Resumo

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) é a instituição que sucedeu o Serviço de Proteção aos Índios após sua extinção em 1967, tornando-se o órgão estatal responsável pela política indigenista brasileira. No corpus, a FUNAI aparece pelo Boletim Informativo Nº 5 (IV Trimestre de 1972), publicação trimestral de sua Assessoria de Relações Públicas, que documenta a atuação do órgão durante a ditadura militar sob a presidência do General Oscar Jeronymo Bandeira de Mello (CM-0150, p. 2).

Estrutura e liderança em 1972

O expediente do Boletim Informativo nº 5 registra a estrutura de liderança da FUNAI no IV Trimestre de 1972:

  • Presidente: General Oscar Jeronymo Bandeira de Mello
  • Chefe do Gabinete: José de Aguiar
  • Superintendente Administrativo e Coordenador da Amazônia: Ismarth de Araújo Oliveira
  • Procurador Geral: Romildo Carvalho
  • Assessor Chefe de Relações Públicas: Afonso Ligório Pires de Carvalho
  • Chefe da Assessoria Técnica: Gelcimar Soares dos Santos
  • Diretor do DGA: Isnard de Albuquerque Câmara
  • Diretor do DGPC: Demócrito Soares de Oliveira
  • Diretor do DGO: Amaury Sadock de Freitas Filho
  • Diretor do DGPI: Clodomiro Fortes Flôres
  • Chefe da Assessoria de Segurança e Informações: João Bezerra de Mello (CM-0150, p. 2)

A Coordenação da Amazônia (COAMA), criada pelo presidente da FUNAI e chefiada por Ismarth de Araújo Oliveira, absorveu a antiga Coordenação Geral da Transamazônica e passou a coordenar as atividades de atração nos estados do Pará, Amazonas, Acre, Mato Grosso e nos Territórios de Rondônia e Roraima (CM-0150, p. 10-11).

Política indigenista e ideologia da “integração”

O discurso oficial da FUNAI em 1972 — reproduzido no editorial de O Globo (21/11/72) incorporado ao boletim — centra-se no conceito de “integração” do índio à sociedade nacional, descrita como “fatalidade histórica” e “obra patriótica”. O presidente Bandeira de Mello formulou: “Por que impedir o índio de ter acesso à sociedade?”. A FUNAI apresentava a “aculturação gradual e harmoniosa” como alternativa tanto ao isolamento (“converter os índios em peças de um museu vivo”) quanto à imposição abrupta de novos padrões culturais (CM-0150, p. 5, 31).

Relação com o SPI e a genealogia do indigenismo

O boletim registra a continuidade institucional entre FUNAI e SPI através do artigo sobre o Museu do Índio: “A partir de 1942, com a reabertura da Secção Etnográfica do extinto Serviço de Proteção aos Índios, é que data a entrada de novas coleções indígenas para o Museu do Índio” (CM-0150, p. 63). O legado de Marechal Rondon e dos irmãos Villas Boas é mobilizado como legitimação histórica da FUNAI.

Operações em andamento em 1972

O boletim documenta quatro operações de destaque:

  1. Perimetral Norte: Projeto de apoio à construção da Rodovia Perimetral Norte, prevista para julho de 1973. Estimativa de 20 mil índios isolados em ~52 tribos (Tiriyó/Karib, Yanomami/Xiriána, Marubo/Pano) na faixa de influência da rodovia (CM-0150, p. 7-12).
  2. Kreen-Akarore: Operação dos irmãos Villas Boas iniciada em 1968 (reiniciada 1971) — primeiro contato pessoal realizado enquanto o boletim estava no prelo (CM-0150, p. 50-57).
  3. Operação Suruí: Equipe Volante de Saúde debelou surto de sarampo às margens do Rio Saroró (Porto Velho), sem vítimas fatais (CM-0150, p. 13-15).
  4. Avá-Canoeiro: Sertanista Israel Praxedes Batista reiniciou atração em Goiás (agosto 1971) com auxílio do índio Parecí José Aucê (CM-0150, p. 67-71).

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0150 1972 passim sujeito principal / instituição autora análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0150_pagina_001.md a CM-0150_pagina_076.md (76 páginas, transcrição limpa — sem TXT) — Boletim Informativo FUNAI, Ano II, Nº 5. Brasília: FUNAI/ARP, IV Trimestre 1972. Editora Gráfica Alvorada Ltda. Acervo CFSM.