Resumo

Cidade do então estado de Goiás (atual Tocantins), localizada na região onde os Xerente estavam aldeados “há mais de século”. Em 1963, Tocantínia tornou-se o epicentro de uma ofensiva de grilagem: as terras dos Xerente estavam sendo loteadas em porções de 2.000 alqueires para compradores de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso. O escritor Bernardo Élis denunciou a situação como prenúncio de massacres (CM-0035, p. 2).

Localização e contexto geográfico

Tocantínia situa-se no centro-norte goiano (atual Tocantins), na região do médio Tocantins. O documento não fornece coordenadas precisas, mas a situa como o território tradicional Xerente — “localizados ali desde há mais de século” — e a associa ao contexto mais amplo de conflitos que também atingiam Pedro Afonso (Krahô) e Mato Grosso (Xavante, Tapirapé) (CM-0035, p. 2, parágrafo 9).

Histórico documentado

Território tradicional Xerente

Os Xerente estavam estabelecidos em Tocantínia há mais de cem anos quando da publicação do artigo. Eram descritos por Élis como “uma tribu reduzida, composta de algumas centenas de indivíduos, minados pelas doenças que lhes pregam os ‘brancos’, de índole pacífica, e por isso mesmo presa fácil dos aventureiros” (CM-0035, p. 2, parágrafo 9). Apesar da redução populacional, mantinham agricultura produtiva — “roças de milho, arroz, feijão, algumas frutas e ainda colhem o babaçu — produtos que levam ao mercado para manutenção de parte da população regional” (CM-0035, p. 2, parágrafo 12).

Grilagem de terras (1963)

“Conflito semelhante, no momento atual, está novamente armado, ai pelas alturas de Tocantinia. Agora, os visados são os Xerente, ramo dos Xavante, localizados ali desde há mais de século, cujas terras estão sendo cobiçadas pelos ‘cristãos’.” (CM-0035, p. 2, parágrafo 9)

As terras estavam sendo “divididas em porções de 2.000 alqueires a ricos homens de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso” (CM-0035, p. 2, parágrafo 9). Élis advertia que o loteamento resultaria em violência: “Dentro em breve, veremos em todas essas regiões os massacres aos índios” (CM-0035, p. 2, parágrafo 9). O colunista apelou ao SPI em Goiás — chefiado por Francisco Meireles — para que tomasse providências (CM-0035, p. 2, parágrafos 13-14).

Eventos

Pessoas associadas

Povos indígenas associados

  • Xerente — povo indígena aldeado em Tocantínia há mais de um século, vítima de grilagem de terras em 1963 (CM-0035, p. 2, parágrafos 9, 12)

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A pesquisar
A extensão exata do território tradicional Xerente em Tocantínia não é especificada. Os nomes dos grileiros que adquiriram lotes de 2.000 alqueires não são mencionados. O desfecho da intervenção do SPI solicitada por Élis permanece não documentado neste corpus.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0035 1963-02-01 p. 2 território tradicional Xerente; palco de grilagem (1963) análise
CM-0145 1949 p. 21, 49 P.I. Tocantínia (IR8, Goiás): escola e 174 índios assistidos em 1949 análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0035 - 0001_f.txt a CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.