Data14/08/1964
Autor(a)GONÇALVES, Fernando
TipologiaRelatório

1. Sumário do documento

Relatório do Diretor Geral do IGRA (Instituto Gaúcho de Reforma Agrária), Fernando Gonçalves, ao Governador Ildo Meneghetti, datado de Porto Alegre, 14 de agosto de 1964. Narra a missão de mediação em 11-12 de agosto, quando a equipe do IGRA viajou à madrugada para o município de Planalto (RS) — e depois a Nonoai — em resposta a radiogramas sobre graves conflitos entre indígenas Kaingang e invasores armados no Toldo de Nonoai. Inclui relato dos encontros com autoridades locais, mediação com 300-500 invasores, a solução emergencial proposta por Samuel Brasil (divisão emergencial da área), e listas de 47 detidos. (CM-0005, p001-p012)

2. Análise e descrição do documento

O relatório abre com a data e a motivação: “atendendo determinação de V. Exa., viajamos, na madrugada do dia 11 de agosto” para o município de Planalto, onde “estariam ocorrendo graves conflitos entre os silvícolas e os chamados intrusos” (p002). As notícias chegavam à Casa Militar por radiogramas assinados pelo Delegado de Polícia, pelo vereador Genuir Salvão e pelo comandante do Pelotão da PRM, todos de Planalto. O primeiro contato em Planalto foi com o Delegado Samuel Belsareno — titular da delegacia há pouco tempo, sem pleno conhecimento da situação —, que indicou como suspeitos de alimentar a invasão o Prefeito de Planalto (que “estimulou invasões naquele Toldo” na campanha eleitoral), Fridoldo Rower (proprietário de serraria) e Possidônio Ochoa (vereador do PTB, motorista da Secretaria de Agricultura). Em seguida, o Sargento João Ari — encontrado em uma serraria local fazendo levantamento para a DPV — confirmou os conflitos e informou que havia sido ferido um invasor conhecido como “Pedrão” (p002-p003). (CM-0005, p002-p003)

O relatório descreve a escalada do conflito anterior: um contingente do 17-RI, sediado em Cruz Alta e comandado por um Aspirante, havia “determinado a saída de todos os intrusos da área indígena”, mas “a grande maioria ali permaneceu aguardando a ordem de despejo, que não veio no prazo marcado” — o que levou os que haviam saído a retornar, com o argumento de que o Estado não cumprira o prometido. Daí resultaram conflitos com “destruição de carroças, ranchos, roubo e matança de gado bovino e suíno, e mesmo agressão pessoal, como o caso de um índio que foi ferido, com arma de fogo, por um invasor” (p003). Durante a viagem de Planalto a Nonoai, a equipe observou um grupo de 40-50 pessoas armadas junto a um caminhão na área indígena (p003). Já nas proximidades de Passo Feio e Bananeiras, encontraram aproximadamente 300 invasores reunidos e armados de espingardas, foices, facões e cacetes (p004). Os invasores acusavam o “Sr. Samuel Brasil, Administrador do Toldo, como mandante das agressões que estariam sendo praticadas pelos silvícolas” (p004). (CM-0005, p003-p004)

Em Nonoai, a equipe combinou com o Prefeito José Rech e o Sargento Comandante do Destacamento uma reunião para o dia seguinte (12 ago) no local Bananeiras, às 15h. Na madrugada, foram acordados pela prisão de aproximadamente 40 invasores que teriam ameaçado o Sub-Posto da PRM; tomaram o depoimento dos praças em gravação (p005). De Carazinho, conseguiram contato com o Cel. Vítor Hugo (Passo Fundo) e o Cel. Orlando Pacheco (Porto Alegre), colocando-os a par da situação (p006). Samuel Brasil, informado que estava “muito visado pelos invasores”, não participou da reunião, propondo a solução emergencial: retirar os invasores da parte direita (sentido Nonoai-Planalto) e permitir que ocupassem “Porongos” (à esquerda) (p006). Na reunião, a equipe encontrou cerca de 500 pessoas; o Cap. Galvão, chegado de Erechim com 20 homens, falou em nome do Exército (p007). (CM-0005, p005-p007)

