Peça teatral de William Shakespeare, citada por Moysés Westphalen na p007 da Representação de 1963 para dramatizar a espoliação territorial dos indígenas do Rio Grande do Sul. Westphalen introduz a citação explicitando a fonte: “o significado dramático do protesto de Shylock, do Mercador de Veneza, de Shakespeare, exclamando” (CM-0020, p007).
Os trechos citados são do discurso de Shylock — personagem judeu que tem seus bens confiscados — e da sequência em que Pórcia e Graciano comentam o perdão possível. Westphalen os usa como analogia para a situação dos indígenas espoliados:
“Não, tomai minha vida e tudo. Não perdoeis isso mais que o restante. / Apoderais-vos de minha casa quando me tirais o apoio que a sustém / me tirais a vida quando me privais dos meios de viver.” — (CM-0020, p007, atribuído a Shylock)
“Que perdão podeis conceder-lhes, António?” — (CM-0020, p007, atribuído a Pórcia)
“Uma corda grátis. Nada mais, em nome do céu.” — (CM-0020, p007, atribuído a Graciano)
A mobilização de Shakespeare é notável no corpus: revela formação humanística incomum entre os autores dos documentos do acervo e sugere que Westphalen destinava o documento a um leitor culto — o Procurador da República — a quem uma referência literária europeia funcionaria como argumento retórico de impacto.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0020 |
1963-09-24 | p007 | citada em analogia com a espoliação territorial dos indígenas; trechos de Shylock, Pórcia e Graciano; fonte explicitada no texto | análise |
CM-0020_pagina_001.md a CM-0020_pagina_008.md (8 páginas, source_md_only) — WESTPHALEN, Moysés. Representação ao Procurador da República contra abusos de autoridade e ilegalidades praticadas pelas autoridades estaduais do RS em prejuízo dos índios. Porto Alegre, 1963-09-24. Acervo Cildo F. S. Meireles.