Resumo

Guarita é um município no noroeste do Rio Grande do Sul que abriga uma reserva Kaingang. No corpus, aparece da mesma forma que Cacique Doble: como área incluída no Projeto de Lei 104/6 sobre loteamento de terras, discutido na Assembleia Legislativa gaúcha (CM-0004, p001); e como uma das quatro reservas Kaingang estudadas por Francisco M. Salzano no artigo “Micro-evolução em populações de indígenas Rio-grandenses” (CM-0008, p003).

Localização e contexto geográfico

Guarita localiza-se na região do Alto Uruguai, noroeste do Rio Grande do Sul, próximo a Nonoai, Cacique Doble e Tenente Portela. O município integra a região de colonização do norte gaúcho, onde a pressão sobre as terras indígenas foi particularmente intensa entre as décadas de 1940 e 1960.

Histórico documentado

PL 104/6 (c. 1963-1964)

Assim como Cacique Doble e Nonoai, Guarita foi incluída no PL 104/6 do deputado Cândido Norberto, que tratava de “loteamento de terras do Estado, e a proteção de áreas agrícolas” (CM-0004, p001, linhas 21-22). A inclusão de Guarita entre as áreas do projeto reflete a dimensão regional da pressão fundiária sobre as terras indígenas no noroeste gaúcho.

Estudo demográfico de Salzano (1961)

Guarita aparece no estudo de Salzano como uma das reservas com “tamanho médio das famílias” distinto de Cacique Doble e Ligeiro, sugerindo diferenças demográficas significativas entre as comunidades Kaingang do RS (CM-0008, p003, linhas 11-13).

Relatório da IR.7 ao Procurador Geral do RS (1963)

O ofício de Israel Farrapo Machado (IR.7) ao Procurador Geral do RS (1963) documenta que o P.I. Guarita, no município de Tenente Portela, tinha área de 23.187 ha — integral, pois “apesar de ter sido demarcada a área que seria declarada reserva florestal, não houve ato legal nesse sentido, continuando o tôldo com a sua área integral” (CM-0113, p. 3). Em 1941, havia sido prevista uma partição em 7.287 ha de Reserva Florestal e 15.900 ha de Toldo, mas o ato legal nunca foi editado. A população em 1963 era de 1.079 pessoas, 392 famílias (CM-0113, p. 4). O relatório admite que o SPI vendeu “praticamente toda a madeira de lei de valor industrial” existente no P.I. (CM-0113, p. 6; CM-0114, p. 6).

Povos indígenas associados

  • Kaingang — Povo indígena da reserva de Guarita, documentado por Salzano (CM-0008)

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Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0004 [s.d.] p001 área do PL 104/6 análise
CM-0008 1961 p003 reserva Kaingang análise
CM-0113 1963-10-14 p. 1, 3, 4, 6 área 23.187 ha integral (sem RF); pop. 1.079; venda de madeira análise
CM-0114 1963-10-14 p. 1, 3, 4, 6 idem (segunda cópia) análise
CM-0116 1963-11-26 p. 3 invasão planejada mas foiled pela Força Pública; índios armados de flechas e cacetetes para defesa análise
CM-0014 1960-1961 p004, p009, p012 área 23.187 ha; população real 1.080 (Bresolin subestimou em 690); proposta de titulação definitiva análise
CM-0015_f 1961-09-15 p. 1, parágrafos 1, 5 área do PL 104/60 — Bresolin propôs lotear 14.487 ha dos 23.187 ha totais análise
CM-0002 1963-12-05 p002-p003 proposta verbal de Coelho: ceder 40-50% ao Estado para colonização; Estado daria títulos sobre 50-60% restantes análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0004_pagina_001.md a CM-0004_pagina_002.md (2 páginas) — [s.a.]. “Recorte do Correio do Povo — Projeto de lei 104/6 sobre loteamento em Cacique Doble, Nonoai e Guarita”. Correio do Povo, Porto Alegre, [s.d.]. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0008_pagina_001.md a CM-0008_pagina_006.md (6 páginas) — SALZANO, Francisco M. “Micro-evolução em populações de indígenas Rio-grandenses”. Ciência e Cultura, vol. 13, n.º 2, 1961, pp. 93-98. Acervo Cildo F. S. Meireles.