mayongong-Máku foram sempre amistosos, mas o mesmo não ocorria nos contatos Xirianá-Máku.”
- p. 3: “Os Xirianá causaram a emigração dos Máku primeiro para o nordeste e em seguida, provàvelmente antes do século passado, para leste além das serras do sistema Parima no vale dos rios Uaris e alto Uraricuera.”
- p. 3: “A invasão Xirianá proveniente do sul (entre Rio Branco e Rio Negro), não somente deslocou os Máku, mas também parou, em modo geral na área do Uraricuera, o movimento norte-sul dos Karíb.”
- p. 3: “No princípio dêste século, subseqüentes incursões hostis e ataques de tribos Xirianá (Wayka ‘gente que não planta’, Guaharibo, etc.) forçaram os Máku a mudar pouco a pouco o seu habitat rio abajo.”
- p. 3: “Foi em consequência dêsse ataques que algumas mulheres e crianças Máku foram incorporadas às tribos Xirianá da região.”
- p. 3: “No princípio do decênio de 1930, os Kasrapai ‘lábio comprido’ (Xirianá do médio rio Mucajaí) atacaram e exterminaram os moradores Máku e Mayongong da cachoeira Kulekuleima, levando para o Mucajaí algumas crianças e mulheres jovens, quatro das quais estão ainda vivas.”
- p. 4: “Dois anos mais tarde, mercê das doenças e ameaças dos Xirianá, os últimos Máku do alto Uraricuera desceram…”
- p. 4, nota 10: “Cf. Migliazza, 1964.” — referência a estudo anterior do autor sobre os Xirianá do rio Uraricaá
- p. 18: Iwazoló — descendente Máku “casada (quando mais nova) com Máku morto pelos Kasarapai. Kulekuleima.”
- p. 18: Moacir — pai passou a morar com os Xiriana em 1935; era cunhado de Sinfrônio. Kaxira — irmã de Moacir, casada com Xiriana.
- fatos detectados:
- subgrupos identificados no documento: Kasrapai (médio Mucajaí), Wayka, Guaharibo, Aywatâteri (rio Uraricaá) (p. 3-4)
- relação com Máku descrita como hostil; causadores dos deslocamentos (p. 2-4)
- responsáveis pelo extermínio de Máku e Mayongong na cachoeira Kulekuleima (início 1930s) (p. 3)
- nota do autor: designação “Yanomami” é recente para a mesma família linguística (p. 2, nota 7)
- sistema numérico distinto do Máku — só “um, dois, mais um, menos um e muito” (p. 5, nota 13)
Mayongong — aliado do Máku; vítima colateral do extermínio Kasrapai
- trechos extraídos:
- p. 2: “Os Mayongong (8) (Karíb)”
- p. 2, nota 8: “Conhecidos na Venezuela como Maquiritare.”
- p. 3: “Os Mayongong são chamados pelos Máku /dakwana/, e pelos Xirianá /pawana/, palavras que têm o sentido de ‘bons patrões’ ou ‘boa gente’.”
- p. 3: “os contatos Mayongong-Máku foram sempre amistosos”
- p. 3: “No princípio do decênio de 1930, os Kasrapai ‘lábio comprido’ (Xirianá do médio rio Mucajaí) atacaram e exterminaram os moradores Máku e Mayongong da cachoeira Kulekuleima, levando para o Mucajaí algumas crianças e mulheres jovens.”
- p. 4: “Os Mayongong do alto Uaris e Ventuari assim como os Xirianá informam que não há mais Máku na Venezuela.”
- p. 5: “em alguns casos, de taipa como os Mayongong” — referência à construção de malocas
- p. 5: “mas o ralador era escambado com os Mayongong” — relação comercial para mandioca
- p. 5: “Caçavam com arco e flecha, conheciam a zarabatana originária dos Mayongong.”
