Nascimento[s.d.]
Morte[s.d.]
Nacionalidadebrasileira

Resumo

Acyr Barros foi o Encarregado do Posto Indígena Nonoai (RS) em 1963, durante a escalada do conflito fundiário que opôs indígenas Kaingang a arrendatários e agricultores sem-terra organizados sob liderança do Coronel Gonçalinho Curi de Carvalho. Sua atuação está documentada em um ofício datado de 17 de junho de 1963 (Of. 9/63), no qual relata à 7ª Inspetoria Regional do SPI a crise provocada pela recusa dos arrendatários em pagar a percentagem de 20% devida ao órgão indigenista (CM-0001, p003-p004). É também destinatário de instruções do Chefe da 7ª I.R., Dival José de Souza, sobre o tratamento do loteamento em área indígena (CM-0001, p006).

Trajetória

Encarregado do P.I. Nonoai (1963)

A única fase documentada da trajetória de Acyr Barros é sua atuação como Encarregado do Posto Indígena Nonoai em 1963. Ao assumir o posto, encontrou “os arrendatários em perfeita ordem, pagando pontualmente a porcentagem imposta (20%)” (CM-0001, p003, parágrafo 5). A crise teve início em fins de novembro de 1962, quando o Movimento dos Sem Terras chegou à região: os arrendatários passaram a organizar-se, acamparam em estradas e, com a chegada do Coronel Gonçalinho Curi de Carvalho, receberam ordens para suspender o pagamento ao SPI, sob o argumento de que a terra pertencia ao Patrimônio Estadual, não à União (CM-0001, p003-p004).

Barros descreveu um quadro de crescente tensão: os indígenas estavam “revoltados com o excesso de liberdade dos civilizados”, que “abusam de índias indefesas, matam porcos dos mesmos, e invadem a Área Indígena sem mais nem menos” (CM-0001, p004, parágrafo 2). O encarregado temia “um levante dos mesmos”, que “poderia ter graves consequências” (CM-0001, p004, parágrafo 2). No ofício, solicitou que se recorresse a “autoridades competentes” e que se exigisse do Coronel Gonçalinho uma “explicação dos motivos que o levou a dar tais ordens dentro da Área Indígena” (CM-0001, p004, parágrafos 5-6).

Atuação principal

A atuação documentada de Acyr Barros resume-se à gestão do conflito fundiário no P.I. Nonoai em 1963:

  • Ofício 9/63 (17 jun 1963) — relato circunstanciado da crise ao Chefe da 7ª I.R., com descrição de abusos contra indígenas, invasão da área e pedido de providências (CM-0001, p003-p004).
  • Correspondência com Dival José de Souza — recebeu instruções sobre “pretensões de loteamento de área indígena” e orientação para “fazer ponderações reais num sentido de salvaguardar o Patrimônio Indígena” (CM-0001, p006, parágrafo 4).

Relações

Páginas relacionadas

A pesquisar
Nome completo, origens, carreira anterior e posterior de Acyr Barros — o corpus documenta apenas sua atuação como Encarregado do P.I. Nonoai em 1963, e não há indícios de sua trajetória antes ou depois do cargo. Não foi possível identificar seu nome completo nem sua naturalidade. O sucessor na administração do posto, Samuel Brasil, já aparece como “Administrador do Toldo” no relatório do IGRA de 1964 (CM-0005).

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0001 1963 p003, p006 sujeito principal análise
CM-0116 1963-11-26 p. 1, 6, 10 Encarregado do P.I. Nonoai; foi a Porto Alegre expor a situação em agosto de 1963; elogiado por Dival no Ofício 280 análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0001_pagina_001.md a CM-0001_pagina_011.md (11 páginas) — SOUZA, Dival José de et al. “Dossiê de correspondência sobre o Posto Indígena Nonoai — 1963”. Curitiba/Nonoai/Porto Alegre, 1963. Acervo Cildo F. S. Meireles.