O corpus documenta, por meio do atlas da Comissão Rondon de 1919, a disputa de limites entre Mato Grosso e Goiás — questão enraizada no período colonial e ainda não resolvida no início do século XX. O documento reproduz dez mapas históricos (c. colonial — 1912) para demonstrar que o limite natural e historicamente reconhecido segue pelo Rio Araguaia (norte) e pelo Rio Aporé ou do Peixe (sul), contra a pretensão goiana baseada no “ato de acessão” de Luiz Pinto de Souza, declarado “nulo e irrito” pela argumentação mattogrossense (CM-0151, p. 3, 4).
O atlas de 1919 é o documento central do tema. O argumento mattogrossense tem três pilares: (1) o erro geográfico que viciou o “ato de acessão” — a suposição falsa de que o Rio das Mortes corria para o norte contravertendo com o Taquari (CM-0151, p. 3); (2) a autoridade acumulada de geógrafos consagrados (Cândido Mendes, Pimenta Bueno, Theodoro Sampaio, Barão Homem de Mello) que adotaram o limite pelo Araguaia e Aporé (CM-0151, p. 7-12); e (3) a ocupação mattogrossense ininterrupta da margem esquerda do Araguaia desde o período colonial, documentada pelo mapa de 1802 de Caetano Pinto de Miranda Montenegro (CM-0151, p. 5).
A carta de Joaquim R. de Moraes Jardim (1875), única favorável à posição goiana, foi incluída no atlas com texto que a invalida: seu fundamento parlamentar foi bloqueado pelo deputado Paranhos do Rio Branco (CM-0151, p. 11).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0151 |
1919 | passim | tema central do atlas: disputa de limites entre Mato Grosso e Goiás; argumento cartográfico-jurídico contra o “ato de acessão” colonial de Luiz Pinto de Souza | análise |
CM-0151_pagina_001.md a CM-0151_pagina_012.md (12 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — Delegação do Estado de Mato Grosso ao 6º Congresso Brasileiro de Geografia. Conferência de Limites Interestaduais — Limites entre Matto Grosso e Goyaz (Atlas). Rio de Janeiro: Imprensa Militar, 1919. Acervo Cildo F. S. Meireles.