Resumo

Conceito formulado por Darcy Ribeiro (1957) para designar o tipo de frente de expansão da sociedade nacional sobre territórios indígenas cuja atividade econômica principal é extrativista — borracha, castanha, madeira —, distinguindo-se da frente agrícola (colonização) e da frente pastoril. O conceito é adotado e modificado por Roberto Décio de Las-Casas (1964) para analisar as relações interétnicas no vale do Rio Tapajós, onde a frente extrativa estava estagnada havia aproximadamente 40 anos (CM-0140, p. 4-5; CM-0144, p. 4-5).

Uso no corpus

O conceito aparece exclusivamente em dois exemplares do mesmo artigo: CM-0140 (exemplar com dedicatória manuscrita) e CM-0144 (cópia limpa).

Las-Casas descreve a frente extrativa do Tapajós como “estagnada”, com a produção de borracha nativa como atividade dominante (CM-0140, p. 11). A frente não avançava havia décadas nem recuava, o que produzia um padrão específico de contato: os seringueiros (nordestinos, na maioria) estabeleciam relações de “aviamento” com os ín dios, mas a pressão sobre as terras e os recursos se mantinha constante via endividamento e violência (CM-0144, p. 7-9).

A distinção operada por Las-Casas entre “frente extrativa” e “frente agrícola” é central para sua tese: enquanto a frente agrícola tende a expulsar ou eliminar os grupos indígenas pela pressão fundiária, a frente extrativa pode incorporá-los como mão de obra na extração da borracha, criando padrões de “integração” — termo que Las-Casas distingue de “assimilação” (perda de identidade cultural) e de “intervenção” (grupos sob ação do SPI) (CM-0140, p. 4-6; CM-0144, p. 4-6).

Modificações de Las-Casas ao modelo de Ribeiro

Las-Casas introduz três alterações ao modelo original de Darcy Ribeiro, adaptando-o ao caso específico do Tapajós:

  1. Estagnação da frente: diferentemente de outras frentes extrativas amazônicas em expansão, a do Tapajós estava estagnada havia ~40 anos, sem avanço sobre novas áreas nem recuo significativo (CM-0140, p. 5).
  2. Equilíbrio demográfico: a frente havia chegado a um equilíbrio entre os sexos pela vinda de famílias nordestinas e por uniões de “cristãos” com índias, diferindo do perfil predominantemente masculino de frentes em expansão (CM-0140, p. 5).
  3. Categoria “sob intervenção”: grupos sob ação de agências protecionistas (SPI, missões) não deveriam ser classificados como “integrados”, mas como “sob intervenção” — distinta tanto da “integração” (participação na estrutura social nacional) quanto da “assimilação” (perda de identidade cultural, processo geracional) (CM-0140, p. 5-6; CM-0144, p. 5-6).

Quem usa, com que sentido

Uso analítico

Uso teórico

  • Darcy Ribeiro — autor do conceito original em “Culturas e Línguas Indígenas no Brasil” (1957); referência teórica central do artigo de Las-Casas (CM-0140, p. 30, bibliografia).

Páginas relacionadas

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0140 1964-10 p. 3-5, 11, 29-30 conceito adotado e modificado por Las-Casas para o Tapajós análise
CM-0144 1964-10 p. 3-6 mesma aplicação do conceito, 2º exemplar análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0140_pagina_001.md a CM-0140_pagina_034.md (34 páginas, source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série Antropologia, N.º 25. Belém, out 1964. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0144_pagina_001.md a CM-0144_pagina_033.md (33 páginas, source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série Antropologia, N.º 25. Belém, out 1964. Acervo CFSM (2ª cópia).