Resumo

Povo indígena de língua Jê (Macro-Jê), habitante do norte do Tocantins e sul do Pará, na confluência dos rios Araguaia e Tocantins. No corpus, os Apinayé aparecem em dois mapas cartográficos: o de 1811 da Capitania de Goyaz — grafados “Gentio Apinagé”, localizados na confluência Araguaia/Tocantins (CM-0136, p. 2) — e o mapa etnográfico de O. Bendix (1940), grafados “APINAGES?” com interrogação do cartógrafo (CM-0133, p. 1). A grafia colonial de 1811 é a mais antiga do corpus para este povo.

Território e organização social

Povo Gê (família linguística Jê) localizado na região do Bico do Papagaio — área de convergência dos rios Tocantins e Araguaia. O corpus documenta sua presença nessa região tanto em 1811 — quando o mapa da Capitania de Goyaz registra “Gentio Apinagé” na confluência dos rios Maranhão e Araguaia (CM-0136, p. 2) — quanto em 1940, no mapa etnográfico de Bendix (CM-0133, p. 1). A continuidade geográfica entre os dois documentos, separados por 129 anos, sugere permanência territorial. O Bico do Papagaio é também o cenário do massacre dos Krahô (1940), documentado em outros materiais do acervo.

Relação com a atuação de Cildo F. S. Meireles

Os documentos de 1953 estabelecem conexão direta entre o Posto Apinagés e Cildo. Na defesa administrativa de abril de 1953, os “servidores do Posto ‘APINAGÉS’, em Tocantinópolis” são mencionados entre os que “reclamaram seus vencimentos atrasados de 1952” — evidência da crise de pagamentos na IR-8 durante a gestão Malcher (CM-0162, p. 13). A Comissão de Inquérito instaurada contra Cildo colheu depoimentos no posto durante a diligência (CM-0159, p. 15). Em 31 de julho de 1952, Cildo enviou ao Diretor do SPI o ofício nº 117 sobre as terras dos Apinayé, documento que integra os 27 anexos da defesa (CM-0162, p. 21, Doc. XI; CM-0159, p. 19).

A pesquisar
Detalhes da situação fundiária dos Apinayé em 1952; conteúdo do ofício nº 117/1952; desfecho dos salários atrasados dos servidores do posto.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0136 1811 p. 2 “Gentio Apinagé” — localizado na confluência Araguaia/Tocantins; grafia colonial de 1811 análise
CM-0133 1940 p. 1 nomeado no mapa (“APINAGES?”) — com interrogação do cartógrafo análise
CM-0145 1949 p. 21, 49 P.I. Apinagés (IR8, Goiás): escola e 161 índios assistidos em 1949 análise
CM-0155 [c. 1953] p. 7 “Apinagé” — IR-8 Goiás; listados entre povos “infelizes com os seus ‘protetores'” análise
CM-0159 1953-04-13 p. 15, 19, 23 Posto Apinagés (Tocantinópolis) — servidores sem salários em 1952; depoimentos colhidos no posto pela Comissão de Inquérito; Cildo requisitou providências sobre terras (ofício 117/1952) análise
CM-0162 1953-04-17 p. 13, 21 servidores do Posto Apinagés (Tocantinópolis) com vencimentos atrasados de 1952; ofício nº 117 de 31/7/1952 sobre terras dos Apinayé entre os 27 documentos anexos análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0136_pagina_001.md e CM-0136_pagina_002.md (2 páginas) — [s.a.]. “Mappa que mostra a confluencia dos Rios Maranhão e Araguay”. Capitania de Goyaz, 1811. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0133_f.md — BENDIX, O. Localização dos Círculos Culturais em Grupos Linguísticos na América do Sul. [s.l.], 1940. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0159_pagina_001.md a CM-0159_pagina_021.md (21 páginas, source_md_only) — MEIRELES, Cildo Furtado Soares de. Defesa no Processo Administrativo SPI (Portaria 57/1952). Goiânia, 1953-04-13. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0162_pagina_001.md a CM-0162_pagina_022.md (22 páginas, source_md_only) — MEIRELES, Cildo Furtado Soares de. “DEFESA” — peça de defesa no Processo Administrativo (Portaria 57/1952). Goiânia, 1953-04-17. Acervo Cildo F. S. Meireles.