Operação de “pacificação” — o termo da época para o estabelecimento de contato não-violento e atração de grupos indígenas arredios — conduzida por Francisco Meireles junto ao povo Xavante, provavelmente entre as décadas de 1940 e 1950. O feito é mencionado por Bernardo Élis em 1963 como a realização que notabilizou Francisco Meireles e lhe granjeou a confiança pública em Goiás: “à frente do Serviço, em nosso Estado, está um homem de valor, a quem se deve a pacificação dos Xavante” (CM-0035, p. 2). O corpus não documenta detalhes da operação — data, local exato, estratégia, número de agentes envolvidos ou desdobramentos — além desta menção no artigo de Élis.
Os Xavante, povo do tronco Jê, habitavam o leste do Mato Grosso e o norte de Goiás (atual Tocantins), região de cerrado e contato com a frente de expansão agrícola. Na primeira metade do século XX, grupos xavante mantinham-se arredios ao contato com não-indígenas, o que a política indigenista do SPI caracterizava como situação a ser superada por operações de “pacificação” — o vocábulo da época para o que hoje se descreveria como contato forçado ou atração. Francisco Meireles, que em 1963 era o chefe do SPI em Goiás, foi o responsável por essa operação junto aos Xavante — o feito que, segundo Bernardo Élis, o notabilizou e lhe conferiu credenciais públicas (CM-0035, p. 2).
O documento disponível no corpus (CM-0035) não descreve a sequência factual da operação. O termo “pacificação” é empregado por Bernardo Élis com conotação positiva — associado à competência e ao “valor” de Francisco Meireles. No vocabulário do indigenismo da época, “pacificar” significava estabelecer contato sem recurso à violência armada, distinguindo-se das “guerras justas”, “bandeiras” e expedições punitivas que marcaram os séculos anteriores — mas o termo carrega o pressuposto de que a resistência indígena ao contato era um problema a ser resolvido pela ação do Estado.
Não aplicável — o documento não registra violência na operação.
Em 1963, as terras dos Xavante estavam sendo loteadas pelo governo de Mato Grosso, junto com as dos Tapirapé e outros povos do Xingu (CM-0035, p. 2). A “pacificação” não resultou em proteção territorial duradoura — menos de duas décadas depois, os Xavante enfrentavam a grilagem de suas terras.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | feito atribuído a Francisco Meireles que o notabilizou | análise |
CM-0035 - 0002_f.txt — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.