D. Francisco de Aquino Corrêa, Bispo de Prusiade, Presidente do Estado de Mato Grosso, sancionou a Resolução nº 761 em 26 de junho de 1918 — o ato mais ambicioso de reserva de terras indígenas do período, autorizando o Poder Executivo a reservar até 200.000 hectares: seis glebas de 25.000 ha cada nas adjacências das estações telegráficas de Nhambiquaras, Vilhena e José Bonifácio e das colônias mantidas pela Missão Salesiana (Sagrado Coração, São José e Imaculada Conceição), mais 50.000 ha entre os rios Paranatinga e Xingu (CM-0043, p. 9-10). A resolução também aprovou o Ato nº 426 de 1894 (Tarigara), determinando sua medição e demarcação (CM-0043, p. 9).
A assinatura do bispo-presidente articula dois universos: a política estadual e a presença missionária católica junto aos povos indígenas. A Resolução nº 761 vincula explicitamente as reservas às colônias salesianas — as “Missões Salesianas” aparecem como contraparte fundiária, sendo as terras destinadas aos Bororo nelas aldeados (CM-0043, p. 9). O título episcopal (“Bispo de Prusiade”, sé titular in partibus infidelium) e o cargo de presidente do estado situam D. Francisco como figura de trânsito entre Igreja e administração republicana.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0043 |
1937 | p. 2, 9-10 | sancionador da Resolução nº 761 (1918) — religioso, autoridade, bispo | análise |
CM-0043 - 0001_f.txt a CM-0043 - 0016_f.txt (16 páginas) — 6ª Inspetoria Regional do SPI. Relação dos atos oficiais reservando terras para os índios de Mato Grosso. Cuiabá, 1937. Acervo Cildo F. S. Meireles.