Resumo

Localização da Colônia Terena do córrego Burity (formado pelo Cachoeirão, afluente do Aquidauana), sul de Mato Grosso. A presença Terena no Burity data do séc. XIX; a área foi palco de uma campanha de invasão fundiária documentada em Memorial de c. 1920-1928 (CM-0050). O Decreto 834/1928 formalizou 2.000 ha de reserva para os Terena na localidade. Em 1962, o SPI elegeu o Posto Indígena Buriti como sede do projeto-piloto de autodeterminação indígena com os Terena (CM-0038_f, p. 1).

Localização e contexto geográfico

O posto situava-se no município de Aquidauana, “no Sul de Mato Grosso” — região que em 1977 seria desmembrada para formar o estado de Mato Grosso do Sul. A localização exata do posto (coordenadas, distância da sede municipal, vias de acesso) não é informada pelo corpus.

Histórico documentado

Origem da Colônia Terena (séc. XIX — c. 1928)

Os Terena se estabeleceram no Burity antes da era do SPI. Trabalhadores migrantes das fazendas do sul do Estado, chegaram ao córrego Burity onde se juntaram a um grupo pré-existente chamado “uaxirys” (CM-0050, p. 3). Durante as “lutas civis” (final do séc. XIX), salvaram o gado do fazendeiro das Correntes, consolidando o topônimo “Invernada” para a área. Cultivavam roças, tinham casas e pomares e foram os construtores da única estrada de automóveis da região (CM-0050, p. 4-5).

Após a confirmação judicial das “sobras” da Fazenda das Correntes, especuladores fundiários — Agostinho Rondon, Porphirio de Britto e José de Souza — iniciaram campanha de intimidação e demarcação fraudulenta dentro das próprias aldeias. O Memorial que documenta o episódio (CM-0050, c. 1920-1928) propôs 2.200-2.600 ha para a Colônia. O Decreto 834 de 14 nov 1928 reservou 2.000 ha em Burity para os Terena (CM-0043, p. 15).

Projeto de autodeterminação (1962)

O PI Buriti foi anunciado em 30 de agosto de 1962 como sede de uma experiência inovadora do SPI: a transferência da administração comunitária aos próprios indígenas Terena. O projeto, idealizado pelo Diretor do SPI General Moacir Ribeiro Coelho e supervisionado localmente pelo Chefe da 1ª Inspetoria Regional José Fernando da Cruz, previa que “os índios assumirão a administração e o governo de si mesmos, nos trabalhos rurais da comunidade” (CM-0038_f, p. 1).

O posto contava com escola primária — “dirigida por duas esforçadas e jovens professoras” — que buscava “elevar tanto quanto possível a mentalidade das crianças sobretudo, e de forma geral, a de toda a comunidade indígena” (CM-0038_f, p. 1). O documento menciona “trabalhos rurais” e “atividades relativas à vida do campo” como eixo econômico da comunidade (CM-0038_f, p. 1).

Eventos

Pessoas associadas

Povos indígenas associados

  • Terena — população do posto, participantes do projeto-piloto de autodeterminação (CM-0038_f, p. 1)

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A pesquisar
Relação entre a reserva de 2.000 ha do Decreto 834/1928 e o PI Buriti criado posteriormente. As duas professoras mencionadas em 1962 — identificação, formação. O posto continuou ativo após a extinção do SPI? Situação atual da área (terra indígena demarcada?). Desfecho da pretensão de Agostinho Rondon.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0050 [c. 1920-1928] p. 3-6 origem da Colônia Terena; invasão fundiária; proposta de 2.200-2.600 ha análise
CM-0038_f 1962-08-30 p. 1 local do projeto-piloto de autodeterminação com os Terena análise
CM-0062 1953-09-15 p. 7 mencionado na Circular M/M-12 da I.R.5 (30/7/1953) análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0050_pagina_001.md a CM-0050_pagina_007.md (7 páginas, transcrição limpa) — [s.a.]. “Memorial sobre as terras do córrego ‘Burity'”. [s.l.], [c. 1920-1928]. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0038_f.txt — [s.a.]. “Autodeterminação — Os índios do Buriti”. [s.n.], Campo Grande, 1962-08-30. Acervo Cildo F. S. Meireles.