Bacia do Rio Xingu, no Mato Grosso, citada no corpus como território de “tribus ribeirinhas” cujas terras foram loteadas pelo governo de Mato Grosso em 1963. O documento não nomeia os povos específicos do Xingu afetados pelo loteamento — apenas os agrupa como “outras tribus ribeirinhas do Xingu”, em contraste com os Tapirapé e Xavante, que são nomeados (CM-0035, p. 2, parágrafo 8).
A bacia do Rio Xingu abrange o norte do Mato Grosso, drenando para o Rio Amazonas. No contexto do artigo de 1963, a região ainda pertencia integralmente ao Mato Grosso (o atual Mato Grosso do Sul seria desmembrado em 1977). O documento a situa como área de jurisdição do governo mato-grossense, que promoveu o loteamento de terras indígenas como política fundiária estadual.
“a guerra se estende ao território de Mato Grosso: as terras dos Tapirapé, bem como as habitadas pelos Xavante e outras tribus ribeirinhas do Xingu foram loteadas pelo governo de Mato-Grosso” (CM-0035, p. 2, parágrafo 8)
Bernardo Élis descreve o loteamento como parte de uma “articulação inteligente” que equivalia a uma “‘blitzkrieg’ contra os selvagens brasileiros” — ofensiva simultânea que atingia também os Krahô (Pedro Afonso) e os Xerente (Tocantínia) (CM-0035, p. 2, parágrafo 8). O fato de o loteamento ter sido promovido pelo próprio governo estadual — e não apenas por grileiros privados — é central na denúncia: a máquina estatal agia como agente ativo do esbulho territorial.
O Rio Kuruá, afluente do Rio Xingu no Pará, é mencionado no vocabulário Kayapó coletado por Cildo F. S. Meireles em 1958-1959. Às suas margens localizava-se o seringal “Bom Fruto” — topônimo registrado por Cildo como o único item não-bélico na lista de vocábulos obtida com o intérprete do SPI Fontenelle (CM-0040_f, p. 1). O registro é anterior ao loteamento de terras indígenas do Xingu denunciado por Bernardo Élis em 1963, e documenta a presença de exploração seringueira na bacia.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 2 | bacia do Rio Xingu — terras indígenas loteadas pelo governo de MT | análise |
CM-0040_f |
1959-10-07 | p. 1 | Rio Kuruá, afluente do Xingu — localização do seringal “Bom Fruto” (Pará) | análise |
CM-0035 - 0001_f.txt a CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.