Data1811
Autor(a)[s.a.]
TipologiaMapa cartográfico com legenda

1. Sumário do documento

Mapa cartográfico de 1811 produzido por ordem de Fernando Delgado Freire de Castilho, Governador e Capitão General da Capitania de Goyaz, que representa a confluência dos rios Maranhão (Tocantins) e Araguaia. O documento delimita os “Certões” de seis grupos indígenas (“Gentio Chavante”, “Gentio Curumbareí”, “Gentio Gradahuí”, “Gentio Juridãohi”, “Gentio Apinagé”, “Gentio Canowio”) e propõe seis presídios militares numerados para “protejem a sua navegação”. Página 1 em branco. (CM-0136, p. 2)

2. Análise e descrição do documento

O documento é a transcrição textual de um mapa cartográfico inserido em coleção histórica identificada pelos números “H.C.A. N.º 2” e “L.G.C.A. N.º 3.º”. A página 1, aberta e verificada, está em branco — papel envelhecido sem texto visível. O conteúdo substantivo concentra-se integralmente na página 2, que transcreve os nomes geográficos, os rótulos dos territórios indígenas, os símbolos da legenda e as “Advertencias” explicativas (CM-0136, p. 2).

O mapa é um instrumento de planejamento colonial: foi “tirado por Ordem” do governador para mapear os pontos onde “se devem estabelecer os presidios que protejem a sua navegação” (p. 2). A lógica é explícita — os presídios existem para garantir o trânsito fluvial em território habitado por povos indígenas. A legenda numera seis fortins: N.º 1 em Manoel Alves Grande, N.º 2 na Mância, N.º 3 na Caxinge, N.º 4 na Taboca, N.º 5 no Rio do Pomo, N.º 6 na Enxada de S. Antonio (p. 2, Advertencias). Dois pontos de embarque adicionais são marcados: “PV Porto do Rio do Peixe em que se embarcaõ os effectos que navegam pelo Rio Araguaya, praticavel só em tempo d’aguas” e “AA Estrada que effectivamente se está abrindo para porto do Rio Grande praticavel em todo o tempo” (p. 2, Advertencias) — o que indica obras em andamento em 1811.

A nomenclatura indígena segue o padrão colonial invariável: todos os seis grupos são introduzidos pela palavra “Gentio”, seguida do etnônimo, e seus territórios são chamados de “Certão” (sertão). Esse par terminológico — “Certão do Gentio X” — é evidência do estatuto político que a administração colonial atribuía à presença indígena: território a ser administrado, não povo com direito reconhecido. Os seis grupos distribuem-se na bacia da confluência Araguaia/Tocantins, precisamente a região que o corpus documenta como epicentro da atuação de Cildo F. S. Meireles e do massacre dos Krahô 130 anos depois (CM-0136, p. 2).

O cartógrafo não é nomeado. A coleção cartográfica (H.C.A. / L.G.C.A.) à qual o mapa pertence não é identificada no documento; o número “N.º 2” sugere que havia ao menos outro mapa na série. A escala em léguas confirma o padrão colonial português. Elementos marginais do mapa — pontos vermelhos, símbolos de igreja e fortificação, números de quadrícula — não apresentaram texto adicional legível além dos nomes transcritos (p. 2, nota da transcrição MD).

3. Análise por entidade

Fernando Delgado Freire de Castilho — ordenante do mapa

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “tirado por Ordem do Illustrissimo e Excelentissimo Senhor Fernando Delgado Freire de Castilho Governador e Capitão General da Capitania de Goyaz no anno de 1811”
  • fatos detectados: Governador e Capitão General da Capitania de Goyaz em 1811; ordenou a produção do mapa cartográfico e a proposta de presídios militares ao longo dos rios Araguaia e Tocantins

Xavante — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Certão do Gentio Chavante”
  • fatos detectados: território mapeado como “Certão” na região da confluência Araguaia/Tocantins em 1811; designados “Gentio” em vocabulário colonial; grafia “Chavante” — variante já registrada
  • flags específicas: grafia colonial “Chavante” — mais antiga que as ocorrências anteriores no corpus

Apinayé — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Gentio Apinagé”
  • fatos detectados: localizado na região da confluência Araguaia/Tocantins em 1811; designados “Gentio”; sem qualificação de “Certão” no rótulo (diferença em relação aos demais grupos)
  • flags específicas: grafia “Apinagé” — nova variante colonial de 1811, anterior à grafia “APINAGES?” de Bendix (1940)

Canoeiros — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Gentio Canowio”
  • fatos detectados: localizado na região do Araguaia/Tocantins em 1811; designados “Gentio”; grafia “Canowio” é variante colonial da denominação
  • flags específicas: “Canowio” não estava registrado como variante — nova adição ao corpus

Curumbareí — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Certão do Gentio Curumbareí”
  • fatos detectados: território mapeado como “Certão” na região da confluência em 1811; designados “Gentio”; identidade étnica não estabelecida — denominação colonial sem correspondência documentada a grupo com etnônimo contemporâneo
  • flags específicas: entidade_ambigua — possível grupo extinto ou designação colonial de povo com outro nome atual

Gradahuí — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Certão do Gentio Gradahuí”
  • fatos detectados: território mapeado como “Certão” na região da confluência em 1811; designados “Gentio”; identidade étnica não estabelecida
  • flags específicas: entidade_ambigua — denominação colonial sem correspondência documentada; possível relação com Karajá, Javaé ou outro grupo da região [a pesquisar]

