Resumo

Criada no contexto do governo João Goulart para coordenar a política de reforma agrária, a SUPRA aparece no corpus em novembro de 1963 como a instituição que realizava um levantamento sobre a distribuição de propriedades de terra no Brasil — levantamento cujos dados incluíam, como parte das terras da União, as reservas indígenas do Maranhão (777.000 ha), da zona do Contestado (4.003 ha) e do Rio Grande do Sul (4.840 ha) (CM-0082, p. 1). A presença da SUPRA no acervo de Cildo F. S. Meireles situa o debate sobre terras indígenas dentro do quadro mais amplo da reforma agrária goulartista.

Atuação documentada

Em 11 de novembro de 1963, o Presidente da SUPRA, João Pinheiro Neto, declarou à imprensa que a instituição realizava levantamento sobre a distribuição de terras no Brasil. Os dados apresentados revelavam que as reservas indígenas representavam parcela significativa das terras da União: 777.000 ha em três reservas no Maranhão e outros dois lotes (“reservas de índios”) no Contestado e no RS. O argumento de Pinheiro Neto era político — demonstrar que o Governo Federal não era o “latifundiário” e que a concentração fundiária estava nas mãos de particulares (CM-0082, p. 1).

“Num levantamento que a SUPRA está realizando sobre o assunto, por determinação pessoal minha, constatamos que: 1.º) — o Governo Federal possui, apenas, 1 698 878 hectares; 2.º) — os particulares, enquanto isso, detêm a posse de 265 450 000 hectares. E, positivamente, uma flagrante desigualdade.” (CM-0082, p. 1, parágrafo 3)

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Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0082 1963-11-11 p. 1 instituição que realizava levantamento sobre distribuição de terras — dados incluem reservas indígenas análise
CM-0002 1963-12-05 p002 Delegado Regional da SUPRA em Porto Alegre era Dr. Eliseu Torres; posição institucional de “fato consumado” sobre a invasão de Nonoai em dezembro 1963 análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0082_pagina_001.md — [s.a.]. “Quem são os donos das terras do Brasil?” (declarações de João Pinheiro Neto). Última Hora, Rio de Janeiro, 1963-11-11. Acervo Cildo F. S. Meireles.