Data10/1964
Autor(a)LAS-CASAS, Roberto Décio de
TipologiaArtigo científico em periódico

1. Sumário do documento

Artigo de Roberto Décio de Las-Casas (Museu Goeldi, bolsista CNPq), publicado no Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi (Nova Série, Antropologia, N.º 23, outubro de 1964), baseado em pesquisa de campo realizada no alto Rio Tapajós em 1959/60. Analisa as formas de interação entre a sociedade nacional extrativista e os grupos tribais da área — Mundurukú, Caiabí, Apiaká, Mawé, Menkrán-notíre, Nhambikuára, Ipotwát, Tapayúna e Araras — com foco na dinâmica econômica do seringal, no SPI e na missão franciscana como agências de intervenção e nos conflitos hostis com os Kayapó entre 1941 e 1956, incluindo expedição punitiva exterminadora promovida pelo seringalista (CM-0140, p. 1).

2. Análise e descrição do documento

O artigo parte de uma inversão metodológica explícita: Las-Casas estudou a sociedade nacional, não as populações tribais. Os grupos indígenas entram no enquadramento apenas à medida que a estrutura social dos brasileiros do seringal não pode ser compreendida sem eles. A pesquisa foi de campo, realizada em 1959/60, e o artigo ressalva desde o início a escassez de dados quantitativos, optando por descrever “situação típica” (CM-0140, p. 2).

O referencial teórico central é Darcy Ribeiro (1957), cujo modelo de “frente extrativa” Las-Casas adota com três modificações: (1) a frente do Tapajós estava estagnada há ~40 anos, sem expansão; (2) havia chegado a um equilíbrio entre os sexos, incluindo uniões de “cristãos” com índios; (3) os grupos sob intervenção de agências protecionistas não devem ser considerados “integrados”, mas “sob intervenção” — categoria distinta de “assimilação” (no sentido de Oliveira, 1960). Essa distinção conceitual entre integração, intervenção e assimilação é um dos aportes analíticos do texto (CM-0140, p. 4-6).

A área abrangida era o alto curso do Tapajós e trechos de formadores, englobando grande parte do Município de Itaituba. A população indígena estimada — entre 3.350 e 5.200 — representava quase 50% da população brasileira em contato direto com ela, e quase igualdade numérica se incluídos grupos mais afastados. Las-Casas é explícito sobre a precariedade dessas estimativas (CM-0140, p. 9-10).

A seção central do artigo trata das três unidades que atuavam na área: o seringal, o SPI e a missão franciscana. A análise é estruturalista — cada unidade se comporta em função das compulsões econômicas de sua posição. O SPI local, por falta de recursos e má preparação de pessoal, derivava inevitavelmente para o papel de aviador dos índios: ou se tornava aviado do seringal, ou tentava concorrer com ele. Em um caso registrado, um agente do SPI montou sistema de aviamento sobre os Mundurukú, concorrendo com a missão franciscana, foi denunciado por ambas e afastado — deixando o posto ao abandono. Las-Casas documenta depoimentos de “índios amarrados para não saírem do Posto” e de um assassinato cometido por antigo encarregado (CM-0140, p. 12-14).

A missão franciscana, por dispor de transporte gratuito da FAB e de pessoal mais preparado, conseguia maior autonomia, mas também entrava no sistema de competição. Nas relações com os índios, operava sem as violências físicas registradas no caso do SPI (CM-0140, p. 15-16).

A última seção trata das relações com grupos hostis. As incursões dos Kayapó no vale do Tapajós estendem-se, segundo Las-Casas, de 1941 a 1956. As primeiras mortes documentadas por ele ocorreram em 1946. O texto recolhe depoimentos de cinco comerciantes intermediários expulsos do Jamaxim pelos Kayapó. A análise diferencia as reações de cada estamento do seringal: o seringueiro reage com fuga; o intermediário com pressão por expedição punitiva; o seringalista funciona como “moderador” — e é ele o único com autoridade para desencadear a violência repressiva. Las-Casas articula com precisão que “a própria configuração da sociedade nacional na área é que impõe a política de expedições punitivas” — não a moralidade individual dos agentes (CM-0140, p. 28-29).

O desfecho factual é registrado com construção passiva: após uma “sortida mais audaciosa” dos Kayapó aos armazéns da firma, “os índios que realizaram o furto nunca mais foram vistos vivos e a mercadoria furtada voltou para suas prateleiras”. Três nomes são citados como “rastejadores de Kayapó”: Carlos, Augusto e Pedro. O SPI, “inativo até então”, realizou um inquérito mas “nada fez para punir os indigítados culpados” (CM-0140, p. 25).

O documento inclui Quadro I com estimativas populacionais (p. 9), duas fotografias legendadas (residência de seringueiro e embarcação, p. 31-32), e mapa geográfico com localização dos grupos (p. 33). A nota manuscrita na capa (“Ao C. L. de [ilegível]eller / 6/10/65”) indica que o exemplar foi enviado pessoalmente a um destinatário parcialmente ilegível em 6 de outubro de 1965.

