Resumo

Instituição museológica ligada à FUNAI, fundada em abril de 1953 na Rua Mata Machado nº 127, bairro Maracanã, Guanabara. Em 1972 reunia acervo de cerca de 12.000 peças de variada procedência tribal. O corpus o documenta pelo Boletim Informativo FUNAI nº 5 (IV Trimestre 1972), com artigo da museóloga Marília Duarte Nunes sobre as coleções e história do acervo. (CM-0150, p. 60-63)

Origem e história

O Museu do Índio foi fundado em abril de 1953. Sua origem está ligada à Secção Etnográfica do SPI: “A partir de 1942, com a reabertura da Secção Etnográfica do extinto Serviço de Proteção aos Índios, é que data a entrada de novas coleções indígenas para o Museu do Índio” (CM-0150, p. 63). Entre as peças mais antigas do acervo estão “um arco cerimonial e dois diademas Borôro (S. Lourenço-Mato Grosso) trazidos pela equipe etnográfica, então orientada pelo próprio Marechal Rondon” (CM-0150, p. 63).

Coleções em destaque (1972)

  • Urubú-Kaapor (1950): coleção plumária coletada em 1950, considerada a mais preciosa coleção de arte plumária do acervo, além de cerâmica Kadiwéu de motivos geométricos (CM-0150, p. 63)
  • Rankõkãmekra/Canela: ~1.500 peças coletadas por R. Tamara e pelo antropólogo William Crockeer (Smithsonian Institution), que dedicou 12 anos ao estudo desse grupo Timbira de língua Jê (CM-0150, p. 63)
  • Xingu: coleção formada “através da colaboração dos irmãos Villas Boas e da equipe etnográfica”: panelas zoomorfas Waurá, plumária, colares de conchas e caramujos, máscaras e instrumentos musicais dos Kamayurá, Mehinako, Kalapalo, Kuikuro e Trumai (CM-0150, p. 63)
  • Baniwa: coleção de cerâmica coletada por Eduardo Galvão na área amazônica (CM-0150, p. 63)
  • Terena: cerâmica coletada por Roberto Cardoso de Oliveira (CM-0150, p. 63)
  • Transamazônica (recentes): primeiros artefatos dos grupos isolados Parakanã, Kararaô, Waimiri-Atroari e “um grupo possivelmente Assurini”, contactados pelas frentes da Transamazônica (CM-0150, p. 63)

Missão e atividades

O Museu é descrito como “um museu contra o preconceito”, voltado para “a compreensão humana do índio” — colocando em destaque as semelhanças entre índios e não-índios, não as diferenças. Mantinha exposições permanente (trocada a cada 3 anos; tema em 1972: “Áreas Culturais Indígenas”), temporária e itinerante (6 vitrines-valises circulando em colégios e instituições). Desenvolvia curso de extensão universitária em Antropologia e Museologia, sessões cinematográficas e estágios (CM-0150, p. 60-62).

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0150 1972 p. 39, 48, 60-63 sujeito principal (artigo sobre acervo); origem ligada ao SPI e Rondon; coleções detalhadas por Marília Duarte Nunes análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0150_pagina_060.md a CM-0150_pagina_063.md — Boletim Informativo FUNAI, Ano II, Nº 5. Brasília: FUNAI/ARP, IV Trimestre 1972. Acervo CFSM.