Oswaldo Goeldi (1895-1961) foi um gravador, desenhista e ilustrador suíço-brasileiro, figura central do modernismo nas artes visuais do Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, passou a infância e juventude em Belém do Pará e na Suíça, onde estudou arte. Sua obra, dominada pela xilogravura em preto e branco, explora temas de solidão, morte, abandono e a vida urbana noturna — “a noite moral sob a noite física”, na expressão do poema anônimo preservado no acervo (CM-0034, p. 1). O poema, publicado no “2.° CADERNO” de jornal não identificado, constitui uma homenagem póstuma que percorre os motivos centrais de sua iconografia: peixes-esqueletos, casas inabitáveis, a canoa do pescador, o “preto no preto” e “as diferentes espécies de treva”. Goeldi é influência reconhecida do artista Cildo Meireles (filho do biografado), e a presença deste recorte nos papéis do acervo familiar documenta o ambiente cultural em que o artista se formou.
Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro em 31 de outubro de 1895, filho do naturalista suíço Emílio Goeldi — diretor do Museu Paraense (hoje Museu Paraense Emílio Goeldi). A família mudou-se para Belém do Pará e depois para a Suíça, onde o jovem Oswaldo iniciou seus estudos artísticos. O poema do acervo alude a essa origem com o verso “Da uma cidade culturina vieste a nós” — provável referência a Belém (CM-0034, p. 1, parágrafo 1).
Goeldi retornou ao Brasil e estabeleceu-se como um dos principais gravadores do país. Sua técnica principal foi a xilogravura — o corte na madeira que o poema evoca como “madeiras em que inflexivelmente penetras para extrair o vitríolo das criaturas condenadas ao mundo” (CM-0034, p. 1, parágrafo 3). Sua obra explora a solidão existencial em cenários urbanos e naturais: peixes descarnados, ruas vazias à noite, figuras humanas isoladas, pescadores solitários. A paleta é quase monocromática, com uso dramático de vermelho e verde-azulado como acentos — “glauco reflexo furtivo que lambe a canoa de teu pescador e na tarja sanguínea a irromper, escândalo” (CM-0034, p. 1, parágrafo 6). Ilustrou obras de Dostoiévski, Machado de Assis e Graciliano Ramos, entre outros.
O poema anônimo do acervo — provavelmente escrito e publicado após a morte de Goeldi em 1961 — é um testemunho da reverência que o artista inspirava na cena cultural brasileira. O poeta constrói um retrato que evita reduzir Goeldi ao “sinistro”, concluindo que sua obra é “violenta e meiga” — uma “dádiva de ti à vida” (CM-0034, p. 1, parágrafo 7). A publicação no “2.° CADERNO” de um jornal indica que Goeldi era tema de interesse do grande público leitor, não apenas dos círculos especializados de arte.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0034 |
[s.d.] | p. 1 | sujeito do poema — homenagem póstuma ao gravador | análise |
CM-0034 - 0001_f.txt a CM-0034 - 0002_f.txt (2 páginas) — Poema anônimo em homenagem a Oswaldo Goeldi. 2.° CADERNO, [jornal não identificado], [s.d.]. Acervo Cildo F. S. Meireles.