3. Análise por entidade

Roberto Décio de Las-Casas — autor do documento

  • trechos extraídos:
  • p. 1: “ROBERTO DÉCIO DE LAS-CASAS / Museu Goeldi”
  • p. 1, nota de rodapé: “(*) — Bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas.”
  • p. 2: pesquisa de campo realizada no Tapajós em 1959/60
  • p. 1: “Esta nota visa a análise de parte do material coletado em pesquisa de campo realizada na área do Tapajós em 1959/60”
  • p. 2: “A afirmativa de tipicidade decorre não de um tratamento estatístico dos dados e sim de um contato permanente com a área e da tentativa de vê-la globalmente.”
  • p. 20: “Quando estive no seringal, já há quatro anos os Kayapó não freqüentavam a margem direita do Tapajós” (fala do pesquisador em 1º pessoa, situando a pesquisa de campo em c. 1959)
  • p. 21: “Estabeleci contato com cinco comerciantes intermediários da firma exploradora do seringal que haviam sido expulsos de seus locais pelos Kayapó.”
  • fatos detectados: Las-Casas é bolsista CNPq, afiliado ao Museu Goeldi; conduziu pesquisa de campo no Tapajós em 1959/60 com foco na sociedade nacional; publica no Boletim do Museu Goeldi (N.º 23, 1964)

Museu Paraense Emílio Goeldi — instituição de afiliação e publicação

  • trechos extraídos:
  • p. 1: “INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA / BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI / NOVA SÉRIE / BELÉM — PARÁ — BRASIL / ANTROPOLOGIA N.º 23 OUTUBRO, 8, 1964”
  • p. 1: “ROBERTO DÉCIO DE LAS-CASAS * / Museu Goeldi”
  • fatos detectados: publica o artigo em conjunto com o INPA; Las-Casas é pesquisador do Museu

CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas) — financiador da pesquisa

  • trechos extraídos:
  • p. 1: “CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS”
  • p. 1, nota (*): “Bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas.”
  • fatos detectados: financia a pesquisa de campo de Las-Casas no Tapajós

SPI (Serviço de Proteção aos Índios) — instituição de intervenção na área; criticado extensamente

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Existem na área duas instituições da sociedade nacional de intervenção deliberada sôbre os grupos tribais: uma missão católica e um pôsto do SPI.”
  • p. 7: “sob a proteção do S.P.I, outros integrados no seringal”
  • p. 7: “concentrados num Pôsto indígena do S.P.I. no rio S. Manuel”
  • p. 11: “um pôsto do S.P.I., no rio S. Manuel. Tinha existido outro pôsto indígena no Cururu que na ocasião se encontrava extinto, só havendo no local um funcionário subalterno do S.P.I.”
  • p. 12: “Era flagrante o processo de reformulação dos objetivos do S.P.I por parte de seus agentes locais. Isto parecia decorrer de duas razões básicas: total ausência de recursos para uma correta aplicação da política oficial da instituição; má preparação do pessoal recrutado para servir nos postos e sua deficiente remuneração.”
  • p. 13: “O agente do S.P.I. montou um sistema de aviamiento em relação aos Mundurukú, concorrendo com a Missão Franciscana, em relação à população cabocla em concorrência com o seringal. Ambas estas unidades mostraram às autoridades superiores ao agente, que ele fugia aos objetivos de suas funções.”
  • p. 13: “Depois de algum tempo, o agente foi afastado e o Pôsto ficou ao abandono.”
  • p. 14: “segundo vários depoimentos, com o emprego da força física. Diversos informantes mencionaram ter havido desde um caso de índios amarrados para não sairem do Pôsto, até um assassinato cometido por um antigo encarregado do Pôsto.”
  • p. 14: “freqüentemente, os índios preferem mudar de ‘patrão’, isto é, passar do Pôsto para o seringal e, quando fora do Pôsto, fogem à simples aproximação de agentes do SPI.”
  • p. 20: “êste seringalista é vinculado ao SPI da área e diz que seu único desejo é que o Serviço de Índios seja realmente capaz de pacificar os índios hostís da região.”
  • p. 25: “E’ certo também que, o SPI inativo até então, nada tendo conseguido de concreto para impedir a generalização da violência, depois de realizar um inquérito, teve sua direção mudada e nada fez para punir os indigítados culpados.”
  • p. 29 (conclusão): “O SPI na área, devido a falta de recursos e inadequada preparação de seus agentes, é levado, gradualmente, a estabelecer com os índios relações de tipo semelhante às dominantes na área, isto é, relações de aviamento.”
  • fatos detectados: possuía dois postos na área (Cururu extinto; Kayabí no S. Manuel em funcionamento); agente afastado por montar sistema de aviamento; depoimentos de violência física e assassinato por encarregado; realizou inquérito sobre expedição punitiva mas não puniu culpados; criticado por falta de recursos e má preparação de pessoal

Missão Franciscana (Cururu) — instituição religiosa na área

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “sob a proteção da missão franciscana”
  • p. 11: “Atuavam na área por ocasião da coleta de dados para êste trabalho, uma missão Franciscana no Cururu e um pôsto do S.P.I., no rio S. Manuel.”
  • p. 15: “todos os depoimentos registrados levam-nos a concluir que a ação dos missionários se faz sem as violências físicas registradas no caso precedente.”
  • p. 15: “a Missão toma a si o encargo de comercializar a produção local. Como unidade comercial é inteiramente atípica […] pelas facilidades de que dispõe, inacessíveis para os comerciantes da área, facilidades estas representadas pelo transporte gratuito fornecido pela FAB.”
  • p. 16: “a Missão, dadas as facilidades de que dispõe […] introduzia preços e remuneração não condicionadas pelo mercado local, caracterizado pelo monopólio, e provoca, assim, distúrbios neste mercado.”
  • p. 29 (conclusão): “A missão, equipada de pessoal de melhor preparo para consecuição de seus fins e objetivando interferir, pelo menos em certas áreas da cultura dos índios, tem conseguido maior autonomia.”
  • fatos detectados: localizada no rio Cururu; usa transporte gratuito da FAB; compete com SPI e seringal pela mão de obra indígena; age sem violência física documentada; melhor posicionada economicamente que o SPI

