José Maria da Gama Malcher foi Diretor do SPI de fevereiro de 1951 a abril de 1955, passando em seguida pela SPVEA como assessor técnico, antes de assumir o cargo de secretário-geral do CNPI em 1º de novembro de 1957 (CM-0149, p. 10). Enquanto na SPVEA, publicou “Tribus da Área Amazônica” (SPVEA / Setor de Coordenação e Divulgação, Belém, 1958), obra de referência sobre os povos indígenas da Amazônia brasileira, citada por Las-Casas para dados sobre Mundurukú, Apiaká e Tapayúna (CM-0140, p. 7, notas 4, 6, 11). Sua trajetória atravessa as três principais instituições indigenistas do período — SPI, SPVEA, CNPI — tornando-o figura articuladora do campo entre 1951 e 1958.
No corpus, aparece em carta pública ao jornal Última Hora (c. fevereiro de 1958) negando ter pleiteado retorno à direção do SPI, contestando o “inquérito-farsa” instaurado contra sua administração e se pronunciando sobre o caso do casamento da índia Diacuí com o sertanista Aires Cunha (CM-0149, p. 10).
Gama Malcher foi nomeado Diretor do SPI em fevereiro de 1951. Em carta de c. 1958, nega que a nomeação tenha sido favorecida por seu tio, Dr. José Malcher, que à época era “Presidente do Banco da Amazônia SA” — não governador nem interventor do Estado, como sugeriam os críticos (CM-0149, p. 10). Saiu do SPI voluntariamente em 19 de abril de 1955, acompanhando “com o maior interesse, o que vêm fazendo a favor e contra os índios as últimas administrações” (CM-0149, p. 10). Sua exoneração do cargo de confiança ocorreu quando “assumiu a pasta da Agricultura o atual Deputado Munhoz da Rocha” (CM-0149, p. 10).
Contra sua administração foi instaurado um “inquérito administrativo” que Gama Malcher denomina de “farsa” — “nesse pseudo inquérito não fui ouvido, nem dele tomei conhecimento oficialmente” (CM-0149, p. 10). O inquérito foi arquivado conforme publicação no Diário Oficial de 26 de agosto de 1955, à página 16.380 (CM-0149, p. 10). Para contestar as denúncias de “dois conhecidos peculatários do SPI”, requereu certidões e as encaminhou com uma exposição à Presidência do CNPI (CM-0149, p. 10). Também nega as informações sobre “Postos Indígenas fechados, aniquilamento de fazendas e outras coisas semelhantes” (CM-0149, p. 10).
Após sair do SPI, Gama Malcher foi “requisitado para trabalhar na SPVEA como assessor técnico” (CM-0149, p. 10). Durante esse período — ou em transição para o CNPI — publicou “Tribus da Área Amazônica” pela SPVEA em 1958, obra de sistematização dos povos indígenas da região amazônica.
Em 1º de novembro de 1957, Gama Malcher foi “designado para a função de secretário-geral do Conselho Nacional de Proteção aos Índios — onde estou até esta data” (CM-0149, p. 10). Nessa posição, votou contra o casamento da índia Diacuí com o sertanista Aires Cunha, junto com mais cinco dos seis Conselheiros do CNPI, “tendo tomado essa posição por respeito ao cargo que ocupa” (CM-0149, p. 10).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0149 |
[c. 1958] | p. 10 | sujeito principal (carta ao jornal Última Hora); trajetória SPI → SPVEA → CNPI | análise |
CM-0140 |
1964-10 | p. 7, notas 4 e 6 e 11, p. 30 | autor citado — “Tribus da Área Amazônica” (SPVEA, 1958); dados sobre Mundurukú, Apiaká e Tapayúna | análise |
CM-0144 |
1964-10 | p. 7, notas 4 e 6 e 11, p. 31 | mesma análise; segunda cópia no acervo | análise |
CM-0140_pagina_030.md (source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, N.º 23. Belém, 1964-10.