Povo indígena do tronco Jê, habitante do Maranhão. No corpus, os Canela são mencionados uma única vez, na coluna de Bernardo Élis (O Popular, 1963), mas a menção é substantiva: Élis evoca o “massacre dos Canela, ocorridos no Maranhão ai por volta de 1913” como precedente do padrão de violência que, em sua análise, se repetia contra os povos indígenas do Brasil Central em 1963 (CM-0035, p. 2).
O corpus não documenta dados sobre território, aldeias ou organização social dos Canela. A única referência geográfica é o estado do Maranhão como local do massacre de ~1913 (CM-0035, p. 2).
Nenhum contato com o indigenismo oficial é documentado no corpus. O massacre de 1913 antecede a criação do SPI (fundado em 1910), mas não há registro de que o órgão tenha atuado no episódio.
Massacre dos Canela (~1913): Bernardo Élis descreve o episódio como “luta desigual e terrível”, afirmando que “está na memória de todos” (CM-0035, p. 2). O massacre ocorreu no Maranhão e era de conhecimento público na época. O colunista o evoca como prova de que a violência contra indígenas não era fato novo em 1963, mas parte de um padrão histórico contínuo. Não são nomeados perpetradores, vítimas específicas ou o número de mortos.
Massacre da aldeia Chinela por Raimundo Arruda (data não especificada): O poemeto “UTURÔ de Olímpio Cruz (São Luiz/MA, 1946), citado por Cildo Meireles no memorial de 1949 (Anexo 1), descreve o massacre da aldeia Chinela pelos Canela: Raimundo Arruda e seus vaqueiros mataram “trezentas vidas / dos habitantes da planície bela” — “criancinhas, pobres cegos, doentes e velhinhas” foram assassinados. O poemeto chama Arruda de “um dos mais renomados fratricidas”. A nota ao poema identifica: “A aldeia da Chinela era de índios Canelas, irmãos colaterais dos Craôs, descendentes dos TIMBIRAS” (CM-0153, p. 19). Este é o registro mais específico de violência contra os Canela no corpus: 300 vítimas, perpetrador nomeado, aldeia identificada.
Nenhuma liderança Canela é nomeada no corpus.
Não há relação direta documentada. O massacre de 1913 é anterior à atuação conhecida de Cildo F. S. Meireles, mas pertence ao mesmo padrão de violência contra povos indígenas que ele investigaria décadas depois no caso dos Krahô.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0153 |
1949-01-17 | p. 19 | massacre da aldeia Chinela por Raimundo Arruda; 300 vítimas; “irmãos colaterais dos Craôs, descendentes dos TIMBIRAS” | análise |
CM-0163 |
1949-01-17 | p. 20 | “irmãos colaterais dos Craos, descendentes dos TIMIRRAS” (literal, nota do Anexo 1); massacre da Aldeia da Chinela por Raimundo Arruda; poema de Olímpio Cruz (1916) documenta o massacre | análise |
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | vítimas de massacre (~1913) | análise |
CM-0133 |
1940 | p. 1 | possivelmente nomeados (“CANAELLA-5”) — grupo 5 (Gês e Puri-Coroados); flag entidade_ambigua | análise |
CM-0155 |
[c. 1953] | p. 10 | “Canela do Maranhão” — listados entre indígenas que viajam à capital para reclamações ao SPI | análise |
CM-0150 |
1972 | p. 33-36, 63 | 430 Canela; cacique Pedro Gregório; terras demarcadas; Posto Modelo da 6.ª DR | análise |
CM-0153 - MEMORIAL_pagina_001.md a CM-0153 - MEMORIAL_pagina_023.md (23 páginas) — MEIRELES, Cildo. Memorial sobre a situação jurídica das terras da Craolândia. Curitiba, 1949-01-17. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0035_f.txt e CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.