FAB (Força Aérea Brasileira) — transporte para a missão

  • trechos extraídos:
  • p. 10: “dois grupos diversos: um em Jacaréacanga vinculado a uma base da FAB e da Fundação Brasil Central”
  • p. 15: “transporte gratuito fornecido pela FAB”
  • fatos detectados: base em Jacaréacanga; fornecia transporte gratuito à missão franciscana

Banco da Amazônia — monopólio estatal da borracha

  • trechos extraídos:
  • p. 5, nota (1): “O monopólio estatal da fase final da comercialização da borracha pelo Banco da Amazônia, impunha compulsões especiais na área. Inicialmente, vinculava as unidades produtivas ao Banco pelo financiamento.”
  • p. 5, nota (1): “Se um comerciante intermediário pretendesse comerciar sua produção independentemente, o Banco criava obstáculos.”
  • p. 5, nota (1): “a procura de maiores financiamentos impunha ao seringalista a necessidade de diminuir ou esconder os choques com os índios e, inversamente, a demanda de moratória o estimulava a apresentá-los superestimados ou mesmo fomentar contatos agressivos.”
  • p. 25: “as relações então existentes entre a firma e o Banco da Amazônia, eram quase que de comunhão de interêsses.”
  • fatos detectados: monopolizava a comercialização da borracha; criava incentivos perversos em relação aos conflitos com indígenas (esconder ou exagerar dependendo da demanda de crédito)

Rio Tapajós — área central do estudo

  • trechos extraídos:
  • p. 1: “pesquisa de campo realizada na área do Tapajós em 1959/60”
  • p. 1: “o intenso processo de interação que se observa no alto curso do rio”
  • p. 2: “A área em foco é a do alto curso do Tapajós e trechos de seus formadores.”
  • p. 3: “C. Nimuendajú, em seu artigo sôbre os Tapajó (1949 : 93), apresenta um quadro de distribuição populacional bastante diverso do atual.”
  • p. 6: “Situados propriamente no Vale, encontramos três grupos: Mundurukú, Kayabí e Apiaká.”
  • p. 21: “Quando estive no seringal, já há quatro anos os Kayapó não freqüentavam a margem direita do Tapajós”
  • p. 31: “Residência de seringueiro — Rio Tapajós” (legenda fotográfica)
  • p. 33: mapa com coordenadas e localização dos grupos no vale
  • fatos detectados: área de pesquisa de campo (1959/60); alto curso com Mundurukú, Caiabí, Apiaká; margem direita dominada pelo seringal; margem esquerda com incursões pacíficas dos Mawé

Itaituba (PA) — município principal da área de estudo

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Engloba grande parte do Município de Itaituba e trechos de municípios vizinhos.”
  • p. 18: “De Itaituba, de umas seis ou sete prostitutas declaradas, três eram índias criadas por famílias civilizadas.”
  • fatos detectados: município central da área de estudo; sede urbana de referência; tres das prostitutas locais eram índias criadas por famílias “civilizadas” — dado sobre integração social

Jacaréacanga (PA) — base da FAB e Fundação Brasil Central

  • trechos extraídos:
  • p. 10: “dois grupos diversos: um em Jacaréacanga vinculado a uma base da FAB e da Fundação Brasil Central”
  • p. 33: “JACAREACANGA” (marcado no mapa)
  • fatos detectados: localidade com base da FAB e sede da Fundação Brasil Central; fora do circuito do seringal de borracha

Rio S. Manuel (Rio Teles Pires) — sede do Posto Kayabí

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “concentrados num Pôsto indígena do S.P.I. no rio S. Manuel”
  • p. 11: “um pôsto do S.P.I., no rio S. Manuel”
  • p. 11: “só havendo no local um funcionário subalterno do S.P.I., subordinado ao já referido pôsto Kayabí localizado no S. Manuel.”
  • p. 33: “Barra de São Manoel” (no mapa, abaixo de Jacareacanga)
  • fatos detectados: localização do Posto Kayabí (SPI); é o Rio Teles Pires (São Manuel é nome histórico do mesmo rio)

Rio Cururu — missão franciscana e posto SPI extinto

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “Os Mundurukú campineiros se distribuem entre os rios Cururu, Cadiriri, Cabitutu e Cabruá.”
  • p. 11: “uma missão Franciscana no Cururu”
  • p. 11: “Tinha existido outro pôsto indígena no Cururu que na ocasião se encontrava extinto”
  • p. 33: “Missão do Cururu” (no mapa)
  • fatos detectados: localização da missão franciscana; Posto SPI no Cururu extinto na época da pesquisa (1959/60); habitat dos Mundurukú campineiros

