Entre 1941 e 1956, grupos Kayapó realizaram incursões no vale do alto Rio Tapajós — especialmente no Rio Jamaxim — em conflito com a população extrativista do seringal. As primeiras mortes documentadas por Las-Casas ocorreram em 1946 (CM-0140, p. 23).
O deslocamento Kayapó para o oeste era causado por “conflitos intragrupais e a pressão de habitantes brasileiros do Xingu” (CM-0140, p. 19). Coincidiu com a “batalha da borracha” da II Guerra Mundial — contexto que havia intensificado a atividade do seringal.
Os Kayapó apareciam em vários pontos simultaneamente, bloqueando estradas de seringueiro com cipós, roubando alimentos e munições — mas evitando matar quando não atacados. Las-Casas registra: “Deles não partia agressão, pelo menos nos casos que registrei. Se atacados matavam, matavam o agressor ou sua família. Estendiam o terror à vizinhança, porém, não generalizavam a luta” (CM-0140, p. 24). O seringal sofreu: “eliminação física de seringueiros”, “destruição em vasta área de todo o sistema de aviamento”, “impedimento da exploração de cerca de 1/3 dos recursos do seringal” (CM-0140, p. 20).
O informante principal — um sócio da firma seringalista — afirmou que “cerca de 100 seringueiros teriam sido mortos por índios”, mas ao ser confrontado só conseguiu nomear “quatro ou cinco chefes de família mortos” (CM-0140, p. 20). A carga emocional dos depoimentos era elevada; Las-Casas adverte sobre a dificuldade de “um documentário objetivo dos incidentes narrados” (CM-0140, p. 20).
Quando os Kayapó “realizaram uma sortida mais audaciosa” aos armazéns da firma, o seringalista agiu: “Os índios que realizaram o furto, nunca mais foram vistos vivos e a mercadoria furtada voltou para suas prateleiras.” Três executores são nomeados pelo primeiro nome: Carlos, Augusto e Pedro (CM-0140, p. 25). O SPI, inativo durante todo o conflito, realizou um inquérito após os fatos mas “nada fez para punir os indigítados culpados” (CM-0140, p. 25).
Las-Casas sintetiza: “a própria configuração da sociedade nacional na área é que impõe a política de expedições punitivas e a sua modificação será a única forma de impedir a continuidade do sistema de depopulação dos grupos tribais” (CM-0140, p. 29).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0140 |
1964-10 | p. 19-29 | evento central analisado; duração 1941-1956; primeiras mortes 1946; expedição punitiva; inquérito SPI sem punição | análise |
CM-0144 |
1964-10 | p. 20-29 | mesma análise; segunda cópia física no acervo; pinpoints deslocados por 1 pág. em relação a CM-0140 | análise |
CM-0140_pagina_019.md a CM-0140_pagina_029.md (source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. “Índios e Brasileiros no Vale do Rio Tapajós”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, N.º 23. Belém, 1964-10.CM-0144_pagina_020.md a CM-0144_pagina_029.md (source_md_only) — LAS-CASAS, Roberto Décio de. Idem. [Segunda cópia.]