Líder Terena que deu nome ao Posto Indígena Capitão Vitorino (Nioaque, MS). Veterano da Campanha do Paraguai na região do Aquidauana, foi o único índio Terena “terrestre” condecorado com medalhas de bronze por ordem pessoal do Imperador. Conduziu sua comunidade das aldeias de Miranda — incluindo “Maze-buxe” e “Naze Daxe” — para Nioac por volta de 1884 e se estabeleceu no Brejão, onde passou a última fase da vida pedindo ao governo estadual a demarcação das terras onde já morava. Morreu em 1921, antes de ver o Decreto nº 611 (dezembro de 1922) que reservou 2.800 ha para os Terena do Brejão (CM-0061, p. 2, p. 13).
O Major Nicolau Bueno Horta Barbosa dedicou larga parte do memorial de demarcação de 1924 à biografia de Victorino — uma homenagem incomum num documento técnico —, afirmando que o posto recebeu o nome justamente porque “as suas aspirações foram atendidas pelo benemérito Decreto de 1923, resumindo as de sua descendência e as de quantos se agrupavam sob sua autoridade” (CM-0061, p. 13).
Natural do município de Miranda (MT), serviu na Campanha do Paraguai na região do Aquidauana e nos “Morros”, onde o escritor Taunay os visitou e elogiou os guerreiros de sua nação (CM-0061, p. 12). Foi o único índio Terena “terrestre” condecorado: recebeu medalhas de bronze “Constância e Valor — Matto Grosso 1867” (forma elíptica, efígie do Imperador no verso) e “Campanha do Paraguay” (forma de cruz, datas 18 6/7 70), além de uma espada por ordem pessoal do Imperador. Visitou a antiga Corte com sua mulher (CM-0061, p. 12-13).
Em 20 de março de 1883, o Diretor dos Índios das Aldeias de Miranda, Antonio Xavier Castello, nomeou-o Chefe da Aldeia “Maze-buxe” — que posteriormente foi “invadida e demarcada para fazenda de particular” (CM-0061, p. 13). Em 1 de setembro de 1884, recebeu patente legal de capitão assinada pelo Brigadeiro Thomas Antonio de Miranda Rodrigues, Diretor Geral dos Índios da Província de Mato Grosso, com selo das armas imperiais (CM-0061, p. 13).
Por volta de 1884, liderou grupos Terena das aldeias de Miranda — “Naze Daxe” e outras — até Nioac, onde se estabeleceram nas matas do Urumbeba. A “tapeera do Capitão Victorino” tornou-se centro de aglomeração: em torno de seu rancho “logo se gruparam outros e mais outros, fossem de sua numerosa descendência, fossem dos patriócios que lhe obedeciam” (CM-0061, p. 11).
Intrusos queimaram deliberadamente os ranchos dos parentes mais próximos do Capitão enquanto ele estava ausente visitando um filho, forçando os índios a se retirarem do local. As ruínas de sua tapeera foram incluídas dentro da poligonal demarcada em 1924 como reparação simbólica (CM-0061, p. 17).
Em 1902, o Coronel Francisco de Abreu e Lima, Inspector do 7º de Cavalaria em Nioac, examinou e reconheceu legítimos seus documentos (CM-0061, p. 13). Em 1908 (Gazeta Oficial nº 2.845, 29/8/1908) e 1909 (nº 2.942, 17/4/1909) peticionou ao governo estadual pela demarcação das terras do Brejão, requerendo “uma área de terreno para habitação exclusiva dos mesmos índios, convindo que seja ela entre a estrada de ‘Nioac’ à ‘Araras’ e a fralda da Serra de ‘Maracajú'” (CM-0061, p. 14).
Faleceu em 1921, “em avançada idade, apressando entrever a felicidade da garantia da sua morada e dos seus nas terras do ‘Brejão’; mas não logrou a alegria de assistir ao Decreto nº 611 de 1923” (CM-0061, p. 13).
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0061 |
1924-07-10 | p. 2, 7, 10-15, 17, 21, 27-28 | sujeito biográfico central do memorial; liderança indígena Terena | análise |
CM-0061_pagina_001.md a CM-0061_pagina_034.md (34 páginas, transcrição limpa) — BARBOSA, Nicolau Bueno Horta; SANTOS, Dayen Pereira dos. [Dossiê P.I. Capitão Vitorino: Memorial de demarcação do Brejão (1924) + Relatório sobre as reservas de Amambai (1952)]. Campo Grande, MT / P.I. Benjamin Constant, 1924-07-10 / 1952-08-02. Acervo Cildo F. S. Meireles.