Povo de família Karíb do Território Federal de Roraima, documentado no corpus como grupo que acolheu, junto com fazendeiros locais, as crianças Máku órfãs após o colapso demográfico de sua aldeia do furo Maracá. A transferência foi mediada pelo SPI: “Os órfãos (por intermédio do responsável pelo S.P.I.) foram criados, juntos aos Makuxí (Karíb), pelos moradores das fazendas Boa Esperança e Santa Rosa, passando consequentemente de uma economia de caça e coleta para uma de tipo pastoril” (CM-0141, p. 4). O documento registra também a presença histórica Makuxí no leste do vale do Uraricuera desde ao menos 1700. (CM-0141, p. 3)
O quadro de sobreviventes (p. 18) documenta as consequências do processo de integração: Conceição, 13 anos, nascida na Fazenda Boa Esperança, fala apenas Português; Avelino, 30 anos, “sobrinho de Sinfrônio e casado com Makuxi.” A nota sobre Conceição registra: “irmã de Sinfrônio e deixada do marido Makuxi” — indicando que cônjuges Makuxí eram parte da geração criada neste contexto. Os Makuxí são também mencionados como grupo com práticas funerárias distintas: não enterravam os mortos, ao contrário dos Máku (que os enterravam em redes dentro de cestas) e dos Xirianá (que os cremavam) (CM-0141, p. 5, nota 12).
CM-0142 acrescenta uma dimensão econômica ao papel dos Makuxí na região: os Xirianá do Uraricaá precisavam percorrer 150 milhas de canoa até os Makuxí para obter artefatos industriais — machados, facões, facas, panelas de alumínio — dados como presentes de casamento ao sogro: “para conseguir machados, facões, etc., o rapaz precisa construir uma canoa e remar 150 milhas rio abaixo para vendê-la aos índios Makuxí (Karíb) civilizados, em troca dos objetos dos homens brancos.” (CM-0142, p. 15). Os Makuxí são caracterizados como “mais agrícolas” em relação aos Xirianá semi-nômades, e como grupo Karíb (CM-0142, p. 3, 15). O contato dos Awáke com os Makuxí, anterior à chegada dos Xirianá à área Uraricaá/Parágua, é parte do contexto que explica a adoção de práticas agrícolas pelos Xirianá migrantes (CM-0142, p. 3).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0141 |
1965-03 | p. 3-4, 5 (nota 12), 18 | grupo receptor dos órfãos Máku; presença histórica no Uraricuera | análise |
CM-0142 |
1964-06-30 | p. 3, 15 | intermediários comerciais dos Xirianá; grupo Karíb “civilizado” na ótica do documento | análise |
CM-0141_pagina_001.md a CM-0141_pagina_019.md (19 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — MIGLIAZZA, Ernesto. “Fonologia Máku”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 25. Belém: MPEG/CNPq/INPA, março 1965. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0142_pagina_001.md a CM-0142_pagina_024.md (24 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — MIGLIAZZA, Ernesto. “Notas Sôbre a Organização Social dos Xiriâna do Rio Uraricaá”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 22. Belém: CNPq/INPA/MPEG, 30 jun. 1964. Acervo Cildo F. S. Meireles.