O massacre dos Krahô na região de Pedro Afonso (então Goiás, hoje Tocantins) é o episódio central da atuação indigenista de Cildo F. S. Meireles — que integraria a comissão de inquérito enviada para apurar o crime. O colunista Bernardo Élis, em 1963, descreve o episódio com precisão: “Sob a desculpa de que os Craô roubavam gado, alguns fazendeiros moveram uma verdadeira razia contra esses coitados, matando muitos deles. Foi preciso que o Governo Federal (então Getúlio Vargas) enviasse uma Comissão para apurar as responsabilidades e punir os culpados” (CM-0035, p. 2, parágrafo 3). O massacre insere-se no padrão de violência fundiária do Brasil Central — fazendeiros eliminando populações indígenas para expandir pastagens — que, duas décadas depois, ainda não cessara: em 1963, as terras Krahô estavam novamente invadidas “pelo lado do Rio Vermelho” (CM-0035, p. 2, parágrafo 8).
A região do Bico do Papagaio, norte de Goiás (hoje Tocantins), era território tradicional Krahô — povo do tronco Jê que ocupava a faixa entre os rios Tocantins e Araguaia. A expansão da pecuária na primeira metade do século XX empurrou fazendeiros para dentro das terras indígenas. O pretexto para o massacre foi a acusação de que os Krahô “roubavam gado” — justificativa recorrente em conflitos fundiários do período, documentada em outras regiões pelo próprio corpus (CM-0035, p. 2, parágrafo 3).
Os fazendeiros “moveram uma verdadeira razia” contra os Krahô, “matando muitos deles” (CM-0035, p. 2, parágrafo 3). O número exato de vítimas, a identidade dos perpetradores e a data precisa do massacre não são informados por Bernardo Élis, que pressupõe o episódio como de conhecimento público em Goiás na década de 1960. A gravidade do evento foi tamanha que demandou intervenção federal direta — o presidente Getúlio Vargas enviou uma comissão para “apurar as responsabilidades e punir os culpados” (CM-0035, p. 2, parágrafo 3).
O governo Getúlio Vargas enviou comissão para investigar o massacre. É este o contexto em que Cildo F. S. Meireles teria atuado — conforme indica a biografia do indigenista. A comissão investigou as circunstâncias do massacre, identificou responsáveis e propôs punições. O desfecho do inquérito e se houve condenações efetivas não são informados pelo artigo de Élis.
A solução adotada para o caso Krahô após o massacre foi a demarcação de suas terras — “a solução para o caso deles nada tem de complicada. É adotar o processo já levado a efeito entre os Craô; isto é, demarcação de suas terras e garantia de que ninguém os molestará ali” (CM-0035, p. 2, parágrafo 10). No entanto, a demarcação não garantiu sossego: em fevereiro de 1963, “as terras dos Craôs estão sendo invadidas pelo lado do Rio Vermelho, o que não poderá ser tolerado pelas autoridades brasileiras” (CM-0035, p. 2, parágrafo 10).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | episódio central — massacre por fazendeiros; comissão de inquérito de Getúlio Vargas | análise |
CM-0035 - 0001_f.txt a CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01, p. 2. Acervo Cildo F. S. Meireles.