Nascimento[s.d.]
Morte[s.d.]
Nacionalidadebrasileira

Resumo

Antigo funcionário do Serviço de Proteção aos Índios que, em abril de 1961, escreveu de Brasília ao Diretor do SPI uma carta de teor pessoal e afetivo sobre a situação dos Krahô na Craolândia. Apresentou-se como alguém que “tantas vezes… escreveu, cheio de entusiasmo e sinceridade, sobre a sorte dos índios CRAÔS e da CRAOLÂNDIA” (CM-0037, p. 1). A carta — que mistura súplica administrativa a registro poético da paisagem e das aldeias — é o único documento do corpus que atesta sua existência e atuação. A grafia exata de seu nome permanece incerta devido à degradação do OCR.

Trajetória

Antigo funcionário do SPI — dedicação à Craolândia

O autor da carta não visitava a Craolândia havia anos e confessava temor diante do que encontraria: “há anos não revê a CRAOLÂNDIA, nem abraça as famílias indígenas que a povoam, nem sabe mesmo (confessa) teria coração de voltar ali agora, sabendo tudo mudado do que era antes naquele formoso recanto da terra goiana” (CM-0037, p. 1). Conhecera a Craolândia em seus tempos de esplendor, quando “criaturas abnegadas se empenharam de corpo e alma para nele criarem aqui na terra um paraíso para os índios” (CM-0037, p. 1).

Carta de Brasília (1961-04-07)

Em 7 de abril de 1961, escreveu de Brasília ao “BB* Diretor do SERVIÇO DE PROTEÇÃO AOS ÍNDIOS” (CM-0037, p. 1). O missivista pedia duas coisas: que o Diretor visitasse a Craolândia, acompanhado de Lourival da Motta Cabral — “M.D. Chefe da 5ª O.A., que ali já trabalhou anos passados, com tanto amor e dedicação, conquistando os corações de todos eles” (CM-0037, p. 2) — e que tomasse providências urgentes diante do “abandono e miséria, em que as últimas administrações a puseram” (CM-0037, p. 2).

Atuação principal

  • Descrição da Craolândia: forneceu o dado fundiário preciso — 99.000 hectares (66.000 alqueires geométricos), “medidos e demarcados em 1910, com divisas naturais”, doados aos Krahô “pelo seu máximo benfeitor, Dr. PEDRO LUDOVICO” (CM-0037, p. 1).
  • Detalhamento das quatro aldeias: Pedra Branca (~280 almas), Cabeceira Grossa (~300+ almas), Donzela e Piabanha — com informações sobre população, escolas, fazendas de gado e infraestrutura (CM-0037, p. 2).
  • Orçamento de restauração: Cr$ 2.000.000,00 distribuídos em restauração da sede, construção de escolas, aquisição de gado e equipamentos (CM-0037, p. 3).
  • Proposta de Escola Indigenista: sugeriu a criação de uma “Escola Indigenista, próxima à Capital federal” e de uma “Povoação Indígena ANTÔNIO ESTIGARRIBIA” como centro de formação de quadros do SPI — diagnosticando a falta de treinamento específico como “causa primordial, ou senão a, de tantos fracassos e erros que padece a gloriosa repartição do Marechal Rondon” (CM-0037, p. 4).

Relações

Escritos e publicações

  • 1961-04-07 — Carta ao Diretor do SPI sobre a situação da Craolândia, Brasília, DF (CM-0037) — documento singular no corpus pelo tom pessoal e afetivo, que se distingue do registro burocrático-administrativo típico do SPI.

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A pesquisar
Grafia exata do nome a confirmar (OCR degradado). A identidade do Diretor do SPI destinatário da carta não é nomeada no documento (“V. Sa.”). Datas de nascimento e morte desconhecidas. Outros documentos da trajetória do autor no SPI não constam no corpus.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0037 1961-04-07 p. 1-4, passim provável autor do documento análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0037 - 0001_f.txt a CM-0037 - 0004_f.txt (4 páginas) — [provável] AQUIÃO, Tasso Villares de. Carta ao Diretor do SPI sobre a situação da Craolândia. Brasília, DF, 1961-04-07. Acervo Cildo F. S. Meireles.