Rio Jamaxim — afluente do Tapajós; área central dos conflitos com Kayapó

  • trechos extraídos:
  • p. 9: “Os Araras […] habitava o Jamaxim.”
  • p. 21: “O informante A disse que possuia um ‘comércio’, aviado pela firma, no médio Jamaxim. Os Kayapó chegaram a êste tributário ocidental do Tapajós”
  • p. 21: “O informante B […] Trabalhava também no Jamaxim e controlava mais de cem seringueiros.”
  • p. 25: “Os garimpeiros da região […] iniciando a penetração no Jamaxim, áreas descritas como mais sujeitas a incursões dos Kayapó”
  • p. 38 (seringais do S. Thomé): “afluente do Juruema, estão abandonados há 20 anos”
  • fatos detectados: afluente ocidental do Tapajós; área dos Araras; zona de maior conflito com Kayapó; seringais abandonados

Mundurukú — grupo mais numeroso do vale; situações diversas

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “Os Mundurukú (4), mais numerosos, se encontram em diversas situações; sob a proteção da missão franciscana, alguns sob a proteção do S.P.I, outros integrados no seringal e, finalmente, os campineiros.”
  • p. 7, nota (4): “Mundurukú — Ribeiro (1957 : 86) estima seu montante populacional entre 1000 e 1500. São do grupo linguístico tupí. É um dos poucos grupos indígenas da área cujo montante populacional não tem decrescido nos últimos anos. Já foram os senhores de grande parte do vale do Tapajós. José Maria da Gama Malcher (1958) enumera suas principais aldeias.”
  • p. 7: “Êstes últimos [campineiros] se encontram em situação de menor contato e se distribuem entre os rios Cururu, Cadiriri, Cabitutu e Cabruá.”
  • p. 13: “O agente do S.P.I. montou um sistema de aviamiento em relação aos Mundurukú”
  • p. 26: “um seringueiro, filho de brasileiro com uma mundurukú, chegou a armar-se para atirar em uma pessoa, que se banhava, por ter suposto que fôsse um Kayapó.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas máxima 1.500, mínima 1.000
  • fatos detectados: grupo Tupi; estimado entre 1.000 e 1.500; único grupo da área cujo montante não decresceu (segundo Ribeiro); diversas situações — missão, SPI, seringal, campineiros; submetidos a sistema de aviamento pelo agente SPI; menção a um filho de brasileiro com mundurukú

Caiabí (Kayabí) — concentrados no Posto Kayabí (SPI)

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “Os Kayabí (5), que se encontram hoje já bastante reduzidos, estão principalmente concentrados num Pôsto indígena do S.P.I. no rio S. Manuel, embora existam alguns integrados no seringal.”
  • p. 7, nota (5): “Kayabí — população estimada como variando entre 250 a 500. Hoje estão já deslocados da área pelo SPI (Ribeiro, 1957 : 79).”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas máxima 500, mínima 250
  • fatos detectados: estimados 250-500; deslocados da área pelo SPI (Ribeiro); concentrados no Posto Kayabí (rio S. Manuel = Rio Teles Pires); alguns integrados no seringal

Apiaká (Tapajós) — extintos como grupo autônomo

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “Os Apiaká (6) já estão extintos como grupo autôno­mo. Segundo os dados oficiais, existem algumas dezenas dêles distribuídos entre o Pôsto indígena, a missão franciscana e integra­dos no seringal.”
  • p. 7: “Segundo versões não confirmadas, existiriam ainda na área, Apiaká isolados.”
  • p. 7, nota (6): “Apontados por Ribeiro (1957 : 69) como extintos como grupo tribal, porém alguns viviam no Pôsto Kayabí e outros, em pequeno número, dispersos pelo seringal como podemos verificar são referidos por José Maria Malcher em seu trabalho já citado.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas “?”
  • fatos detectados: extintos como grupo autônomo (dados oficiais e Ribeiro); algumas dezenas dispersas entre Posto, missão e seringal; possíveis isolados segundo versões não confirmadas

Mawé — incursões pacíficas na margem esquerda do Tapajós

  • trechos extraídos:
  • p. 7: “Os Mawé (7), ou melhor, alguns de seus representantes, fazem anualmente”
  • p. 8: “incursões pacíficas na margem esquerda do vale”
  • p. 7, nota (7): “Mawé — grupo linguístico Tupi com uma população estimada entre 1000 a 1500 pessoas (Ribeiro, 1957 : 84). Mantém contato intermitente com população do Vale do Tapajós, pois, aí não vivem. Residem de forma permanente no Município de Maués. Só alguns de seus indivíduos fazem incursões periódicas e pacíficas na área.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas máxima 1.500, mínima 1.000
  • fatos detectados: Tupi; estimado 1.000-1.500; residem no Município de Maués; incursões anuais pacíficas na margem esquerda do Tapajós

Menkrán-notíre (Kayapó setentrionais) — incursões hostis na margem direita do Tapajós; já “pacificados” em 1959

