Os Karajá (também grafados Carajá) são um povo da família linguística Macro-Jê, habitantes tradicionais da Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, formada pelo Rio Araguaia no atual estado do Tocantins (CM-0047, p. 1).
Em 1958, a Lei nº 2.570 do Estado de Goiás autorizou a doação da Ilha do Bananal à União para criação do Parque Nacional do Araguaia, sem qualquer menção à presença Karajá na ilha — o que implicaria seu deslocamento forçado. Quatro anos depois, a Lei nº 4.195 de 30 de outubro de 1962, sancionada pelo governador Mauro Borges Teixeira, revogou a doação, protegendo indiretamente a permanência Karajá na ilha (CM-0047, p. 1).
A Ilha do Bananal é território tradicional compartilhado com os Javaé, povo aparentado também da família Macro-Jê. Os Karajá habitam sobretudo as margens do Rio Araguaia e a porção norte da ilha (CM-0047, p. 1).
A defesa de Cildo Meireles de abril de 1953 revela dois episódios críticos envolvendo os Karajá durante a gestão Malcher, ambos depois do desmembramento da IR-8 que retirou a Ilha do Bananal da jurisdição de Cildo. Após o desmembramento, surgiram requerimentos de compra de terras na Ilha do Bananal que ameaçavam os Karajá; Cildo comunicou a situação à Diretoria, mas “nenhuma providência foi tomada pela Diretoria, apesar de nossa comunicação feita a tempo; porém fora de nossa jurisdição” (CM-0162, p. 15; CM-0159, p. 16). Em paralelo, a sede do Posto Karajá foi destruída por “criminoso incêndio, propositadamente ateado à sede do Posto, destruindo o seu precioso arquivo” (CM-0162, p. 15). O corpus não nomeia os responsáveis pelo incêndio.
A presença de CM-0047 no acervo e a documentação nas defesas de 1953 (CM-0159, CM-0162) confirmam o interesse de Cildo com a questão territorial da Ilha do Bananal. Em 1952, ele enviou ofício nº 115 ao Diretor do SPI sobre as terras da Ilha (CM-0162, p. 21, Doc. XX); a inação da Diretoria diante dos requerimentos de compra era, para Cildo, evidência da negligência da gestão Malcher.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0047 |
1958-1962 | p. 1 | habitantes da Ilha do Bananal — ameaçados pela Lei 2.570/1958, protegidos pela Lei 4.195/1962 | análise |
CM-0155 |
[c. 1953] | p. 7 | “Carajá” — IR-8 Goiás; “foram infelizes com os seus ‘protetores'”; Posto da Ilha do Bananal subordinado diretamente à Diretoria do SPI | análise |
CM-0145 |
1949 | p. 21, 49 | P.I. Carajás do Sul (IR8, Goiás): escola e 49 índios assistidos em 1949 | análise |
CM-0159 |
1953-04-13 | p. 16 | ameaçados por requerimentos de compra de terras na Ilha do Bananal após desmembramento da IR-8; Cildo comunicou à Diretoria sem resposta | análise |
CM-0162 |
1953-04-17 | p. 15, 21 | prejudicados pela inação da Diretoria sobre terras da Ilha do Bananal; incêndio “propositadamente ateado” à sede do Posto, destruindo arquivo; ofício 115/1952 sobre terras | análise |
CM-0159_pagina_001.md a CM-0159_pagina_021.md (21 páginas, source_md_only) — MEIRELES, Cildo Furtado Soares de. Defesa no Processo Administrativo SPI (Portaria 57/1952). Goiânia, 1953-04-13. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0162_pagina_001.md a CM-0162_pagina_022.md (22 páginas, source_md_only) — MEIRELES, Cildo Furtado Soares de. “DEFESA” — peça de defesa no Processo Administrativo (Portaria 57/1952). Goiânia, 1953-04-17. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0047 - 0001_f.txt a CM-0047 - 0002_f.txt (2 páginas) — Leis estaduais de Goiás: Lei 2.570/1958 (doação da Ilha do Bananal) e Lei 4.195/1962 (revogação). Diário Oficial do Estado de Goiás, Goiânia, 1958-1962. Acervo Cildo F. S. Meireles.