Em 1910, o território da Craolândia — 99.000 hectares (66.000 alqueires geométricos) — foi “medidos e demarcados… com divisas naturais, e doada à tribo dos CRAÔS, pelo seu máximo benfeitor, Dr. PEDRO LUDOVICO” (CM-0037, p. 1). Pedro Ludovico Teixeira, interventor federal e depois governador de Goiás, foi o agente político dessa doação aos Krahô. A demarcação de 1910 constituiu o evento fundador do território Krahô e o primeiro ato jurídico de reconhecimento de suas terras pelo Estado brasileiro.
O contexto da demarcação — se foi precedida por conflitos fundiários, pressão de fazendeiros ou mobilização do SPI (fundado no mesmo ano de 1910) — não é fornecido pelo único documento do corpus que menciona o evento (CM-0037, p. 1). O autor da carta de 1961 trata a demarcação como fato histórico consolidado, citando-a para sublinhar a legitimidade do território Krahô diante do abandono administrativo.
O território de 99.000 hectares (66.000 alqueires geométricos) foi medido e demarcado com divisas naturais — rios, serras ou outros acidentes geográficos — e formalmente doado à tribo Krahô por Pedro Ludovico Teixeira, então Interventor Federal em Goiás (CM-0037, p. 1). O ato antecedeu em décadas a criação do Tocantins (1988); à época, a região pertencia a Goiás.
A demarcação de 1910 não garantiu proteção permanente. Em abril de 1961, cinquenta e um anos depois, a Craolândia era descrita em “abandono e miséria”, com suas quatro aldeias e duas fazendas de gado deterioradas pelas “últimas administrações” do SPI (CM-0037, p. 2). O território demarcado e doado fora, na prática, abandonado pelo órgão criado para protegê-lo.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0037 |
1961-04-07 | p. 1 | evento fundador — demarcação de 99.000 ha doados por Pedro Ludovico | análise |
CM-0037 - 0001_f.txt a CM-0037 - 0004_f.txt (4 páginas) — [provável] AQUIÃO, Tasso Villares de. Carta ao Diretor do SPI sobre a situação da Craolândia. Brasília, DF, 1961-04-07. Acervo Cildo F. S. Meireles.