  • trechos extraídos:
  • p. 6-7: “Certos grupos Jê, radicados principalmente no vale do Xingu, e que realizaram incursões até a área estudada, impõem até hoje formas próprias de comportamento à população local.”
  • p. 7, nota (8): “Menkran-notíre — (Grupo Jê) Kayapó setentrionais cujas estimativas populacionais apreciadas por Moreira Neto (1959 : 58) oscilavam entre mais de 1000 e 600. Já estavam pacificados na ocasião da pesquisa, porém, anos antes, conforme todos os depoimentos colhidos, tinham realizados grande número de incursões hostis na área apesar de terem como habitat o vale do Xingu.”
  • p. 8: “os citados Kayapó realizaram incursões hostis na margem direita do mesmo [vale do Tapajós].”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas máxima 700, mínima 600
  • fatos detectados: Kayapó setentrionais (Grupo Jê); estimados 600-1.000; habitat no vale do Xingu; realizaram incursões hostis na margem direita do Tapajós; “pacificados” na época da pesquisa (1959/60); relação com as incursões da seção “Relações com grupos hostis” — ambígua (Las-Casas usa “Kayapó” genericamente nas páginas seguintes)
  • flags: entidade_ambigua — Las-Casas usa “Kayapó” genericamente na seção de relações hostis; pode abranger outros subgrupos além dos Menkrán-notíre

Kayapó — incursões no vale do Tapajós (1941-1956); expedição punitiva

  • trechos extraídos:
  • p. 2: “Certos grupos Jê, radicados principalmente no vale do Xingu”
  • p. 19: “Depois de um longo período de contatos pacíficos no vale do Tapajós, na década de 1940, esta situação se alterou.”
  • p. 19: “Os Kayapó, em seu deslocamento para o oeste, ocasionado por conflitos intragrupais e a pressão de habitantes brasileiros do Xingu, começaram a atingir, em incursões esporádicas, o vale do Tapajós.”
  • p. 20: “Com respeito a um massacre de índios Kayapó, levado a efeito por empregados do seringal, o informante disse que o fato não ocorreu e que, realmente, um grupo de homens armados conseguiu reaver material roubado pelos índios mas, depois que êsses o abandonaram em sua fuga.”
  • p. 20: “êste seringalista é vinculado ao SPI da área e diz que seu único desejo é que o Serviço de Índios seja realmente capaz de pacificar os índios hostís da região.”
  • p. 21: “Quando estive no seringal, já há quatro anos os Kayapó não freqüentavam a margem direita do Tapajós”
  • p. 22-23: “O informante B teve destino diverso. […] Os Kayapó roubaram e hostilizaram seus homens durante três anos. Ao fim, o comerciante saiu com um filho ferido, duas famílias de seringueiros mortas na ausência de seus chefes, uma menina raptada e extremamente endividado com a firma.”
  • p. 23: “O contato hostil com os Kayapó, estende-se nessa área de 1941 a 1956. As primeiras mortes documentadas por nós, tiveram lugar em 1946.”
  • p. 23: “Os Kayapó roubavam mas não matavam. […] Certo dia […] chegou a notícia da morte de um seringueiro”
  • p. 24: “Na luta, o índio levava a melhor. O seringueiro não tinha como enfrentá-lo.”
  • p. 24: “Todos encaravam o Kayapó como selvagem, não cristão, mais ou menos bicho do mato. Matá-lo não seria um crime mas, um misto de auto-defesa e caçada.”
  • p. 25: “Os índios que realizaram o furto, nunca mais foram vistos vivos e a mercadoria furtada voltou para suas prateleiras.”
  • p. 25: “Carlos, Augusto e Pedro criaram fama de rastejadores de Kayapó.”
  • p. 25: “Certos tripulantes de embarcação de firma, quando embriagados, para demonstrar prestígio, diziam ter participado de uma expedição punitiva determinada pelo Chefe.”
  • p. 25: “o SPI inativo até então, nada tendo conseguido de concreto para impedir a generalização da violência, depois de realizar um inquérito, teve sua direção mudada e nada fez para punir os indigítados culpados.”
  • p. 28: “só é realizada uma expedição punitiva quando o seringalista quer ou autoriza. Isto indica quem funciona na estrutura como elemento decisivo, que determina o extermínio dos índios, quando éste ocorre.”
  • p. 33: “KAYAPÓ” (marcado no mapa)
  • citações diretas do informante seringalista (p. 20):

    “eliminação física de seringueiros. O informante afirma que cêrca de 100 seringueiros teriam sido mortos por índios.” — p. 20

  • fatos detectados: incursões hostis no Tapajós de 1941 a 1956; primeiras mortes documentadas em 1946; deslocamento por conflitos intragrupais e pressão de brasileiros do Xingu; seringalista negou massacre mas admitiu expedição de “reaver material”; Carlos, Augusto e Pedro como “rastejadores”; SPI realizou inquérito e não puniu; após a expedição punitiva, Kayapó não foram mais vistos vivos na área

Nhambikuára — sub-grupo isolado no alto Juruena

  • trechos extraídos:
  • p. 8: “Os Nhambikuára (9) ou melhor, um seu sub-grupo isolado habitaria um dos afluentes do alto Juruena. Segundo alguns depoimentos, seriam altamente agressivos e apesar de não fazerem incursões na área de seringal, impedem sua expansão.”
  • p. 8, nota (9): “Nambikuára — estimados entre 500 a 100 (Ribeiro, 1959 : 86). Residentes fora da área estudada […] Foram pacificados em 1910, porém, segundo depoimentos que colhemos na área, existem ainda grupos isolados.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas máxima 1.000, mínima 500
  • p. 33: “NAMBICUARA” (marcado no mapa)
  • fatos detectados: estimados 500-1.000; sub-grupo isolado no alto Juruena; “pacificados em 1910” segundo Ribeiro; grupos isolados persistem segundo depoimentos; funcionam como “tampão” contra expansão do seringal

Ipotwát — sub-grupo Tupi-Kawahíb; extintos oficialmente, persistindo segundo depoimentos