No encontro na sede do Posto Indígena, Samuel Brasil “procurou demonstrar as razões que levavam os índios a reagir” e descreveu providências que havia encaminhado a autoridades, incluindo viagem recente a Curitiba onde localiza-se uma “Circunscrição do SPT” [SPI] (p008). Declarou-se “francamente satisfeito com as medidas de emergência adotadas” (p008). O relatório conclui com dados preocupantes: Delegado Nunes (Nonoai) estava em licença médica e havia levado o único jeep da delegacia; o Delegado de Planalto também não tinha viatura; apenas o Posto da PRM tinha rádio e um jeep (p009). A área do Toldo tinha 14.910 hectares, e a população indígena caiu de 1.400 para cerca de 650 pessoas (p009). O IGRA estimava ~200 famílias invasoras em Passo Pelo (Planalto) e ~500 em Porongos (Nonoai), totalizando cerca de 700 famílias — número quase igual ao dos indígenas. O relatório sugere que Ildo Meneghetti leve o caso ao Ministro da Agricultura ou ao Chefe do SPI (p009-p010). (CM-0005, p008-p010)

3. Análise por entidade

Fernando Gonçalves — autor do relatório

  • trechos extraídos:
  • p002: “Atendendo determinação de V. Exa., viajamos…” [voz de Gonçalves]
  • p010, linhas 43-44: “FERNANDO GONÇALVES / Diretor Geral do IGRA”
  • fatos detectados:
  • Diretor Geral do IGRA, autor do relatório (p010)
  • Liderou a missão de mediação em 11-12 de agosto de 1964 (p002)

Ildo Meneghetti — destinatário

  • trechos extraídos:
  • p001: “Engenheiro ILDO MENEGHETTI / Digníssimo Governador do Estado”
  • p002: “Atendendo determinação de V. Exa., viajamos…”
  • p009: “Se V. Exa. nos permitir, sugerimos…”
  • p010: “Estas eram — Sr. Governador — as considerações que nos cabia fazer a V. Exa.”
  • fatos detectados:
  • Governador do RS em agosto de 1964 (p001)
  • Determinou a missão do IGRA ao Toldo de Nonoai (p002)

Samuel Belsareno — Delegado de Polícia de Planalto

  • trechos extraídos:
  • p002: “procuramos primeiramente o Sr. Delegado de Polícia – Samuel Belsareno – com quem mantivemos longa palestra e de quem obtivemos as primeiras informações. O referido policial é titular daquela DP há bem pouco tempo e ainda não conseguiu se inteirar perfeitamente da situação local”
  • p002: “Apesar disso, nos informou que entende existirem elementos interessados na intrusão da área indígena e, dentre estes, destacou suas suspeitas sobre o Prefeito de Planalto… Citou, igualmente, como suspeitos os Srs. Fridoldo Rower, proprietário de serraria, e Possidônio Ochoa, vereador do PTB”
  • fatos detectados:
  • Delegado de Polícia de Planalto (RS), recém-nomeado (p002)
  • Suspeitava do Prefeito de Planalto, Fridoldo Rower e Possidônio Ochoa como promotores das invasões (p002)
  • É pessoa diferente de Samuel Brasil (Administrador do Toldo) — dois “Samuéis” distintos no documento

Samuel Brasil — Administrador do Toldo (Chefe do Posto Indígena Nonoai)

  • trechos extraídos:
  • p004, linha 20: “o Sr. Samuel Brasil, Administrador do Toldo, como mandante das agressões que estariam sendo praticadas pelos silvícolas” (acusação dos invasores)
  • p005, linhas 52-54: “ficara combinado com o Sr. Prefeito José Rech, com o Sr. Samuel Brasil e o do Pôsto Indígena, uma reunião”
  • p006, linhas 29-38: “o Sr. Samuel Brasil, naquela manhã, resolvera não participar da reunião, pois entendia que estava muito visado pelos invasores, mas que concordava com uma solução na qual fossem retirados todos os invasores da parte que fica a direita… os intrusos ocuparem a parte localizada à esquerda, denominada ‘Porongos'”
  • p007, linhas 53-57: “rumamos para sede do Pôsto Indígena, onde nos encontramos com o Sr. Samuel Brasil”
  • p008, linhas 13-17: “o Sr. Samuel Brasil… procurou demonstrar as razões que levavam os índios a reagir… inclusive viagem que fizera, recentemente, a Curitiba, onde se localiza uma Circunscrição do SPT [SPI]”
  • p008, linhas 25-29: “o Sr. Chefe do Pôsto Indígena declarou-se francamente satisfeito com as medidas de emergência adotadas”
  • fatos detectados:
  • Administrador do Toldo / Chefe do Posto Indígena Nonoai em agosto de 1964 (p004, p008)
  • Acusado pelos invasores de mandar os índios agir — acusação não confirmada pelo relatório (p004)
  • Propôs solução emergencial de divisão da área (Porongos) (p006)
  • Havia viajado a Curitiba (SPI) em busca de providências (p008)

