Jornal diário de Goiânia, Goiás, fundado em 1938, ainda em circulação. Em sua edição de 1º de fevereiro de 1963, publicou coluna de opinião de Bernardo Élis — escritor goiano, futuro membro da Academia Brasileira de Letras — com denúncia contundente do genocídio indígena e da grilagem de terras contra os povos Krahô, Xerente, Xavante, Tapirapé e Canoeiros (CM-0035, p. 2). A edição trazia também caderno de esportes (p. 1) e anúncios comerciais (Goodyear, Brunswick), indicando um jornal de perfil generalista com cobertura local e espaço para opinião política.
O corpus preserva apenas a coluna de Bernardo Élis na edição de 1º de fevereiro de 1963, e a página de esportes da mesma edição. O artigo de Élis é um libelo contra a violência anti-indígena, articulando: (a) crítica ao mito da “bondade” brasileira, com referência irônica a Gilberto Freyre (“o mestre de Apipucos”); (b) dados demográficos do colapso populacional indígena (de 35-48 milhões em 1500 para 100 mil em 1963); (c) denúncia de uma “blitzkrieg” fundiária em Goiás e Mato Grosso; (d) apelo ao SPI e menção nominal a Francisco Meireles, chefe do órgão em Goiás (CM-0035, p. 2). O jornal funcionava, portanto, como plataforma para o debate público sobre a questão indígena no Centro-Oeste.
A edição de 1963-02-01 é o único exemplar de O Popular presente no corpus. A página 1 contém matérias esportivas (futebol goiano: Atlético, Santa Rita, Ferroviário, Ipiranga; basquete; sindicalização de atletas) e anúncios; a página 2 contém a coluna de Bernardo Élis. A presença do recorte no acervo de Cildo F. S. Meireles indica que o biografado colecionava ou tinha acesso a material de imprensa sobre a questão indígena em Goiás — coerente com sua atuação como indigenista na mesma região e período.
O corpus não documenta reações à coluna de Élis — cartas de leitores, réplicas, ou repercussão em outros veículos.
A coluna de Bernardo Élis em O Popular nomeia Francisco Meireles como chefe do SPI em Goiás e “pacificador dos Xavante” — a primeira aparição desse nome no corpus (CM-0035, p. 2). A relação entre Francisco Meireles e Cildo F. S. Meireles (o biografado) permanece a confirmar, mas a coincidência de sobrenome, área de atuação (indigenismo no Brasil Central) e presença do recorte no acervo pessoal de Cildo é altamente sugestiva de parentesco próximo.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | veículo de publicação — jornal de Goiânia | análise |
CM-0035 - 0001_f.txt e CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.