- p. 5, nota 12: “os vizinhos Karíb (Mayongong e Makuxí) não enterravam os mortos” — diferença cultural
- fatos detectados:
- família Karíb; conhecidos na Venezuela como Maquiritare (p. 2, nota 8)
- relação com Máku descrita como amistosa; comércio de raladores de mandioca e zarabatana (p. 3, 5)
- extintos em Kulekuleima junto aos Máku pelo ataque Kasrapai nos anos 1930 (p. 3)
Makuxí — povo receptor dos órfãos Máku
- trechos extraídos:
- p. 3: “havia também Wapitxâna (Aruak) no baixo Uraricuera, e Xirianá no Mucajaí… os rios mais navegados pelos Máku […] Makuxí do leste”
- p. 4: “Os órfãos (por intermédio do responsável pelo S.P.I.) foram criados, juntos aos Makuxí (Karíb), pelos moradores das fazendas Boa Esperança e Santa Rosa”
- p. 5, nota 12: “os vizinhos Karíb (Mayongong e Makuxí) não enterravam os mortos”
- p. 18: Conceição — “irmã de Sinfrônio e deixada do marido Makuxi”; Avelino — “sobrinho de Sinfrônio e casado com Makuxi”
- fatos detectados:
- família Karíb; presença histórica no leste do vale do Uraricuera (p. 3)
- responsáveis, junto com fazendeiros e SPI, pela criação dos órfãos Máku após extinção dos adultos (p. 4)
- trechos extraídos:
- p. 4: “Os órfãos (por intermédio do responsável pelo S.P.I.) foram criados, juntos aos Makuxí (Karíb), pelos moradores das fazendas Boa Esperança e Santa Rosa, passando consequentemente de uma economia de caça e coleta para uma de tipo pastoril.”
- fatos detectados:
- atuava no Território Federal de Roraima durante ou antes do período c. 1932-1950 (p. 4)
- papel de mediador na transferência de crianças indígenas para famílias de colonos/fazendeiros (p. 4)
- flags específicas:
- tipo: apagamento_de_agentes — “o responsável pelo S.P.I.” não é nomeado (p. 4)
Cândido Rondon — coletor de vocabulário manuscrito (inédito)
- trechos extraídos:
- p. 1, nota 2: “Outra pequena lista de palavras Máku (inédita), foi coletada pelo Marechal Rondon (m.s).”
- p. 17: “RONDON, CANDIDO M. S. — ms. Tribo Maco (rio Branco), Vocabulário manuscrito. Arquivo da Commissão Rondon e inspecção de Fronteiras. Rio de Janeiro. (inédito).”
- fatos detectados:
- registrou vocabulário manuscrito da “Tribo Maco” (do rio Branco), inédito, depositado no Arquivo da Commissão Rondon e Inspecção de Fronteiras, Rio de Janeiro (p. 1 nota 2, p. 17)
- citado por Migliazza como fonte anterior sobre os Máku; registro anterior a Koch-Grünberg ou contemporâneo (p. 1 nota 2)
- trechos extraídos:
- p. 1, cabeçalho: “INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA / BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI”
- p. 1, nota (*): “Pesquisa realizada sob os auspícios do Museu Paraense Emílio Goeldi.”
- p. 2: “uma excursão aos Máku, promovida pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, em março-abril de 1964.”
- p. 2: “depositadas na Divisão de Antropologia do referido Museu.”
- p. 15: “Research done in March-April 1964, under the auspices of the Museu Paraense Emilio Goeldi”
- fatos detectados:
- responsável pela expedição de campo de março-abril 1964 aos Máku (p. 1, 2)
- publicou o artigo no Boletim do Museu, Nova Série, Antropologia N.º 25 (p. 1)
- Divisão de Antropologia custodia as gravações de fitas magnéticas do campo (p. 2)
- vínculo institucional: publicado sob o Conselho Nacional de Pesquisas / Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (p. 1 cabeçalho)
Eduardo Galvão — referência teórica (áreas culturais)
- trechos extraídos:
- p. 4: “Julgando por alguns traços culturais dos antigos Máku do alto rio Uraricuera, descritos pelos informantes, antes de 1953 os Máku poderiam ter sido enquadrados dentro da área cultural Norte-Amazônica, Núcleo B, segundo a divisão de Galvão (1960).”
