Capital do estado de Goiás, sede do jornal O Popular, onde o escritor Bernardo Élis publicou sua coluna de denúncia do genocídio indígena em 1º de fevereiro de 1963. O documento registra a infraestrutura urbana e jornalística da cidade: a Rádio Anhanguera, a Avenida Marechal Floriano (endereço da tipografia) e a Avenida Goiás (CM-0035, p. 1-2).
Goiânia, fundada em 1933, era a capital planejada de Goiás. A página 1 do jornal registra o endereço da tipografia d’O Popular: “Av. Marechal Floriano, 1034 – Fone: 8444 – Goiânia – Goiás” (CM-0035, p. 1, rodapé). A Rádio Anhanguera, citada como local de “reunião no auditório” (CM-0035, p. 1, parágrafo 10), indica a presença de uma infraestrutura midiática que incluía jornal diário e emissora de rádio.
O Popular publicava-se em Goiânia com cobertura de esportes, política e opinião. A página 1 da edição de 1º de fevereiro de 1963 traz o caderno esportivo — futebol (Atlético, Santa Rita, Ferroviário, Ipiranga), basquete, sindicalização de atletas profissionais e anúncios publicitários (Goodyear) — documentando o cotidiano da capital goiana (CM-0035, p. 1). Na página 2, a coluna de Bernardo Élis transformava o jornal em plataforma de denúncia nacional da violência contra povos indígenas, com foco em Goiás e Mato Grosso (CM-0035, p. 2).
A cidade abrigava também a redação do jornal Folha de Goiás, citado criticamente por Élis por publicar matéria sensacionalista sobre os Canoeiros em 29 de janeiro de 1963 (CM-0035, p. 2, parágrafo 11). A coexistência de dois jornais com linhas editoriais contrastantes revela um ecossistema de imprensa diversificado na capital goiana.
O Serviço de Proteção aos Índios mantinha unidade em Goiás, chefiada em 1963 por Francisco Meireles. Élis dirigiu seu apelo diretamente a essa unidade: “Ao Serviço de Proteção ao Índio, em Goiás, fazemos um apelo que tome as providências capazes de pôr cobro a tais abusos” (CM-0035, p. 2, parágrafo 13). Embora o documento não especifique se a sede do SPI em Goiás ficava em Goiânia, a capital como centro administrativo e político do estado torna essa localização altamente provável.
O “Palacio do Governo do Estado de Goiás, em Goiânia” foi o local de sanção de duas leis estaduais sobre a Ilha do Bananal (CM-0047, p. 1). A Lei nº 2.570, sancionada em 17 de dezembro de 1958 pelo governador José Ludovico de Almeida, autorizava a doação da ilha à União para criação do “Parque Nacional do Araguaia” (CM-0047, p. 1). A Lei nº 4.195, sancionada em 30 de outubro de 1962 pelo governador Mauro Borges Teixeira, revogou integralmente a doação (CM-0047, p. 1). A capital goiana foi, portanto, o centro da decisão política sobre o destino da maior ilha fluvial do mundo, território dos povos Karajá e Javaé.
Nenhum povo indígena diretamente associado à cidade — Goiânia aparece como centro urbano e midiático externo aos territórios indígenas.
| Código | Data | Pinpoint | Correlação | Registro |
|---|---|---|---|---|
CM-0035 |
1963-02-01 | p. 1-2 | local de publicação — sede do jornal O Popular e da unidade goiana do SPI | análise |
CM-0047 |
1958-1962 | p. 1 | local de sanção das leis sobre a Ilha do Bananal (1958 e 1962) | análise |
CM-0035 - 0001_f.txt a CM-0035 - 0002_f.txt (2 páginas) — ÉLIS, Bernardo. Coluna de opinião. O Popular, Goiânia, 1963-02-01. Acervo Cildo F. S. Meireles.CM-0047 - 0001_f.txt a CM-0047 - 0002_f.txt (2 páginas) — GOIÁS. Leis estaduais nº 2.570/1958 e nº 4.195/1962. Goiânia, 1958-1962. Acervo Cildo F. S. Meireles.