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Resumo

Em janeiro-fevereiro de 1963, as terras do povo Xerente em Tocantínia (então norte de Goiás, atual Tocantins) estavam sendo loteadas por “grileiros” em porções de 2.000 alqueires, destinadas a “ricos homens de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso” (CM-0035, p. 2). O episódio foi denunciado por Bernardo Élis em sua coluna de 1º de fevereiro de 1963 no jornal O Popular, como parte de uma ofensiva coordenada — uma “blitzkrieg” — contra múltiplos povos indígenas simultaneamente (Krahô, Xerente, Xavante, Tapirapé, Canoeiros). O colunista previu que o loteamento resultaria em massacres: “Dentro em breve, veremos em todas essas regiões os massacres aos índios” (CM-0035, p. 2).

Antecedentes

Os Xerente — povo do tronco Jê, descrito por Élis como “ramo dos Xavante” — estavam “localizados ali desde há mais de século” em Tocantínia (CM-0035, p. 2). Eram “uma tribu reduzida, composta de algumas centenas de indivíduos, minados pelas doenças que lhes pregam os ‘brancos’, de índole pacífica, e por isso mesmo presa fácil dos aventureiros” (CM-0035, p. 2). O declínio demográfico por doenças introduzidas e a índole pacífica do grupo os tornavam vulneráveis à cobiça territorial de fazendeiros e especuladores. A grilagem contra os Xerente ocorria simultaneamente a ataques aos Krahô (pelo lado do Rio Vermelho), ao loteamento de terras Tapirapé e Xavante pelo governo de Mato Grosso, e à difamação dos Canoeiros pela imprensa goiana — configurando o que Bernardo Élis chamou de “plano geral articulado inteligentemente pelos ‘grileiros’ e fazendeiros, orientados todos no rumo de expulsar de suas áreas esses últimos remanescentes brasilíndios” (CM-0035, p. 2).

Desenrolar

O documento disponível (CM-0035) captura o momento inicial do conflito — a denúncia pública do loteamento. As terras estavam sendo “divididas em porções de 2.000 alqueires” (aproximadamente 4.840 hectares por lote) e oferecidas a compradores abastados de quatro estados. Os Xerente, apesar de serem descritos como “as pessoas mais produtivas da área referida” — mantinham roças de milho, arroz, feijão, frutas e colhiam babaçu para o mercado regional — estavam sob ameaça de despejo (CM-0035, p. 2). Élis ressalvou que, além de agricultores, os Xerente “conservam eles seus hábitos de caça e pesca, ligados a práticas de cunho religioso, os quais exigem uma certa extensão territorial e livre trânsito pelos rios e campos, para efeito de coleta e caça” — argumento que reconhecia a territorialidade indígena para além da terra agricultável (CM-0035, p. 2).

“Tal procedimento é um crime previsto, inclusive, por preceitos internacionais a que o Brasil está subordinado.” — CM-0035, p. 2

Agentes, vítimas, testemunhas

Agentes / responsáveis

  • Grileiros e fazendeiros não nomeados — atuavam como rede articulada contra múltiplos povos (CM-0035, p. 2) — flag apagamento_de_agentes
  • Compradores dos lotes — “ricos homens de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso” — não nomeados (CM-0035, p. 2)

Vítimas

  • Xerente — “algumas centenas de indivíduos” em Tocantínia, população já reduzida por doenças (CM-0035, p. 2)

Testemunhas / denunciantes

Desdobramentos e investigações

O corpus não documenta os desdobramentos do conflito. Bernardo Élis apelou ao SPI em Goiás, chefiado por Francisco Meireles, para que tomasse “as providências capazes de pôr cobro a tais abusos” (CM-0035, p. 2). O colunista afirmou confiar que Francisco Meireles “já se está movimentando para atalhar essas violações aos bugres” (CM-0035, p. 2). Não se sabe se a grilagem foi efetivamente contida.

A pesquisar
Desfecho do conflito — se as terras foram recuperadas ou se o loteamento se consolidou. Ação do SPI em Goiás em resposta ao apelo de Bernardo Élis. Identificação dos grileiros e compradores. A extensão exata das terras loteadas. Se Cildo F. S. Meireles atuou diretamente neste caso.

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Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0035 1963-02-01 p. 2 conflito contemporâneo — terras loteadas em porções de 2.000 alqueires em Tocantínia análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0035 - 0002_f.txt — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.