Mulher indígena do povo Borôro, citada por Cândido Rondon em seu discurso do Dia do Índio (19/4/1944) como “heroína da pacificação dos indômitos Borôro do Rio São Lourenço.” Serviu como intérprete e guia do Alferes Antônio José Duarte na operação de “atração” dos Borôro. Morreu entre os índios Bacariri do Rio Teles Pires. Suas últimas palavras ao filho — “nunca confie nos brancos” — são citadas por Rondon como síntese da desconfiança histórica dos povos indígenas em relação à sociedade nacional (CM-0083, p. 10).
Rosa Borôro atuou como intérprete e guia na “atração” dos Borôro do Rio São Lourenço, conduzida pelo Alferes Antônio José Duarte. Na sua agonia, entre os Bacariri do Rio Teles Pires, transmitiu ao filho o que Rondon reproduziu como seu legado:
“Olha, meu filho, você nunca confie nos brancos (BRAIDES) êles só nos tratam bem, nos fazem festas, enquanto precisam de nós, ou têm qualquer interesse dependente de nós. Fora daí, êles são falsos e traidores.” (CM-0083, p. 10)
Rondon mobilizou essa parábola para ilustrar a percepção indígena da ambivalência do contato — e para justificar a política de contatos pacíficos do SPI como única forma de construir confiança genuína.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0083 |
1965-05 | p. 10 | intérprete/guia na “atração dos Borôro”; vítima; fala sobre desconfiança dos brancos citada por Rondon (1944) | análise |
CM-0083_pagina_001.md a CM-0083_pagina_013.md (13 páginas) — SPI/Seção de Divulgação. Boletim Interno do SPI Nº 1, Nova Fase. Brasília, 1965-05. Acervo Cildo F. S. Meireles.