Conceito central da escola histórico-cultural alemã (Kulturkreise — Graebner, Schmidt, Ankermann), os “círculos culturais” propõem que traços culturais se difundem a partir de centros de origem e se organizam em conjuntos coerentes distribuídos geograficamente. No corpus, o conceito aparece no mapa etnográfico de O. Bendix (1940), que o aplica à América do Sul classificando os povos indígenas em cinco círculos culturais e 13 famílias linguísticas. (CM-0133, p. 1)
O mapa CM-0133 estrutura toda a sua classificação em torno de cinco círculos culturais:
Os povos indígenas brasileiros aparecem classificados da seguinte forma no mapa:
– Bororo: grupo 12 (“Tribos Primitivas Isoladas”) — posição de radical alteridade no esquema
– Kaiapó: grupo 5 (“Gês e Puri-Coroados”)
– Canela/Canaella: grupo 5 (“Gês e Puri-Coroados”)
– Guarani: grupo 6 (“Tupi-Guarani”)
A data de 1940 situa o mapa no apogeu tardio da escola Kulturkreise, que havia sido hegemônica nas décadas de 1910-1930 e estava então sendo desafiada pelo funcionalismo britânico e pelo culturalismo norte-americano. O fato de um cartógrafo (não um etnólogo de carreira) empregar esse referencial sugere que, em 1940, os círculos culturais ainda eram o vocabulário padrão para mapas etnográficos de divulgação ou uso institucional.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0133 |
1940 | p. 1 | conceito estruturante do mapa — 5 círculos culturais aplicados à América do Sul | análise |