Resumo

Posto indígena no extremo sul do município de Bandeirantes (PR), fundado formalmente em 14 de setembro de 1918 com a assinatura da escritura de promessa de doação condicional pelo Coronel José Carvalho de Oliveira e sua esposa ao SPI — ato cujas condições haviam sido estipuladas pelos telegramas nºs 305 e 306 do Diretor Interino José Bezerra Cavalcanti. A área total é de 100 alqueires (2.420.000 m²) originada dessa escritura de promessa de doação — sem título definitivo pelo menos até 1951. Nos documentos de 1918, o posto é chamado “Posto de Pacificação Rio Cinzas” (telegramas) ou “Posto do Rio Laranjinha” (ofício); o vocabulário SPI descrevia seu objetivo como “pacificação dos indios bravos que vagam na região” (CM-0066, p. 1-2). Em 1951, o levantamento da 7ª I.R. descreveu o “Posto Velho” — 30 dos 100 alqueires, à margem do Rio Laranjinha — como “o primitivo Posto, quando da atração dos indios caingangues de Laranjinha” (CM-0065, p. 1).

Localização e contexto geográfico

Extremo sul do município de Bandeirantes (PR), limitando com Abatiá pelo Ribeirão Grande (antes limite com Santo Antônio da Platina). Duas partes: 70 alqueires junto ao Ribeirão Grande/Ribeirão da Onça (distrito de Santa Amélia) e 30 alqueires na margem direita do Rio Laranjinha, a mais de 10 km da sede — o “Posto Velho” (CM-0065, p. 1). O mapa de localização de CM-0066 (p. 3, escala 1:10.000) mostra a Sede do Posto em relação ao Ribeirão de Bandeirantes, ao Ribeirão Grande e às estradas para Cornélio, Bandeirantes, Lageado e Santo Antônio da Platina.

Histórico documentado

Fundação: a escritura de 1918

A fundação do posto está documentada em CM-0066 — o “doc. nº 1” referenciado em CM-0065. Em 14 de setembro de 1918, em cartório em Curitiba, o Coronel José Carvalho de Oliveira e sua esposa Dona Julia Fernandes Loureiro de Oliveira prometeram ao SPI a doação de até 100 alqueires do quinhão nº 16 da Fazenda Posse da Laranjinha, na Comarca de Jacarezinho, PR (CM-0066, p. 1).

A doação foi declarada “livre e espontânea”, “sem indenisação ou pagamento pelas terras concedidas”, motivada pelo desejo de “concorrer para o estabelecimento de um posto de pacificação dos indios bravos que vagam na região” (CM-0066, p. 1). O Inspector José Maria de Paula aceitou o instrumento em nome do SPI, autorizado pelo ofício nº 372 de 6 de setembro de 1918, que confirmava os telegramas nºs 305 e 306 do Diretor Interino José Bezerra Cavalcanti (CM-0066, p. 1-2).

A escritura era condicional em dois sentidos: tornaria-se definitiva apenas quando a Diretoria do SPI determinasse, e as terras reverteriam aos doadores se o SPI as abandonasse — sem indenização por benfeitorias (CM-0066, p. 1). Os custos de demarcação seriam repartidos igualmente entre as partes (CM-0066, p. 1).

“Atração” dos Kaingang e o Posto Velho

Os 30 alqueires na margem do Rio Laranjinha formavam o “Posto Velho” — o ponto original do processo de “atração dos indios caingangues de Laranjinha”, na terminologia SPI. A sede atual, no Ribeirão da Onça, veio depois (CM-0065, p. 1). O levantamento de 1951 descreve o Posto Velho como “o primitivo Posto, quando da atração dos indios caingangues de Laranjinha” — formulação que indica dois momentos: o contato inicial no Posto Velho e a instalação definitiva na sede do Ribeirão da Onça.

Situação fundiária em 1951

O levantamento da 7ª I.R. de 1951 registrou situação de precariedade: apenas “escritura de promessa de doação (doc. nº 1)” como único título, sem conversão em título definitivo trinta e três anos após a assinatura. A ação necessária era contratar agrimensor e negociar com José Patani, proprietário da fazenda Laranjinha confinante (margem esquerda do Ribeirão Grande até o Rio Laranjinha), para consolidar os 100 alqueires em um único quinhão (CM-0065, p. 1). A escritura original obrigava “os herdeiros e sucessores” a formalizar o título quando a Diretoria do SPI determinasse — cláusula que em 1951 ainda não havia sido acionada.

Conflito fundiário no perímetro (data indeterminada, após 1918)

O mapa de localização da Sede do Posto (CM-0066, p. 3) registra conflito ativo: Francisco da Silva Leal e Ozório Leonel de Paiva, identificados como ocupantes/proprietários vizinhos, abriram picada no território sem consentimento e cortaram arames e arrombaram cercas (marcados com “X” no mapa). A legenda do mapa indica o traçado que o posto preferia: “traçado antigo para uma boa estrada de rodas e de acordo com os interesses do Posto” (CM-0066, p. 3).

Pessoas associadas

Povos indígenas associados

  • Kaingang — “atração” original no Posto Velho; ocupantes da área (CM-0065, p. 1). Na escritura fundadora (1918), referidos apenas como “indios bravos que vagam na região” — apagamento nominal característico do vocabulário SPI da “pacificação”; identidade confirmada por CM-0065 (“indios caingangues de Laranjinha”) e CM-0016 (Laranjinha como localidade Kaingang no norte do PR). [inferido: CM-0065, p. 1; CM-0016, p. 1-2]

Páginas relacionadas

A pesquisar
O título definitivo foi expedido após 1951? Estado atual do P.I. Laranjinha.

Apêndice — registros de documento

Código Data Pinpoint Correlação Registro
CM-0016 [s.d.] p. 2 “LARANJINHA – Doação do Cél. José Carvalho de Oliveira”; idem CM-0066; inventário fundiário da 7ª I.R. análise
CM-0066 1918-09-14 p. 1-3 documento fundador: escritura de promessa de doação (100 alqueires, quinhão nº 16 da Fazenda Posse da Laranjinha); telegramas de autorização; mapa de localização com conflito fundiário análise
CM-0065 1951-05-04 p. 1 área de 100 alqueires (2.420.000 m2) no extremo sul de Bandeirantes (PR); dividida em 70 + 30 alqueires; documentação precária (promessa de doação, sem título definitivo); “atração” original dos Kaingang no “Posto Velho” análise

Fontes citadas nesta página

  • CM-0016_pagina_002.md — [s.a.]. “Terras dos Índios (Notas de trabalho)”. [s.l., s.d.]. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0066_pagina_001.md a CM-0066_pagina_003.md (3 páginas) — OLIVEIRA, José Carvalho de; PAULA, José Maria de. Primeiro Translado de Escritura de Promessa de Doação Condicional — terras para Posto de Pacificação do Rio Cinzas/Rio Laranjinha. Curitiba: Cartório M. J. Gonçalves, 1918-09-14. Acervo Cildo F. S. Meireles.
  • CM-0065_pagina_001.md a CM-0065_pagina_003.md (3 páginas) — [s.a.]. Levantamento das terras indígenas pendentes de solução e legalização — 7ª Inspetoria Regional do SPI. Curitiba, 1951-05-04. Acervo Cildo F. S. Meireles.