Juridãohi — grupo indígena mapeado

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Gentio Juridãohi”
  • fatos detectados: localizado na região da confluência em 1811; designados “Gentio” sem qualificação de “Certão” (diferença em relação a Chavante, Curumbareí e Gradahuí); identidade étnica não estabelecida
  • flags específicas: entidade_ambigua — denominação colonial sem correspondência documentada

Bico do Papagaio — região geográfica representada

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Mappa que mostra a confluencia dos Rios Maranhão e Araguay” (título — descreve a região do Bico do Papagaio)
  • p. 2: “Rio Tocantins” / “Rio Araguaya” (nomes dos rios que delimitam a região)
  • fatos detectados: o mapa representa a confluência dos rios Araguaia e Tocantins/Maranhão — região que o corpus denomina Bico do Papagaio; CM-0136 é o mais antigo documento do corpus a cartografar essa região
  • flags específicas: metadado_inferido — o termo “Bico do Papagaio” não aparece no texto de 1811; a denominação regional é posterior

Rio Tocantins — referência geográfica explícita

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Rio Tocantins”
  • p. 2: “Rio Maranhão” (denominação colonial do mesmo rio no trecho superior)
  • fatos detectados: nomeado no mapa de 1811; o “Rio Maranhão” mencionado no título e ao longo do mapa é o mesmo rio Tocantins em sua denominação colonial

Rio Araguaia — referência geográfica explícita

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Rio Araguaya” (no título e no corpo do mapa)
  • fatos detectados: nomeado como referência geográfica principal do mapa; grafia colonial “Araguay” / “Araguaya”

Villa Boa — capital colonial da Capitania de Goyaz

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Villa Boa”
  • fatos detectados: nomeada no mapa de 1811; capital da Capitania de Goiás na época

Capitania de Goyaz — jurisdição administrativa

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Governador e Capitão General da Capitania de Goyaz no anno de 1811”
  • fatos detectados: jurisdição administrativa que ordenou o mapeamento em 1811; governada por Fernando Delgado Freire de Castilho

Colonização militar — tema desenvolvido

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “os lugares onde se devem estabelecer os presidios que protejem a sua navegação”
  • p. 2, Advertencias: “A — Denota os presidios numerados segd. a sua necessidade. N. 1.º presidio de Manoel Alves Grande. N. 2.º de Mância. N.º 3.º da Caxinge. N.º 4.º da Taboca. N.º 5.º do Rio do Pomo. N.º 6.º da Enxada de S. Antonio.”
  • p. 2, Advertencias: “AA Estrada que effectivamente se está abrindo para porto do Rio Grande praticavel em todo o tempo para embarque dos ditos effectos.”
  • fatos detectados: o documento propõe seis presídios militares ao longo dos rios Araguaia e Tocantins com estratégia explícita de controlar a navegação colonial em território habitado por seis grupos indígenas; havia obras rodoviárias em curso em 1811

Gentio — vocabulário colonial

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Certão do Gentio Chavante”
  • p. 2: “Certão do Gentio Curumbareí”
  • p. 2: “Certão do Gentio Gradahuí”
  • p. 2: “Gentio Juridãohi”
  • p. 2: “Gentio Apinagé”
  • p. 2: “Gentio Canowio”
  • fatos detectados: “Gentio” é o termo colonial padronizado para povos indígenas; usado seis vezes no mapa para denominar todos os grupos sem distinção; associado ao topônimo “Certão” para os territórios de três dos seis grupos

4. Citações ambíguas / não atribuídas

  • p. 2: “PN Rio Garde? [ilegível]” — sigla “PN” não explicada nas Advertencias; “Porto Navegável” é hipótese plausível; palavra seguinte ilegível
  • p. 2: “Reg. d’Inhaçú” e “Reg. d’Inauy” — “Reg.” não expandido; “Registro” (posto fiscal/alfandegário colonial) é leitura plausível
  • p. 2: “Porte de embarque dos effectos dos A?xiraes vizinhos” — palavra cortada entre linhas; “Arraizes” (moradores locais) ou topônimo truncado; incerto
  • p. 2: “Cabo de Proa” — função/localização exata não explicada no documento

5. Notas de continuidade (multi-página)

Página 1: em branco (papel envelhecido sem texto visível) — verificada com Read antes de declarar vazia. Página 2: conteúdo integral da transcrição do mapa. Não há parágrafos cortados entre páginas; o mapa é autossuficiente na p. 2.

6. Notas do extractor

  • Flag source_md_only: apenas arquivos MD disponíveis; pinpoints pelo número embutido no nome do arquivo (pagina_001 → p. 1, pagina_002 → p. 2).
  • Página 1 aberta com Read antes de declarar vazia (conformidade com §9 P4).
  • A transcrição MD declara explicitamente que “observações marginais, números de quadrícula e pequenos topos apontados nas ilhas e margens do mapa com pontos vermelhos e pequenos símbolos de igreja e fortificação não apresentam texto adicional legível” — confirma que o mapa tinha elementos cartográficos não transcritos.
  • Elementos parcialmente ilegíveis: “PN Rio Garde? [ilegível]”, “Ar. de S. Joze do Cantaro?”, “Ar. d. S. João?”, “Ar. de L? Marques?”, “A?xiraes” — registrados no §4.
  • Metadados inferidos: local_producao (Capitania de Goyaz), veiculo (coleção H.C.A./L.G.C.A.), cartógrafo ([s.a.]).
  • Três passagens realizadas: P1 (identificação de povos, rios, proposta de presídios); P2 (detalhamento exaustivo de todas as menções); P3 (varredura focal: vocabulário colonial, grupos de identidade incerta, elementos periféricos da transcrição).