- p. 16: “GALVÃO, EDUARDO — 1960 — Áreas culturais indígenas do Brasil, 1900-1959. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Antropologia N.º 8, Belém, Pará.”
- fatos detectados:
- obra “Áreas culturais indígenas do Brasil, 1900-1959” (1960) é referência para classificação dos Máku na “área Norte-Amazônica, Núcleo B” (p. 4)
Darcy Ribeiro — referência para categorias de contato interétnico
- trechos extraídos:
- p. 4, nota 9: “Usando as mesmas categorias de Ribeiro, 1957.”
- p. 16: “RIBEIRO, DARCY — 1957 — Culturas e línguas indígenas do Brasil. Educação e Ciências Sociais. Vol. 2, N.º 6, Rio de Janeiro.”
- fatos detectados:
- categoria “isolado” aplicada ao aldeamento Máku do furo Maracá (categoria de Ribeiro 1957) (p. 4, nota 9)
Theodor Koch-Grünberg — primeiro etnógrafo a registrar vocabulário Máku
- trechos extraídos:
- p. 1: “A classificação baseia-se somente em uma pequena lista de vocábulos, colhidos por Koch-Grünberg (2), no princípio deste século, lista insuficiente para uma análise comparativa.”
- p. 1, nota 2: “Koch-Grünberg, 1917, Tomo IV. Nos seus dias pré-fonêmicos Koch-Grünberg registrou uma pequena lista de vocábulos Máku diferenciando mais fonemas do que era necessário.”
- p. 2, nota 4: “Koch-Grünberg (1906)”
- p. 16: “KOCH-GRÜNBERG, THEODOR — 1906 — Die Maku. Anthropos I, Salzburg.” e “1917 — Von Roraima zum Orinoco, Ergebnisse einer Reise in Nord-Brasilien und Venezuela in der Jahren 1911-1913. Tomo IV, D. Reimer, Berlin.”
- fatos detectados:
- publicou vocabulário dos Máku em 1917 (Von Roraima zum Orinoco, Tomo IV) — base da classificação de “isolada” (p. 1)
- mencionado entre exploradores históricos do rio Branco/Negro (1906) na reconstituição do contexto histórico (p. 2 nota 4)
- trechos extraídos:
- p. 1, nota 3: “Formulário dos vocabulários padrões para estudos comparativos preliminares nas línguas indígenas brasileiras (Museu Nacional).”
- p. 1: “análise fonológica baseia-se em 629 frases e palavras registradas foneticamente e triplicadamente gravadas, junto com cinco textos mitológicos, em fitas magnéticas”
- p. 1, nota 1: “Para os nomes tribais mencionados neste trabalho, o autor usa a grafia proposta pela 1.ª Reunião Brasileira de Antropologia (Rio, 1953) e publicada na Revista de Antropologia, Vol. 3, n.º 2, São Paulo, 1955.”
- fatos detectados:
- Migliazza adota o formulário de vocabulários padrão do Museu Nacional (p. 1, nota 3)
- grafias dos etnônimos seguem a 1.ª Reunião Brasileira de Antropologia (1953) (p. 1, nota 1)
- dados depositados na Divisão de Antropologia do MPEG (p. 2)
4. Citações ambíguas / não atribuídas
- p. 2, nota 4: série de exploradores históricos citados como fonte da reconstituição: “os Carmelitas em 1725; Xavier de Andrade em 1740; Sampaio (1825) em 1774; Rodrigues Ferreira (1885) em 1785; Lobo de Almada (1861) em 1787; Humboldt em 1799; Schomburgk (1841 e 1841-a) em 1835, e Koch-Grünberg (1906).” — fontes de segunda mão; reconstrução histórica mediada.