  • trechos extraídos:
  • p. 8: “Ipotwát (ou Iptiwat) (10), tidos como sub-grupo Tupí. Seriam agressivos e teriam, há uns 30 anos, sido responsáveis pela depopulação de S. Thomé.”
  • p. 8, nota (10): “Ipotwát ou Iptiwat ou ainda Ipatêwate sub-grupo Tupi-Kawahíb, apresentados como extintos (Ribeiro, 1957 : 75); segundo depoimentos que colhemos na área, teriam sido os responsáveis pela depopulação do S. Tomé há uns 30 anos e ainda subsistiriam na área.”
  • p. 25, nota (17): “Um grupo, segundo dizem Kayapó mas que parece só poder ter sido os Ipotewát, teriam forçado o abandono do rio [S. Tomé].”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas “?”
  • p. 33: “IPOTEWÁT” (marcado no mapa)
  • fatos detectados: Tupi-Kawahíb; oficialmente extintos segundo Ribeiro (1957); depoimentos locais os responsabilizam pelo abandono de S. Tomé c. 1929; Las-Casas sugere identidade com os que forçaram o abandono do S. Tomé (nota 17)

Tapayúna — isolados no Arinos; apresentados como antropófagos

  • trechos extraídos:
  • p. 8: “Tapayúna (11) (ou Tapanhauma), grupo desconhecido e isolado, chamado também ‘beiço de pau’ ou ‘botocudos’, habitaria o Arinos. São apresentados em vários depoimentos como antropófagos. Exerceriam, em relação ao seringal, um papel semelhante aos Nhambikuára, tampões contra uma possível expansão de sociedade nacional.”
  • p. 8, nota (11): “Tapayúna — apontados tanto por Ribeiro (1957 : 91), Malcher (1958) e depoimentos colhidos no local como isolados e desconhecidos. Sua localização seria externa à área do seringal. Seriam altamente hostis e constituiriam um sub-grupo Tupi-Kawahíb.”
  • p. 25: “Identificam um grupo da região dos formadores do Tapajós, como canibais. […] Designam êste grupo pretensamente canibal ora Tapayúna ora ‘Botocudos’.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas “?”
  • p. 33: “TAPAYÚNA” (marcado no mapa)
  • fatos detectados: Tupi-Kawahíb; isolados no Rio Arinos; apresentados como “beiço de pau”/”botocudos”/”canibais” nos depoimentos (Las-Casas qualifica como “pretensamente canibal”); tampão contra expansão do seringal

Araras (Jamaxim) — isolados no Rio Jamaxim; grupo supostamente extinto

  • trechos extraídos:
  • p. 9: “Araras (12), grupo supostamente extinto, que habitava o Jamaxim. Segundo depoimentos colhidos na área, ainda existem.”
  • p. 9, nota (12): “Araras — segundo Ribeiro (1957 : 69) existiriam na área do Jamaxim (afluente do Tapajós) um grupo com esta designação. Apesar de receberem nome idêntico ao de um grupo lingüístico Karib seriam de filiação lingüística desconhecida. Isolados. Depoimentos locais apresentam com grande mobilidade e não menor agressividade. Não são apresentadas, porém, evidências de contatos hostis recentes.”
  • p. 9, QUADRO I: estimativas “?”
  • p. 33: “ARARAS” (marcado no mapa)
  • fatos detectados: habitat no Rio Jamaxim; supostamente extintos segundo dados oficiais; depoimentos afirmam existência; filiação linguística desconhecida (não Karib, apesar do nome); isolados e móveis

Darcy Ribeiro — referência teórica central

  • trechos extraídos:
  • p. 3: “Estudando a interação entre a sociedade nacional e grupos tribais, Darcy Ribeiro (1957) evidencia a importância que assumem neste processo:”
  • p. 4: longa citação do modelo de Darcy Ribeiro sobre a “face extrativa” da sociedade nacional (pp. 23 da obra de 1957)
  • p. 4: “Este modelo será por nós básicamente adotado.”
  • p. 7, nota (4): “Ribeiro (1957 : 86) estima seu montante populacional entre 1000 e 1500.”
  • p. 7, nota (5): “Hoje estão já deslocados da área pelo SPI (Ribeiro, 1957 : 79).”
  • p. 7, nota (6): “Apontados por Ribeiro (1957 : 69) como extintos como grupo tribal”
  • p. 7, nota (7): “uma população estimada entre 1000 a 1500 pessoas (Ribeiro, 1957 : 84)”
  • p. 7, nota (8): “Moreira Neto (1959 : 58) oscilavam entre mais de 1000 e 600”
  • p. 8, nota (9): “estimados entre 500 a 100 (Ribeiro, 1959 : 86)”
  • p. 8, nota (10): “apresentados como extintos (Ribeiro, 1957 : 75)”
  • p. 8, nota (11): “apontados tanto por Ribeiro (1957 : 91)”
  • p. 9, nota (12): “segundo Ribeiro (1957 : 69)”
  • p. 30: entrada bibliográfica completa: “RIBEIRO, DARCY / 1957 — Culturas e Línguas Indígenas no Brasil IN Educação e Ciências Sociais — Ano II, Vol. 2, n.º 6, pp. 5-102 — Rio de Janeiro.”
  • fatos detectados: obra de 1957 é a referência teórica mais citada no artigo; modelo de “frente extrativa” adotado por Las-Casas com três modificações; fornece estimativas populacionais para todos os grupos da área