Genuir Salvão — vereador de Planalto

  • trechos extraídos:
  • p002: “as notícias chegavam à Casa Militar através de radiogramas firmados pelos Srs. Delegado de Polícia, vereador Genuir Salvão e Comandante do Pelotão da Polícia Rural Montada, todos de Planalto”
  • fatos detectados:
  • Vereador de Planalto (RS); foi um dos signatários dos radiogramas que alertaram o governo sobre o conflito (p002)

Fridoldo Rower — suspeito; proprietário de serraria

  • trechos extraídos:
  • p002: “destacou suas suspeitas sobre… Fridoldo Rower, proprietário de serraria”
  • fatos detectados:
  • Proprietário de serraria em Planalto; apontado pelo Delegado Belsareno como suspeito de interesse na invasão (p002)

Possidônio Ochoa — suspeito; vereador

  • trechos extraídos:
  • p002: “Possidônio Ochoa, vereador do PTB e motorista da Secretaria de Agricultura”
  • fatos detectados:
  • Vereador do PTB em Planalto; motorista da Secretaria de Agricultura; apontado como suspeito de interesse na invasão (p002)

Sargento João Ari — autoridade policial

  • trechos extraídos:
  • p002: “procuramos o Sargento João Ari, que se encontrava numa serraria local fazendo levantamento de madeiras da DPV”
  • p003, linha 41: “acentuou que, de fato, estavam ocorrendo conflitos entre índios e invasores e que havia sido ferido um intruso conhecido por Pedrão”
  • p005, linhas 42-44: “fomos acordados pelos Srs. Delegado de Polícia de Nonoai e pelo Sargento João Ari, que nos davam notícia da prisão de, aproximadamente, quarenta (40) invasores”
  • fatos detectados:
  • Sargento da PRM (Polícia Rural Montada) em Planalto (p002)
  • Fazia levantamento de madeiras da DPV quando encontrado (p002)
  • Confirmou conflitos e o ferimento de “Pedrão” (p003)

José Rech — Prefeito de Nonoai; mediador

  • trechos extraídos:
  • p005, linhas 22-23: “entendimentos com o Sr. José Rech, Prefeito daquele município [Nonoai]”
  • p005, linhas 28-32: “Combinamos, então, que deveriam partir para o local onde se reuniam índios e caboclos todos os soldados do Destacamento… reunião para o dia seguinte, 12”
  • p006, linhas 28-30: “fomos informados pelo Prefeito José Rech de que o Sr. Samuel Brasil… resolvera não participar da reunião”
  • p008, linhas 33-35: “havíamos conseguido, com a eficiente colaboração do Sr. Prefeito de Nonoai, contornar a situação que estava se agravando dia a dia”
  • fatos detectados:
  • Prefeito de Nonoai (RS) em agosto de 1964 (p005)
  • Atuou como mediador essencial entre o IGRA, Samuel Brasil, os invasores e os índios (p005-p008)
  • Colaboração do prefeito foi decisiva para o resultado positivo (p008)

Cap. Galvão — militar; reforço de Erechim

  • trechos extraídos:
  • p007, linhas 18-21: “chegou ao Pôsto da PRM… o Cap. Galvão, que se deslocara de Erechim com vinte (20) homens e que ali viera para colaborar no serviço de policiamento”
  • p007, linhas 40-46: “Usou da palavra, ainda, o Cap. Galvão, que fez idênticas recomendações e, como nós, disse que a solução definitiva do problema competia ao Governo Federal”
  • fatos detectados:
  • Capitão do Exército ou da polícia, vindo de Erechim (RS) com 20 homens (p007)
  • Falou na reunião com os invasores, reforçando a posição do IGRA (p007)
  • Declarou que a solução definitiva competia ao Governo Federal (p007)

Cel. Vítor Hugo — militar; Passo Fundo

  • trechos extraídos:
  • p005, linhas 36-38: “nos deslocamos para Sarandi, de onde teríamos contato com o Cel. Vítor Hugo, em Passo Fundo, pedindo reforço”
  • p006, linhas 21-23: “mantivemos contato telefônico com o Cel. Vítor Hugo, em Passo Fundo, pedindo reforço”
  • fatos detectados:
  • Coronel militar em Passo Fundo (RS), contactado para reforço (p005-p006)