- p. 4: “Os Mayongong do alto Uaris e Ventuari assim como os Xirianá informam que não há mais Máku na Venezuela.” — informação de campo não atribuída a informante específico.
- p. 18, observações: “Casada (quando mais nova) com Máku morto pelos Kasarapai. Kulekuleima.” — referência ao ataque; vítima (marido de Iwazoló) não nomeada.
5. Notas de continuidade (multi-página)
- Página 1: capa/título com linha parcialmente ilegível no topo (notada como “[ilegível]” na transcrição) — não afeta o conteúdo.
- Páginas 5-6: seção cultural e de parentesco; a seção de parentesco começa na p. 5 e continua na p. 6 (continuidade de conteúdo, sem corte sintático).
- Páginas 6-7: passagem da seção de parentesco para a seção fonológica; parágrafo da p. 6 continua no início da p. 7 (“ferência usa-se /lu:ke/ para pai…”).
- Páginas 9-10: análise vocálica continua entre as páginas; corte no meio da descrição de
/a/.
- Página 14: texto mítico “A Mucura e o Jabuti” — transcrição fonêmica seguida de tradução em português.
- Página 18: quadro de sobreviventes — lista 10 indivíduos com dados pessoais; informação sensível (nomes, idades, domicílios) de pessoas que podem estar vivas.
- Página 19: mapa de migração — transcrição em formato de texto; representação esquemática de coordenadas e topônimos do mapa visual.
- Releituras: 3 (P1 — identificação ampla: tipologia, autoria, argumento, entidades principais; P2 — detalhamento exaustivo: trechos por entidade, notas de rodapé, quadro de sobreviventes; P3 — varredura focal: temas, publicações citadas, eventos secundários, mapa, texto mítico, grafia de etnônimos, vocabulário de época).
- Qualidade das fontes MD: boa; transcrição limpa, terminologia linguística bem preservada. Alguns caracteres fonéticos são transcrições aproximadas (símbolos IPA em formato texto).
- Lacunas: linha ilegível no topo da p. 1 (antes do cabeçalho CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS); não afeta conteúdo.
- Descoberta P3: (a) Rondon registrou vocabulário manuscrito inédito dos Máku, depositado no Arquivo da Commissão Rondon e Inspecção de Fronteiras, Rio de Janeiro — possível pista de pesquisa; (b) p. 18 — lista nominal de sobreviventes com nomes e dados pessoais — contém dado sensível (pessoas potencialmente vivas em 1964); (c) nota 1 — grafia dos etnônimos segue 1.ª Reunião Brasileira de Antropologia (Rio, 1953); (d) mapa p. 19 usa “X 1964” marcando extinção/dispersão final — símbolo forte.
- Conexão com o acervo: Cildo F. S. Meireles não é mencionado no documento. A conexão se dá por três vias: (1) o SPI é mencionado como mediador da transferência de crianças Máku para fazendeiros — atuação do órgão em Roraima, área periférica ao corpus até então; (2) o vocabulário manuscrito de Rondon sobre os Máku (inédito) situa-se no Arquivo da Commissão Rondon, mesma tradição institucional do SPI; (3) o Boletim do Museu Goeldi é o mesmo veículo de CM-0139 e CM-0140, indicando interesse de Cildo na produção antropológica desse periódico.
- Candidatos a entidade nova: Kasrapai — subgrupo Xirianá do médio Mucajaí, agente direto do extermínio de Kulekuleima. Poderia ter página
pessoas/kasrapai ou ser tratado como subentidade de povos-indigenas/xiriana. Sugiro manter como entrada em grafias_alternativas de Xirianá por ora, com flag de possível desmembramento.
- Sugestão editorial: a página
temas/documentacao-linguistica-indigena deve ser re-redigida para incluir CM-0141, que representa um grau muito superior de sistematização fonológica em comparação com o vocabulário de CM-0040_f.