Curt Nimuendajú — citado sobre os Tapajó (1949)

  • trechos extraídos:
  • p. 3: “C. Nimuendajú, em seu artigo sôbre os Tapajó (1949 : 93), apresenta um quadro de distribuição populacional bastante diverso do atual.”
  • p. 30: entrada bibliográfica: “NIMUENDAJÚ, CURT / 1949 — Os Tapajó IN Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi — Tomo X, pp. 93-106 — Belém.”
  • fatos detectados: artigo de 1949 sobre os Tapajó no mesmo Boletim do Museu Goeldi; distribuição populacional diversa da época da pesquisa de Las-Casas (1959/60)

Roberto Cardoso de Oliveira — citado para o conceito de assimilação (1960)

  • trechos extraídos:
  • p. 6, nota (2): “Adotamos o conceito de assimilação no mesmo sentido em que o faz Oliveira (1960:111) que conceitua assimilação como o ‘processus’ pelo qual um grupo étnico se incorpora noutro perdendo sua peculiaridade cultural e sua identificação étnica anterior.”
  • p. 30: entrada bibliográfica: “OLIVEIRA, ROBERTO CARDOSO DE / 1960 — O Processo de Assimilação dos Terêna — Museu Nacional do Rio de Janeiro.”
  • fatos detectados: obra de 1960 fornece o conceito de assimilação usado por Las-Casas; Las-Casas distingue esse conceito do de “integração”

José Maria da Gama Malcher — citado sobre tribos amazônicas (1958)

  • trechos extraídos:
  • p. 7, nota (4): “José Maria da Gama Malcher (1958) enumera suas principais aldeias [Mundurukú].”
  • p. 7, nota (6): “como podemos verificar são referidos por José Maria Malcher em seu trabalho já citado.”
  • p. 8, nota (11): “apontados tanto por Ribeiro (1957 : 91), Malcher (1958) e depoimentos colhidos no local como isolados e desconhecidos.”
  • p. 30: entrada bibliográfica: “MALCHER, JOSÉ MARIA DA GAMA / 1958 — Tribus da Área Amazônica — SPVEA — Setor de Coordenação e Divulgação — Belém.”
  • fatos detectados: obra de 1958 sobre tribos amazônicas publicada pela SPVEA (Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia); enumera aldeias Mundurukú e referencia Apiaká e Tapayúna

Carlos de Araújo Moreira Neto — citado sobre Kayapó setentrionais (1959)

  • trechos extraídos:
  • p. 7, nota (8): “Menkran-notíre — […] cujas estimativas populacionais apreciadas por Moreira Neto (1959 : 58) oscilavam entre mais de 1000 e 600.”
  • p. 30: entrada bibliográfica: “MOREIRA NETO, CARLOS DE ARAUJO / 1959 — Relatório sôbre a situação atual dos Índios Kayapó IN Revista de Antropologia, Vol. VII, ns. 1 e 2, pp. 49-64 — São Paulo.”
  • fatos detectados: relatório de 1959 na Revista de Antropologia (São Paulo) com estimativas populacionais dos Menkrán-notíre

Aviamento — conceito central para a análise econômica da área

  • trechos extraídos:
  • p. 5, nota (1): “O monopólio estatal da fase final da comercialização da borracha pelo Banco da Amazônia”
  • p. 12: “transformar-se em aviado do seringal ou, quando possuindo alguns recursos e bastante iniciativa, transformar-se em seu concorrente”
  • p. 13: “O agente do S.P.I. montou um sistema de aviamiento em relação aos Mundurukú”
  • p. 13: “o agente do S.P.I. possuia em relação aos comerciantes intermediários do seringal, uma série de vantagens tais como: possuir em Belém, um órgão estatal ao qual é subordinado”
  • p. 14: “O caso registrado na área de um Pôsto ter-se tornado concorrente do seringal foi mais complexo.”
  • p. 29 (conclusão): “é levado, gradualmente, a estabelecer com os índios relações de tipo semelhante às dominantes na área, isto é, relações de aviamento.”
  • fatos detectados: sistema de endividamento que encadeia seringueiro, intermediário, seringalista; captura também o SPI local; seringalista como ápice da pirâmide; Las-Casas usa indistintamente “aviamento” e “aviamiento” (ambas as grafias preservadas)

Frente extrativa — conceito de Darcy Ribeiro, adaptado por Las-Casas

  • trechos extraídos:
  • p. 4: citação de Ribeiro sobre a “face extrativa” da sociedade nacional
  • p. 5: três modificações propostas por Las-Casas ao modelo de Ribeiro
  • p. 11: “A actividade dominante no local é a da produção da borracha nativa.”
  • p. 29: “Seus diversos ‘status’ possuem tipos de ajustamento diferentes.”
  • fatos detectados: Las-Casas adota o modelo de Darcy Ribeiro mas introduz três modificações: estagnação da frente (40 anos), equilíbrio entre sexos, distinção entre “sob intervenção” e “integrado”

Conflito interétnico no vale do Tapajós (1941-1956) — evento estruturante do texto