Cel. Orlando Pacheco — militar; Porto Alegre

  • trechos extraídos:
  • p005, linhas 37-39: “com o Cel. Orlando Pacheco, nesta Capital, a fim de colocá-los a par da situação”
  • p006, linhas 23-25: “com o Cel. Orlando Pacheco, dando conta da situação e das providências adotadas, a fim de que fossem transmitidas a V. Exa.”
  • fatos detectados:
  • Coronel em Porto Alegre, canal de comunicação com o Governador (p005-p006)

Delegado Nunes — Delegado de Nonoai; ausente

  • trechos extraídos:
  • p009: “a Delegacia de Polícia de Nonoai está abandonada e o Delegado Nunes, que se encontra licenciado para tratamento de saúde, segundo informam, levou o jeep, o que tem causado embaraços ao Sargento que comanda o Destacamento”
  • fatos detectados:
  • Delegado de Polícia de Nonoai; em licença médica durante o conflito, tendo levado o único veículo da delegacia (p009)

Kaingang do Toldo de Nonoai — vítimas; sujeitos

  • trechos extraídos:
  • p003: “conflitos entre índios e invasores… um índio que foi ferido, com arma de fogo, por um invasor. Os nativos também reagiam”
  • p004, linha 18: “os índios estavam atacando suas casas, roubando suas juntas de bois, porcos e até ferindo crianças… uma [criança] foi arremessada a muitos metros, por um silvícola” (versão dos invasores — não confirmada pelo relatório)
  • p004, linha 20: “os índios estavam reunidos num mato… deveriam atacar as casas dos invasores”
  • p006: “estado maior do Toldo” (liderança indígena, não nomeada)
  • p009: população do Toldo: de 1.400 pessoas (ano anterior) para cerca de 650 (1964, dados extraoficiais)
  • fatos detectados:
  • Feridos por invasores (índio atingido por arma de fogo — p003)
  • A liderança indígena (“estado maior do Toldo”) participou das negociações (p006)
  • População indígena despencou de ~1.400 para ~650 pessoas entre 1963 e 1964 (p009)
  • O Toldo tinha 14.910 hectares de área (p009)
  • flags específicas:
  • tipo: apagamento_de_agentes
    detalhe: “Nenhuma liderança indígena nomeada no relatório; menções coletivas ou pelo cargo genérico ‘estado maior do Toldo'”

Planalto (RS) — município; ponto inicial da missão

  • trechos extraídos:
  • p002: “viajamos… para o município de Planalto, já que, naquela região, mais precisamente no chamado ‘Toldo de Nonoai’, estariam ocorrendo graves conflitos”
  • p009: “na área do Passo Pelo, município de Planalto, existem aproximadamente duzentas (200) famílias” de invasores
  • fatos detectados:
  • A equipe do IGRA foi primeiro a Planalto (antes de Nonoai) (p002)
  • O Toldo de Nonoai abrange partes dos municípios de Planalto e Nonoai (p009)
  • ~200 famílias de invasores na área de Planalto (Passo Pelo) (p009)

Passo Feio — lugar; ponto de concentração

  • trechos extraídos:
  • p004, linha 13: “depois de passarmos o famigerado ‘Passo Feio'”
  • fatos detectados:
  • Local onde o grupo do IGRA encontrou os 300 invasores armados (p004)

Bananeiras — lugar; local dos conflitos e reunião

  • trechos extraídos:
  • p004, linha 14: “nas proximidades da chamada ‘Bananeiras’, numa encruzilhada, encontramos mais ou menos trezentos (300) homens”
  • p005, linhas 29-31: “reunião para o dia seguinte, 12, quarta-feira, às 15 horas, no local denominado ‘Bananeiras'”
  • p011: “FATO OCORRIDO NAS BANANEIRAS DE NONOAI, ÀS 20.30 HS” — evento de 11 ago 1964
  • fatos detectados:
  • Local de concentração dos invasores e do evento com 47 detidos (p011)

Conflito de Bananeiras (11 ago 1964) — evento

  • trechos extraídos:
  • p011: “RELAÇÃO DE ELEMENTOS QUE FORAM DETIDOS NO DIA 11 DE AGOSTO DE 1964, NA OCASIÃO DO FATO OCORRIDO NAS BANANEIRAS DE NONOAI, ÀS 20.30 HS” — 30 nomes
  • p012: “RELAÇÃO DOS ELEMENTOS QUE FORAM DETIDOS NÃO MORADORES DO TOLDO” — 17 nomes
  • fatos detectados:
  • Evento ocorrido às 20h30 no local Bananeiras (p011)
  • 30 pessoas detidas (p011); 17 detidas adicionais classificadas como “não moradores” (p012)

