Início11/08/1964
Local['[Bananeiras](lugares/bananeiras.md)', '[Nonoai (RS)](lugares/nonoai-rs.md)']

Resumo

Confronto ocorrido em 11 de agosto de 1964 às 20h30 na localidade de Bananeiras, no Toldo de Nonoai (RS), resultando na detenção de pessoas — o relatório lista 30 nomes na lista geral e 17 “não moradores” (47 nomes totais referenciáveis no arquivo .md; ingest anterior via .txt registrava 59). O incidente foi o ponto mais agudo de uma escalada de violência fundiária que opunha invasores armados (aproximadamente 300-500 homens) aos indígenas Kaingang do Posto Indígena Nonoai, documentada em relatório do IGRA ao Governador Ildo Meneghetti, datado de 14 de agosto de 1964. A área do Toldo era de 14.910 ha; a população Kaingang havia caído de ~1.400 para ~650 pessoas entre 1963 e 1964. (CM-0005, p009, p011-p012)

Antecedentes

O conflito no Toldo de Nonoai vinha se agravando desde fins de 1962, com a chegada do Movimento dos Sem Terras e a suspensão do pagamento de arrendamento ao SPI (CM-0001). Um contingente do Exército Nacional do 17-RI, sediado em Cruz Alta, tentou desintrusão ordenando “a saída de todos os intrusos da área indígena” (CM-0005, p003). Alguns invasores se retiraram, mas “a grande maioria ali permaneceu aguardando a ordem de despejo, que não veio no prazo marcado” (CM-0005, p003), o que fez os que haviam saído retornarem. A situação se deteriorou com “destruição de carroças, ranchos, roubo e mortes de gado bovino e suíno, e mesmo agressão pessoal, como o caso de um índio que foi ferido, com arma de fogo, por um invasor” (CM-0005, p003).

Desenrolar

O IGRA enviou uma missão de mediação ao Toldo de Nonoai, chefiada por Fernando Gonçalves. No caminho, a equipe encontrou “aproximadamente 300 homens, os chamados intrusos, que estavam reunidos e armados com espingardas, foices, facões e cacetes” nas proximidades do Passo Feio e Bananeiras (CM-0005, p004). Os invasores acusavam Samuel Brasil, Administrador do Toldo, “como mandante das agressões que estariam sendo praticadas pelos civilizados” (CM-0005, p004). A equipe formulou “um apelo para que mantivessem a calma” (CM-0005, p004). Em Carazinho, contataram o Cel. Vitor Hugo e o Cel. Orlando Pacheco pedindo reforço (CM-0005, p006). Samuel Brasil, visado pelos invasores, resolveu não participar de reunião (CM-0005, p006) e propôs uma solução emergencial: dividir a área, com os invasores ocupando a parte denominada Porongos (CM-0005, p006). Às 20h30 do dia 11 de agosto de 1964, o incidente nas Bananeiras resultou em 59 detidos (CM-0005, p011-p012).

Agentes, vítimas, testemunhas

Agentes / responsáveis

  • Invasores armados — aproximadamente 300 homens organizados, armados com espingardas, foices, facões e cacetes (CM-0005, p004)

Vítimas

Testemunhas / denunciantes

  • Fernando Gonçalves — Diretor Geral do IGRA, autor do relatório ao Governador (CM-0005, p010)
  • José Rech — Prefeito de Nonoai, atuou como mediador (CM-0005, p006, p008)
  • Samuel Brasil — Administrador do Toldo de Nonoai, visado pelos invasores, propôs a divisão emergencial da área (CM-0005, p004, p006, p008)
  • Samuel Belsareno — Delegado de Polícia de Planalto; forneceu primeiras informações e apontou suspeitos locais (CM-0005, p002)
  • Cap. Galvão — Capitão; veio de Erechim com 20 homens para apoio (CM-0005, p007)

Desdobramentos e investigações

O IGRA concluiu que “existem elementos locais que, por interesse político e comercial, desejam o intrusamento da área do chamado Toldo de Nonoai” e que “há grande tensão social na região” (CM-0005, p008). O relatório reconhece não ter “área disponível para abrigar todas as famílias dos intrusos” (CM-0005, p010) e sugere que o governador leve o problema ao Ministro da Agricultura (CM-0005, p010). Dos 59 detidos, apenas os nomes foram registrados — sem acusações formais ou desfecho documentado.

Interpretações divergentes
O relatório do IGRA registra que um índio foi ferido a tiros por invasor e que um invasor conhecido como “Pedrão” também foi ferido — há versões divergentes sobre quem iniciou a violência no incidente de Bananeiras, com cada lado atribuindo ao outro a responsabilidade pelas agressões (CM-0005, p003-p004).

Páginas relacionadas

A pesquisar
Desfecho judicial dos detidos. O relatório aponta como suspeitos de promover as invasões: o Prefeito de Planalto (não nomeado — “estimulou invasões na campanha eleitoral”), Fridoldo Rower (serraria) e Possidônio Ochoa (vereador PTB, motorista Secretaria Agricultura) — nenhum foi investigado formalmente no corpus. Posição de Cildo F. S. Meireles sobre o conflito. Discrepância de 59 vs 47 detidos entre leitura .txt (ingest 2026-05-14) e .md (ingest 2026-05-21).

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0005 1964-08-11 p004, p011-p012 evento central análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0005-p001.txt a CM-0005-p012.txt (12 páginas) — GONÇALVES, Fernando. Relatório do IGRA ao Governador Ildo Meneghetti sobre o conflito fundiário no Toldo de Nonoai. Porto Alegre, 1964. Acervo Cildo F. S. Meireles.