Nascimento15/11/1915
Morte30/11/1997
Nacionalidadebrasileira

Resumo

Bernardo Élis (1915-1997) foi um escritor, jornalista e advogado goiano, membro da Academia Brasileira de Letras e uma das vozes centrais da literatura regionalista do Centro-Oeste. No corpus, aparece como colunista do jornal O Popular (Goiânia), onde publicou, em 1º de fevereiro de 1963, um artigo de denúncia do genocídio indígena no Brasil — com foco no massacre dos Krahô, na grilagem de terras Xerente e Xavante e no loteamento de territórios indígenas por governos estaduais (CM-0035, p. 2). Sua coluna é um documento raro de opinião pública qualificada sobre a questão indígena na imprensa goiana dos anos 1960, e sua confiança depositada em Francisco Meireles como chefe do SPI em Goiás é uma das poucas avaliações externas contemporâneas da atuação do órgão no estado.

Trajetória

Bernardo Élis nasceu em Corumbá de Goiás em 1915. Formou-se em Direito e exerceu o jornalismo em Goiânia, onde manteve coluna no jornal O Popular. Sua obra literária — contos e romances ambientados no mundo rural goiano, marcados por violência, miséria e tensão social — lhe valeu o Prêmio Jabuti e a eleição para a Academia Brasileira de Letras em 1975.

Atuação principal

O artigo de 1º de fevereiro de 1963 é uma peça de jornalismo de denúncia que mobiliza ironia, dados históricos e casos contemporâneos para desmontar o mito da “bondade” brasileira em relação aos indígenas. Élis acusa: “o que na verdade aconteceu foi que nós exterminamos piedosamente, generosamente, toda essa massa de silvícolas” (CM-0035, p. 2, parágrafo 5). Sua estimativa — de 35-48 milhões de indígenas em 1500 para 100 mil em 1963 — reflete o estado do debate demográfico da época.

O colunista demonstra conhecimento detalhado da situação indígena no Brasil Central: nomeia os povos sob ataque (Krahô, Xerente, Xavante, Tapirapé, Canela, Canoeiros), localiza os conflitos (Pedro Afonso, Tocantínia, Rio Vermelho, Xingu, Santa Tereza), identifica os mecanismos de esbulho (grilagem, loteamento por governos estaduais, campanhas de imprensa sensacionalistas) e propõe soluções (demarcação de terras, garantia de sossego, assistência material e moral — a doutrina do SPI).

Sua avaliação do SPI é ambivalente: reconhece que o órgão atua “com muito acerto e relativa eficiência desde sua fundação pelo grande Rondon”, mas seu apelo é “quase inútil” diante da magnitude da ofensiva anti-indígena (CM-0035, p. 2, parágrafo 13-14). A ressalva, porém, não atinge Francisco Meireles — nele, Élis deposita “justa confiança” e o descreve como “homem de valor” (CM-0035, p. 2, parágrafo 14).

Relações

  • Contemporâneos: Francisco Meireles — depositário da confiança de Élis como chefe do SPI em Goiás (CM-0035, p. 2, parágrafo 14)
  • Referências intelectuais: Cita ironicamente Gilberto Freyre como “mestre de Apipucos (lírico e açucarado sociólogo)” (CM-0035, p. 2, parágrafo 5)

Escritos e publicações

  • 1963 — Coluna de opinião em O Popular (Goiânia, 1963-02-01) — denúncia do genocídio indígena no Brasil Central (CM-0035)

Páginas relacionadas

A pesquisar
  • Se Bernardo Élis publicou outras colunas sobre a questão indígena n’O Popular ou em outros veículos.
  • Relação pessoal entre Élis e Francisco Meireles (ou Cildo F. S. Meireles) — a confiança depositada sugere conhecimento pessoal ou profissional.
  • Se a obra literária de Élis aborda a questão indígena.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0035 1963-02-01 p. 2 autor do documento — colunista d’O Popular análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0035 - 0001_f.txt a CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01, p. 2. Acervo Cildo F. S. Meireles.