Resumo

Sistema de endividamento e dependência econômica que estruturava toda a hierarquia do seringal amazônico. Em CM-0140, Las-Casas analisa o aviamento como mecanismo central das relações entre seringalista, comerciante intermediário, seringueiro e — crucialmente — os próprios postos do SPI e a Missão Franciscana no alto Tapajós (1959/60).

No sistema de aviamento, o seringalista financia (“avia”) os intermediários, que por sua vez aviam os seringueiros. O seringueiro produz borracha para pagar a dívida — que tendencialmente não é quitada. Las-Casas mostra que o SPI local, por falta de recursos e má preparação de pessoal, tendia a se inserir nesse sistema como “aviado” do seringal ou como “aviador” dos índios sob seu controle: um agente do Posto Kayabí “montou um sistema de aviamiento em relação aos Mundurukú” — violando o papel protecionista do SPI para funcionar como comerciante de extração (CM-0140, p. 12-13).

A estrutura do aviamento determinava, em última instância, quem podia ordenar uma expedição punitiva contra indígenas hostis: “só é realizada uma expedição punitiva quando o seringalista quer ou autoriza” (CM-0140, p. 28). O monopólio do Banco da Amazônia sobre a comercialização da borracha criava incentivos perversos adicionais — podendo levar o seringalista a exagerar ou minimizar conflitos com indígenas conforme a demanda de crédito ou moratória (CM-0140, p. 5, nota 1).

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0140 1964-10 p. 5, 12-13, 28-29 conceito central da análise econômica; captura SPI local e missão; determina quem ordena expedição punitiva análise
CM-0144 1964-10 p. 5, 12-13, 29 mesma análise; segunda cópia no acervo análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0140_pagina_005.md, CM-0140_pagina_012.md, CM-0140_pagina_013.md e CM-0140_pagina_028.md (source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, N.º 23. Belém, 1964-10.