Município do Pará na margem esquerda do Rio Tocantins. O corpus o documenta em dois contextos de proteção indígena: como território Asurini — com conflito fundiário ativo pelo menos desde os anos 1950 — e como área de pedido de reserva para os Parakanã em 1961.
Uma ficha fundiária do SPI (CM-0117, p. 3) descreve a área Asurini como localizada “à margem esquerda do Rio Tocantins — entre 3 e 4º latitude Sul e 49 e 50º longitude Oeste”, delimitada pelos igarapés Piranheira (ao norte) e Trocará (ao sul), com 7,5 km de frente por 18 km de fundo. Os Asurini habitavam a região desde a década de 1920, com “uma grande aldeia no lugar chamado Cachoeira grande” dentro desses limites. Em 1951, o SPI iniciou operação de atração com Turma de Atração; em 1953, dois bandos foram atraídos e o Posto Indígena de Atração Trocará foi instalado definitivamente, passando a abrigar 60 índios permanentes, enquanto grupos “arredios ainda não pacificados” permaneciam nos fundos da área (CM-0117, p. 3).
A posse da área era disputada: “embora sem titulo definitivo”, pertencera ao “falecido Comandante Antonio Giordano“, passara para José Fernandes Pacheco e fora “negociada do mesmo modo” com José Thomaz Cantuária (Empresa Mineiro São Jorge, Rio de Janeiro). O SPI afirmava precisar garantir a posse “pelos meios legais”, invocando a permanência dos Asurini e as benfeitorias acumuladas (CM-0117, p. 3).
Em 1961, o SPI solicitou ao Governo do Pará a reserva de 300 km² para os 350 índios Parakanãs, dentro da faixa da Estrada de Ferro Tocantins (km 61-68), sob jurisdição do SPI pela Portaria nº 72/60 da Fundação Brasil Central (CM-0098, p. 1, 4).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0117 |
[c. 1953-1961] | p. 3 | terras Asurini (7,5 km × 18 km, Piranheira/Trocará); Posto Trocará (1953); conflito fundiário com Giordano/Pacheco/Cantuária | análise |
CM-0098 |
1961-06-05 | p. 1, p. 4 | 300 km² solicitados para os Parakanãs; Estrada de Ferro Tocantins km 61-68; Croquis nº 8 | análise |