  • trechos extraídos:
  • p. 19: “Depois de um longo período de contatos pacíficos no vale do Tapajós, na década de 1940, esta situação se alterou.”
  • p. 23: “O contato hostil com os Kayapó, estende-se nessa área de 1941 a 1956. As primeiras mortes documentadas por nós, tiveram lugar em 1946.”
  • p. 28: “só é realizada uma expedição punitiva quando o seringalista quer ou autoriza. Isto indica quem funciona na estrutura como elemento decisivo, que determina o extermínio dos índios, quando éste ocorre.”
  • p. 29: “a própria configuração da sociedade nacional na área é que impõe a política de expedições punitivas”
  • fatos detectados: conflito 1941-1956; primeiras mortes 1946; expedição punitiva com mortes de Kayapó; SPI inerte

Publicações citadas na bibliografia (p. 30)

  • RIBEIRO, Darcy (1957): “Culturas e Línguas Indígenas no Brasil”. Educação e Ciências Sociais, Ano II, Vol. 2, n.º 6, pp. 5-102. Rio de Janeiro.
  • NIMUENDAJÚ, Curt (1949): “Os Tapajó”. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Tomo X, pp. 93-106. Belém.
  • MALCHER, José Maria da Gama (1958): “Tribus da Área Amazônica”. SPVEA, Setor de Coordenação e Divulgação. Belém.
  • MOREIRA NETO, Carlos de Araújo (1959): “Relatório sôbre a situação atual dos Índios Kayapó”. Revista de Antropologia, Vol. VII, ns. 1 e 2, pp. 49-64. São Paulo.
  • OLIVEIRA, Roberto Cardoso de (1960): “O Processo de Assimilação dos Terêna”. Museu Nacional. Rio de Janeiro.

4. Citações ambíguas / não atribuídas

  • p. 25: “Os índios que realizaram o furto, nunca mais foram vistos vivos e a mercadoria furtada voltou para suas prateleiras.” — Construção passiva que apaga o agente do extermínio. O contexto indica que a firma seringalista promoveu a ação, com Carlos, Augusto e Pedro como executores, por ordem do “Chefe” (seringalista).
  • p. 20: “Com respeito a um massacre de índios Kayapó, levado a efeito por empregados do seringal, o informante disse que o fato não ocorreu” — Negação de massacre pelo próprio seringalista vinculado ao SPI; contrasta com o relato de Carlos/Augusto/Pedro na p. 25.
  • p. 1: “Ao C. L. de [ilegível]eller / [ilegível] / 6/10/65” — Nota manuscrita na capa; destinatário parcialmente ilegível; data 6 de outubro de 1965; pode indicar envio pessoal do artigo a alguém do círculo do acervo Cildo Meireles, mas sem confirmação documental.
  • p. 13: “Passavam a tratar o índio não como um protegido e sim como um aviado.” — Conclusão analítica de Las-Casas; não é citação direta de fonte.

5. Notas de continuidade (multi-página)

Documento de 34 páginas em 12 lotes:
– Lotes 1-10 (p. 1-30): texto corrido do artigo.
– Lote 11 (p. 31-33): material iconográfico — p. 31-32: fotografias legendadas (“Residência de seringueiro — Rio Tapajós”; “Embarcação utilizada no transporte de mercadorias”); p. 33: mapa do vale do Tapajós com coordenadas geográficas e localização de grupos indígenas e localidades.
– Lote 12 (p. 34): capa/código — “CM – 0 140 / 13 / FALANGOLA imprimiu” — gráfica Falangola; número 13 pode ser exemplar ou tiragem.
– Sem páginas em branco. Sem parágrafos cortados entre lotes (texto continua regularmente).

6. Notas do extractor

  • Releituras: três passagens completas realizadas (P1: identificação ampla; P2: detalhamento exaustivo de todas as menções; P3: varredura focal de temas, conceitos, notas de rodapé, mapa, legendas fotográficas, marca gráfica).
  • source_md_only: nenhum arquivo TXT disponível; pinpoints calculados pelo número de página no nome do arquivo (CM-0140_pagina_NNN.md → p. N).
  • OCR: transcrição MD de qualidade boa; texto do artigo legível; nota manuscrita na p. 1 parcialmente ilegível (“C. L. de [ilegível]eller”).
  • Metadados inferidos: local de produção inferido como Belém (sede do Museu Goeldi).
  • Entidade ambígua (nota manuscrita): destinatário da dedicatória na p. 1 ilegível — não se pode confirmar se é Cildo Meireles ou outro membro de seu círculo.
  • Entidade ambígua (Carlos, Augusto, Pedro): nomes parciais de perpetradores; sem sobrenome ou identificação adicional que permita rastreamento.
  • Ambiguidade Kayapó/Menkrán-notíre: Las-Casas usa “Kayapó” genericamente na seção de relações hostis; os Menkrán-notíre são o subgrupo específico descrito na p. 7-8, mas Las-Casas não confirma explicitamente que foram eles que fizeram as incursões dos anos 1940. É a hipótese mais provável.
  • Apiaká × Txikão: os Apiaká deste documento (Tapajós, extintos como grupo autônomo) são distintos da variante “Apiaká” citada por Koch-Grünberg para os Txikão (do Alto Xingu). Devem ter páginas separadas.
  • Malcher: o “José Maria da Gama Malcher” citado em CM-0140 (autor de obra SPVEA, 1958) é possivelmente pessoa distinta do “José Maria da Costa Malcher” já no vault (funcionário SPI, SOA). Os nomes de família diferem (Gama × Costa). Tratado como entidade separada.