José Bonifácio de Andrada e Silva aparece no corpus como patrono ideológico do Serviço de Proteção aos Índios, invocado pelo Ofício Circular 253 de novembro de 1939 como “o Patriarca da Independencia do Brasil e excelso Patrono do nosso Serviço de Proteção aos Indios”. Sua máxima — “a Sã Politica ser filha da Moral e da Razão” — é citada como fundamento filosófico da política indigenista, mediada pela referência a Júlio de Castilhos como elo histórico entre o pensamento do fundador e a tradição do Rio Grande do Sul. A invocação não é incidental: o SPI, de inspiração positivista e rondoniana, adotara Bonifácio como ancestral ideológico de sua missão laica de proteção às populações indígenas (CM-0019_f, p. 1).
O Ofício Circular 253 do SPI (1939) transcreve o Capítulo V do Regulamento das Terras do Rio Grande do Sul e o enquadra numa linhagem que parte de Bonifácio, passa por Castilhos e chega à Constituição de 1937. A referência a Bonifácio como “Patrono” do SPI revela como o órgão se autointerpretava: não como burocracia nova do Estado Novo, mas como continuador de uma tradição humanista com raízes no século XVIII — reforçando a laicidade positivista contra os “expoliadores […] religiosos” mencionados no mesmo parágrafo (CM-0019_f, p. 1).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0019_f |
1939-11-06 | p. 1 | patrono ideológico do SPI; máxima citada como fundamento da política indigenista | análise |