Grupo indígena da região Araguaia/Tocantins, em Goiás. No corpus, os Canoeiros aparecem em dois documentos: o mapa cartográfico de 1811 da Capitania de Goyaz, onde são grafados “Gentio Canowio” e localizados na confluência dos rios Araguaia e Tocantins (CM-0136, p. 2); e a coluna de Bernardo Élis de 1963, que critica uma matéria sensacionalista acusando-os de “assaltar fazendas para roubar” e interpreta a notícia como preparação de justificativa para violência (CM-0035, p. 2). A grafia “Canowio” de 1811 é a mais antiga do corpus para este povo.
O corpus situa os Canoeiros em dois momentos na mesma região: em 1811, como “Gentio Canowio” na confluência dos rios Araguaia e Tocantins (CM-0136, p. 2); em 1963, na “região entre Santa Tereza e Tocantins, (Goiás)” (CM-0035, p. 2). A continuidade geográfica entre os dois registros, separados por 152 anos, é notável. Não há dados sobre população, aldeias, organização social ou filiação linguística — a família linguística permanece [s.d.].
Além das fontes de 1963, os Canoeiros aparecem implicitamente na defesa administrativa de Cildo Meireles de abril de 1953 entre os “índios do Tocantins” listados como afetados pela crise de assistência imposta pela política de Malcher na IR-8 (CM-0162, p. 9). A menção é coletiva e não especifica ações da IR-8 voltadas exclusivamente aos Canoeiros — apenas que foram prejudicados pela “situação calamitosa” da gestão no período.
A única referência direta à relação com a sociedade não-indígena é a matéria sensacionalista da Folha de Goiás — que Bernardo Élis denuncia como instrumentalização da imprensa para justificar agressões (CM-0035, p. 2).
Nenhuma liderança Canoeiros é nomeada no corpus.
Não há relação direta documentada. A matéria da Folha de Goiás e a denúncia de Bernardo Élis situam-se no mesmo contexto (Goiás, 1963) em que Cildo F. S. Meireles atuava no SPI, e a região entre Santa Tereza e Tocantins está na área de jurisdição da inspetoria chefiada por Francisco Meireles.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0136 |
1811 | p. 2 | “Gentio Canowio” — localizado na confluência Araguaia/Tocantins; grafia colonial de 1811 | análise |
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | citados em matéria sensacionalista da Folha de Goiás (1963) | análise |
CM-0145 |
1949 | p. 37 | “Serviço de Atração dos Canoeiros” (IR8, Goiás) — campo de aviação de 1.000 m × 100 m em 1949 | análise |
CM-0155 |
[c. 1953] | p. 7 | “Canoeiro” — IR-8 Goiás; listados entre povos “infelizes com os seus ‘protetores'” | análise |
CM-0150 |
1972 | p. 67-71 | “Avá-Canoeiro”; atração por Israel Praxedes Batista (ago/1971); Goiás (rios Formoso, Araguaia, Tocantins); “Cara-Preta” (apelido regional); ~50 mil alqueires de território; artefatos de metal; possível domínio do português; hipótese Zarur/Rivet: descendentes de Tupi/Avá ou Carijós; aldeia com 9 casas localizadas | análise |
CM-0162 |
1953-04-17 | p. 9 | mencionados na lista dos povos da IR-8 afetados pela crise de assistência imposta por Malcher (“índios do Tocantins”) | análise |
CM-0136_pagina_001.md e CM-0136_pagina_002.md (2 páginas) — [s.a.]. “Mappa que mostra a confluencia dos Rios Maranhão e Araguay”. Capitania de Goyaz, 1811. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0035_f.txt e CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0162_pagina_001.md a CM-0162_pagina_022.md (22 páginas, source_md_only) — MEIRELES, Cildo Furtado Soares de. “DEFESA” — peça de defesa no Processo Administrativo (Portaria 57/1952). Goiânia, 1953-04-17. Acervo Cildo F. S. Meireles.