Resumo

Jornal goiano, possivelmente de Goiânia, criticado por Bernardo Élis em sua coluna de 1º de fevereiro de 1963 no jornal O Popular por publicar matéria sensacionalista contra os Canoeiros. A matéria, veiculada em 29 de janeiro de 1963, trazia “como cabeçalho, de última página, uma notícia com todos os característicos de sensacionalismo, na qual se diz que os ‘Canoeiros’, da região entre Santa Tereza e Tocantins, (Goiás) estão assaltando fazendas para roubar” (CM-0035, p. 2). Élis interpreta a publicação como parte da estratégia de justificar a violência contra indígenas — produzir na opinião pública a imagem de indígenas como ameaça para legitimar ações de grileiros e fazendeiros.

Conteúdo e argumento

O corpus não preserva a matéria original da Folha de Goiás — apenas a crítica de Bernardo Élis a ela. Segundo Élis, a notícia era sensacionalista e contribuía para o clima de hostilidade contra os Canoeiros, povo indígena da região entre Santa Tereza e Tocantins, em Goiás. A acusação de que os Canoeiros “assaltavam fazendas para roubar” ecoa o mesmo argumento usado contra os Krahô na região de Pedro Afonso — “sob a desculpa de que os Craô roubavam gado, alguns fazendeiros moveram uma verdadeira razia contra esses coitados” (CM-0035, p. 2). A criminalização pela imprensa era, na leitura de Élis, o prelúdio da violência física.

Como aparece no corpus

A Folha de Goiás é mencionada uma única vez no corpus — na coluna de Bernardo Élis (CM-0035, p. 2). A data da matéria criticada (29 de janeiro de 1963) situa sua publicação três dias antes da coluna de Élis, sugerindo que o escritor goiano monitorava a cobertura jornalística sobre indígenas e reagia rapidamente a narrativas que considerava perigosas.

Recepção

Não documentada no corpus. Não se sabe se a Folha de Goiás respondeu à crítica de Élis ou se publicou outras matérias sobre indígenas.

Relação com Cildo F. S. Meireles

A presença do recorte de O Popular com a crítica à Folha de Goiás no acervo de Cildo F. S. Meireles indica seu interesse pelo debate público sobre a questão indígena em Goiás. A Folha de Goiás representa o polo oposto na imprensa goiana: enquanto O Popular publicava denúncias de Bernardo Élis em defesa dos indígenas, a Folha de Goiás publicava matérias que criminalizavam os Canoeiros e, na visão de Élis, preparavam a opinião pública para a violência.

Páginas relacionadas

A pesquisar
Exemplares da Folha de Goiás de janeiro-fevereiro de 1963, especialmente a matéria de 29/01/1963 sobre os Canoeiros. Ano de fundação, tiragem e perfil editorial do jornal. Se publicou outras matérias sobre a questão indígena no período.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0035 1963-02-01 p. 2 jornal citado criticamente por publicar matéria sensacionalista contra Canoeiros em 29/01/1963 análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0035 - 0002_f.txt — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.