Povo Karíb documentado no corpus pelo artigo de Galvão e Simões (1965) como o exemplo mais detalhado de depopulação indígena no Alto Xingu entre o fim do século XIX e meados do século XX. Karl von den Steinen encontrou quatro aldeias Bakairí no Culiseiu em 1887; doze anos depois Meyer registrava apenas duas, “em completa decadência”, prevendo que “não demorará muito para o último índio bacairi do Kulisheu ter desaparecido” (CM-0139, p. 19). Em 1949, Pedro E. de Lima confirmou: todo o Culiseiu estava despovoado, restando 144 Bakairí “bastante aculturados” no Posto Indígena Simões Lopes, no rio Paranatinga (CM-0139, p. 19).
Os Bakairí se dividiam em dois grupos: os de leste (“xinguanos” ou “selvagens”), com oito aldeias nos rios Batovi e Culiseiu; e os de oeste (“mansos”), com dois aldeamentos nos rios Nôvo e Paranatinga (CM-0139, p. 18). Na análise de Steinen (1940), os Bakairí de leste eram parte da “faixa Karíb” que compreendia também os Nahuquá e os Yarumá (CM-0139, p. 18-21).
A transferência dos remanescentes Bakairí do Culiseiu para o Posto Indígena Simões Lopes, no rio Paranatinga, é documentada por múltiplas fontes citadas por Galvão e Simões: Noronha (1952), Hintermann (1925), Schmidt (1942) e Petrullo (1932) (CM-0139, p. 19). Em 1949, Lima descreveu os Bakairí do Culiseiu como uma memória: “Os Bakairí que há 70 anos habitavam a parte encachoeirada do rio, foram se deslocando para as cabeceiras e hoje constituem uma população de 144 índios bastante aculturados e que vivem no Pôsto Indígena Simões Lopes” (CM-0139, p. 19).
O documento não menciona Cildo F. S. Meireles em relação aos Bakairí.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0139 |
1965-02 | p. 18-19, 21 | exemplo central de depopulação Karíb no Alto Xingu | análise |
CM-0139_pagina_001.md a CM-0139_pagina_055.md (55 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — GALVÃO, Eduardo; SIMÕES, Mário F. “Notícia Sôbre os Índios Txikão — Alto Xingu”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nova Série, Antropologia N.º 24. Belém: INPA/CNPq, fevereiro 1965. Acervo Cildo F. S. Meireles.