IGRA (Instituto Gaúcho de Reforma Agrária) — instituição autora

  • trechos extraídos:
  • p001, p002, p003: timbre “INSTITUTO GAÚCHO DE REFORMA AGRÁRIA / Rio Grande do Sul”
  • p002: abertura do relatório
  • p010: assinatura e cargo de Fernando Gonçalves
  • fatos detectados:
  • O IGRA atuou como mediador entre Estado e partes em conflito (p002-p010)
  • Reconheceu não ter área disponível para realocar os invasores (Fazenda Sarandi já com 200+ lotes distribuídos) (p010)
  • Sugeriu ao governador levar o problema ao Ministro da Agricultura/Chefe do SPI (p009-p010)

SPI (Serviço de Proteção aos Índios) — instituição federal

  • trechos extraídos:
  • p008: “Curitiba, onde se localiza uma Circunscrição do SPT [SPI]” — Samuel Brasil havia viajado lá
  • p009: “contato com o… Chefe do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que está subordinado àquele Ministério”
  • fatos detectados:
  • Samuel Brasil havia buscado apoio na Circunscrição do SPI em Curitiba (p008)
  • IGRA sugeriu que o governador contatasse o Chefe do SPI (p009)

17-RI (17º Regimento de Infantaria) — instituição militar

  • trechos extraídos:
  • p003: “contingente do Exército Nacional do 17-RI, sediado em Cruz Alta, comandado por um Aspirante, que determinou a saída de todos os intrusos da área indígena”
  • fatos detectados:
  • Sediado em Cruz Alta; enviou aspirante para tentar desintrusão; não cumpriu o prazo prometido (p003)

4. Citações ambíguas / não atribuídas

  • p004: versão dos invasores (“os índios estavam atacando suas casas… arremessada a muitos metros por um silvícola”) — apresentada como relato dos invasores, não confirmada pelo IGRA.
  • p008: “SPT” — OCR provável de “SPI”; trecho: “Curitiba, onde se localiza uma Circunscrição do SPT”.

5. Notas de continuidade (multi-página)

P001: Capa/folha de rosto — apenas cabeçalho e destinatário. P002-p010: Corpo do relatório (com numeração interna 1-9). P011-p012: Listas de detidos (anexos ao relatório). As páginas 002, 005, 007, 009 foram sinalizadas como “OCR insuficiente” no ingest anterior — INCORRETO: todas são legíveis no arquivo .md e contêm informação substantiva.

6. Notas do extractor

  • Releituras: 3 (P1-P3)
  • Qualidade do OCR dos arquivos .md: todas as 12 páginas legíveis; não há páginas com OCR degradado que justifique flag — flag ocr_suspeito do ingest anterior era INCORRETA para p002, p005, p007, p009
  • Fonte primária: arquivos .md (flag source_md_only)
  • CORREÇÕES EM RELAÇÃO AO INGEST ANTERIOR:
  • Data: 1964-08-14 (não apenas “1964”) — extraída de p002
  • Samuel Belsareno (Delegado Planalto) é PESSOA DIFERENTE de Samuel Brasil (Chefe do Posto) — dois Samuéis distintos; ingest anterior não capturou Belsareno
  • Novas entidades: Genuir Salvão, Fridoldo Rower, Possidônio Ochoa, Prefeito de Planalto (não nomeado), Cap. Galvão, Delegado Nunes — todas ausentes do ingest anterior
  • Município de Planalto (RS) como ponto inicial da missão — ausente do ingest anterior
  • Dados estatísticos capturados: 14.910 ha do Toldo; queda populacional 1.400→650 indígenas; ~700 famílias de invasores
  • P007 (“REUNIÃO COM OS INTRUSOS”): ~500 pessoas na reunião final — o ingest anterior não capturou este dado
  • “estado maior do Toldo” = liderança Kaingang participante das negociações, não nomeada (apagamento de agentes)
  • Lista de p011: 30 nomes (detidos em 11 ago 1964 nas Bananeiras); lista de p012: 17 nomes (detidos não moradores do Toldo) — total 47 nomes referenciáveis (ingest anterior contava 59, possivelmente baseado em TXT diferente)